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Afinal... De quem será a preferencial?

Revitalização da Osvaldo fará com que motoristas se adaptem à velha regra de trânsito. Será preciso muita compreensão e paciência para evitar colisões.

Com a conclusão das obras de asfaltamento na Avenida Osvaldo Aranha, acontecerão algumas mudanças no trânsito devido à colocação de rotatórias na área central de Veranópolis. A preferência não será mais da avenida, mas sim, de quem estiver na rotatória. Vale destacar que essa modificação de preferência só ocorrerá quando houver total sinalização; hoje, a rotatória existe, mas ainda não pode ser utilizada como tal, pois não está sinalizada. O Secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente, Romeo Mattielo Tedesco, afirma que a previsão para o término da obra e, consequentemente, para a colocação da sinalização, é cerca de dois ou três meses. 
Toda a modificação requer um período de adaptação e conscientização, por isso, a Fiscal Municipal de Trânsito, Rafaela Vargas, garante que estão sendo providenciadas campanhas de divulgação pelos meios de comunicação. O intuito da campanha será relembrar as regras de trânsito, sendo que algumas não vinham sendo utilizadas em Veranópolis, como por exemplo, dar a preferência nas rotatória. Mesmo assim, Rafaela salienta que todas as regras já são conhecidas pelos motoristas habilitados, apenas serão relembradas e amplamente divulgadas. Além disso, segundo a fiscal, o Setor de Trânsito da Prefeitura está à disposição de quaisquer dúvidas.
Utilizando o exemplo de diversas cidades, como Gramado, Canela, Nova Petrópolis e Bento Gonçalves, Romeo prova que as rotatórias facilitam o fluxo de veículos e funcionam muito bem. “Essa mudança é para melhor, é importante que as pessoas entendam isso, o fluxo de veículos será mais dinâmico”, explica. 
Sobre o processo de adaptação às novas regras, a Fiscal de Trânsito ressalta: “o conselho básico para os motoristas é andar em velocidade compatível com a via, que é no máximo 40km/h, como também respeitar as faixas de seguranças, que são elevadas e em maior número”. 
Inicialmente, quatro cruzamentos da Avenida Osvaldo Aranha terão as novas rotatórias: na esquina do Colégio São Luiz, cruzamento da Rua São Franscisco de Assis; na Rua 24 de maio (próximo ao Banco do Brasil); na Rua Marechal Deodoro (próximo ao Santander) e na Rua Flores da Cunha, na Palugana. No processo de revitalização, o cruzamento com a Avenida Júlio de Castilhos passará por uma intervenção, ainda não está definido se será rotatória ou se haverá outras modificações no trânsito. E num futuro próximo, segundo Romeo, a tendência é de que as rotatórias sejam ampliadas por toda a Avenida Osvaldo Aranha. 
A respeito do término da obra, o Secretário afirma que faltam diversos detalhes: “as pessoas acham, talvez, que largar o asfalto seja o final da obra, mas não, falta bastante coisa. Por exemplo, quando finalizar as rotatórias, tem que fazer os jardins; além disso, ajeitar o meio fio”, conclui. 

O que diz o Código Brasileiro de Trânsito?

O instrutor do Centro de Formação de Condutores de Veranópolis, Miguel Angelo Zanella, explica que as rotatórias são uma das alternativas nos cruzamentos para desafogar o trânsito, principalmente na questão de evitar conflitos e acidentes. “Uma questão importante é da preferência, que mudará em relação ao que as pessoas estão acostumadas hoje em dia: a preferência será de quem está circulando pela rotatória. Lembrando que, para ser considerada uma rotatória, tem que estar sinalizado. Em algumas cidades, não encontramos isso, o que já muda todo o sentido da rotatória na questão da legislação”, explica. 
A respeito do comportamento dos motoristas, ele afirma: “hoje em dia, vivemos com ansiedade e com pressa, por isso, estamos nos tornando muito egoístas e acabamos querendo estar na frente dos outros. O mais difícil na adaptação é conscientizar as pessoas para que pensem na coletividade e não na individualidade. Além disso, é preciso que entendam que a mudança vem para melhorar o trânsito; as pessoas costumam reclamar do congestionamento, mas a solução mais viável que há hoje é a rotatória”. 
Segundo ele, em 2009, a colocação da rotatória já havia sido discutida e aprovada numa audiência pública sobre o trânsito. Porém, trabalhou-se e discutiu-se muito, justamente por causa da mudança de comportamento. “No período de mudança, será preciso diminuir a velocidade, ter paciência, calma e respeitar, assim, o trânsito vai funcionar”, aconselha o instrutor. 

Um caso específico

Diariamente, há muitos conflitos em um cruzamento de Veranópolis, no pórtico de entrada da cidade. A dúvida de muitas pessoas é sobre a preferência: se é do veículo que realiza o contorno no pórtico ou do veículo que está na rua lateral, que vem da rodoviária (Rua Flores da Cunha). 
O instrutor explica: “as placas dão a preferência a quem está na rodovia, não há um conflito entre as duas. Porém, como estão colocadas muito próximas uma da outra, ficamos na dúvida. O mais fácil para solucionar esse problema seria recuar um pouco, colocar mais para trás a entrada da rua lateral, assim evitaria o conflito”.
Nesse trecho não existe uma rotatória, pois não possui a sinalização indicativa. Miguel explica que é um cruzamento em forma de rotatória, um círculo, que facilita a circulação. Sendo assim, não se pode dizer que a preferência é de quem está dando a volta no pórtico; a única regra de trânsito é que as duas devem respeitar quem está na rodovia. “Se os dois veículos entrarem ao mesmo tempo, os dois estarão na rodovia e aí vai acontecer o acidente”, destaca. 
Por isso, para ele, a única maneira de evitar acidentes e conflitos é tendo respeito, bom senso e cordialidade: “ali, se cada um der uma chance para o outro, não teria problema nenhum; a questão é que todos estão com pressa e querendo passar na frente do outro. Aí sim, mesmo com regras, será difícil de funcionar”, conclui.