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Veranópolis, quinta-feira, dia 26 de Abril de 2018
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EDITORIAL

Mineradoras, uma preocupação

 Em fevereiro 2018, no município de São José do Norte, a população foi às ruas para protestar contra um projeto que busca explorar titânio, e outros minerais pesados, em uma região de restinga existente entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico. As pessoas exigiam uma posição da prefeitura sobre o tema, que até agora não aconteceu. 

Em reportagem escrita para o jornal ExtraClasse, em março último, Marco Aurélio Weissheimer chama a atenção para o fato de que este movimento não é isolado, mas vem acontecendo em outros municípios da Metade Sul do Estado, e vêm se organizando e promovendo assembleias e audiências públicas que buscam debater os impactos ambientais e sociais da mineração.
No rastro de três medidas provisórias criadas pelo Governo Temer, feitas para impulsionar a mineração no pais, o Rio Grande do Sul  criou diversos projetos e, três deles, os de Três Estradas, Caçapava do Sul e Retiro, localizam-se  em áreas de grande biodiversidade. O primeiro, de Três Estradas, da empesa Águia Metais, que está associada à mineradora australiana Águia Resources Limited, prevê, em Lavras do Sul,  a extração de fosfato a céu aberto por meio de perfuração e detonação; o projeto de Retiro, da Rio Grande Mineração, pretende extrair titânio e zircônio em São José do Norte;  e o projeto Caçapava do Sul, da Votorantin Metais, quer extrair zinco, chumbo, cobre, prata e, talvez, ouro,  numa área às margens do rio Camaquã, na Serra do Sudeste, a região mais bem conservada do Bioma Pampa.  Contra este último projeto foi criada a União pela Preservação do Camaquã, que tem como uma de seus líderes Vera Colares que declarou que a agenda pela preservação do Camaquã não se limita  ao apect ambiental, mas envolve o modo de vida da população : “Nós vivems dentro do rio Camaquã, amamos nossos animais e queremos seguir vivendo assim. A gente não quer se milionário, mas sim, ser feliz”. 
Por outro lado, a  bióloga  e professora da Universidade Federal de Rio Grande – UFRG, Jaqueline  Durigon, ao falar sobre estes projetos durante um seminário na UFRGS no ano que passou, alertou: se os projetos de prospecção de mineração no estado identificados no Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM, o Rio Grande do Sul vai virar um canteiro de mineração. Isso, porque, além dos projetos de mineração já existentes, existem mais de 160 outros encaminhados.  Isso é altamente preocupante para o meio ambiente.
O Professor de Engenharia Ambiental da PUC-Rio, pós-graduado em Gerenciamento Ambiental pela Universidade de Tufts (EUA) e mestrando em Engenharia Urbana e Ambiental da Universidade de Braunschweig (Alemanha) e da PUC-Rio, Carlos Gabaglia Penna, destaca alguns dos danos ambientais trazidos pela mineração. Segundo ele, a mineração consome volumes extraordinários de água e existem casos em que é necessário o rebaixamento do lençol freático para o desenvolvimento da lavra, prejudicando outros possíveis consumidores. E lembra que o tamanho dos sítios degradados são também um dos itens graves do passivo ambiental dessa atividade, entre outros aspectos preocupantes. Finalizando, ele destaca que, historicamente, a atividade de mineração é a que tem mostrado o nível mais baixo de compromisso social e ambiental, sendo um dos negócios onde os interesses de lucros imediatos mais flagrantemente passam por cima dos interesses públicos, como demonstram exemplos no mundo inteiro. É um dos setores mais conservadores e mais resistentes a ajustes ambientais, e por isso é um dos setores onde mais frequentemente os custos ambientais costumam ser repassados para a sociedade. Assim, para se reduzir os grandes impactos da mineração, será necessário aumentar as exigências ambientais e a fiscalização, obrigando a mudanças no comportamento das mineradoras. 
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Edição N.º 1369
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