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Veranópolis, sábado, dia 20 de Outubro de 2018
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EDITORIAL

Miséria e trabalho infantil

 No mês em que se celebra a vida e a alegria das crianças, no momento em que se vive as  celebrações pelo dia a elas dedicado, e pelo respeito que a elas é devido, trazer à tona o tema do trabalho infantil é sempre importante,  uma vez que,  de acordo com o PNAD, mais de dois milhões  delas estão nas ruas hoje por conta do avanço da pobreza em nosso país. 

Existe um trabalho infantil que se espalha e é invisível: são crianças  que trabalham como domésticas,  colando strass em sapatos de moda, catando latinhas, vendendo balas e panos de prato... E mesmo com as campanhas de erradicação o trabalho infantil se mantém; e sem ações efetivas, o Brasil, que se comprometeu a erradicá-lo ate o ano de 2025, conforme os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS, não vai cumprir o acordo. Por outro lado, a Emenda Constitucional dos Gastos Públicos, aprovada em 2016, que congelou os investimentos em saúde e educação por 20 anos, ao lado da reforma trabalhista e da lei das terceirizações, que trouxeram grande desemprego em todas as áreas, agravaram esta situação de forma alarmante.  
A se abordar o tema do trabalho infantil, existem alguns mitos que perpassam a sociedade  e que precisam ser desmascarados. Se antigamente as crianças executavam algumas tarefas, isso não significa que era correto. Há pais que dizem: “Eu trabalho desde criança, por que meu filho não pode?” Se há tarefas que uma criança pode e deve executar, é preciso diferenciá-la da exploração de mão de obra à qual  muitas são submetidas.  Outro aspecto a destacar é o de que, culturalmente,  o trabalho infantil é aceito quando a criança é pobre, negro ou da periferia.  Outro mito difundido no Brasil é o de que   o trabalho infantil, principalmente aquele realizado por crianças mais pobres,  serve para evitar a  ociosidade e que isso evitaria a marginalização de meninos e meninas. 
Tatiane Reyes Bueno afirma que são diversas as consequências advindas da exploração do trabalho infantil. Ela lembra que  a exposição aos  acidentes é um exemplo clássico, uma vez que,  ainda  em  fase de desenvolvimento físico, mental e motor, o trabalho que as crianças desenvolvem está além de suas condições físicas, o que pode, em casos extremos, levá-las à morte. Conforme o jornal Extra Classe de agosto último, no Rio Grande do Sul, de 1º de julho de 2013 a 30 de junho de 2018, o Sistema de Saúde do Trabalhador registrou 2.446 notificações envolvendo crianças e adolescentes de 5 a 17 anos. Algumas destas notificações envolveram esmagamentos, amputações, traumatismos; 15 delas foram fatais. 
Por tudo isso, o trabalho infantil deve ser analisado e encarado como um grave problema social. E preciso, primeiramente, olhar mais para as famílias carentes, dar-lhes um maior suporte, pois isso possibilitará às crianças frequentarem a escola e qualificar-se para uma futura profissão.  Outro aspecto que precisa ser dado a conhecer melhor na sociedade são as consequências que o trabalho infantil pode trazer e as situações abusivas que provoca de aliciamento e exploração. 
Infelizmente, todas as tentativas de proibir o trabalho infantil  por meio de leis específicas para tanto não conseguiram sucesso até  hoje. Sabe-se que muitas empresas são punidas, mas  as penas são leves e por vezes nem são aplicadas. E as famílias nunca são responsabilizadas. Nem a politica de Educação do Brasil está atenta e preocupada com isso. É este cenário que precisa ser mudado, para que nossas crianças sejam respeitadas e tenham a oportunidade de desenvolver-se com saúde física e mental.  Enfim, tenham a oportunidade de crescer como crianças, brincando e felizes.
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Edição N.º 1393
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