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Maio Amarelo: “Ele vivia intensamente, fazia tudo o que era preciso"

Série de reportagens trata sobre os cuidados no trânsito e como famílias estão recomeçando após perderem vidas nas estradas.

Outro jovem que perdeu a vida na BR 470, foi Adriano Bataglion. Nos seus 26 anos, em 2014, envolveu-se em um grave acidente. Ele era passageiro de um veículo conduzido por outro jovem. Mesmo após passados cinco anos, a perda é irreparável. A mãe Lourdes e a irmã Ademara afirmam que nunca irão esquecer daquele trágico dia. 
O local do acidente é um trecho perigoso, onde muitos foram vítimas fatais. Mas para a mãe, ainda não existem explicações de como isso aconteceu. “Como é que o Adriano aceitou essa carona de alguém que não estava em condições. Não entendemos, porque o Adriano saiu de casa na terça-feira e voltou no sábado, ele tinha ido para São Paulo num curso de gerência; ele era gerente em concessionária de Vacaria. E quando ele chegou, no caminho um amigo convidou: ‘vem aqui, tá faltando gelo, traz para nós’, e ele acabou indo. Os amigos o convidaram para dar uma volta no postinho e ele foi. Eram 11 da noite, ele me ligou; eu tinha dito que a janta estava pronta e ele disse ‘estou indo...’ Sabe, aquela conversa; eu tinha ligado duas ou três vezes para ele. Ele aceitou ir com aquele rapaz. Quando ele estava dentro do carro, o Samuel, que é bem amigo dele, disse: ‘Sai daí cara, onde tu vais com ele?’. E ele (Adriano) só olhou para o amigo e não falou nenhuma palavra e saiu. E aconteceu”, conta a mãe.
Eles andaram 500 metros e se acidentaram próximo à Oleoplan; colidiram com outro carro e bateram em uma árvore. O condutor só sofreu ferimentos leves, ele recebeu uma intimação e está respondendo processo, mas ainda não finalizou. Ademara e a mãe Lourdes colocam que nada alivia, pois o estrago emocional foi muito grande. Apenas gostariam que o que aconteceu tenha sido uma lição para o jovem que conduzia o carro, para que não tenha mais essas atitudes. 
Segundo Lourdes, não é possível explicar a dor de perder um filho dessa forma, alguém que ainda tinha muita vida pela frente. Para ela, nada resolve, mas algumas coisas podem ajudar. Se as pessoas não tivessem tanta pressa... “Vivemos num mundo onde queremos tudo para ontem, aceleramos muito”, afirma.
Uma das coisas que ajudou a família a confortar-se foi frequentar a espiritualidade. “No mesmo mês, começamos juntos a buscar um entendimento e ouvimos coisas que nos confortaram um pouco”. Além disso, a família tentou se aproximar ainda mais, ficar todo o tempo possível juntos. Lourdes buscou na solidariedade uma forma de ficar melhor: “Algo que faço e com muito gosto é participar da Pastoral da Criança; ele se foi, então, deixa eu ajudar alguém. Vou no bairro São Francisco, faço trabalho com diversas pessoas, vou lá apenas para ajudar, dar carinho, ver se falta algo, se as mães estão dando banho, fazendo vacinas. Para mim, isso ajuda. São dias que fazemos celebração da vida, reunimos pessoas, oramos, e distribuímos alimentos para cada família presente. Isso me ajuda”, conta Lourdes. 
Ao recordar de Adriano, afirmam: “Ele vivia intensamente, fazia tudo o que era preciso. Há dois anos ele gerenciava a Concessionária em Vacaria, porém, ele vinha para Veranópolis todos os finais de semana; ficava com todos, conosco, com a avó, com os amigos; tinha ideias de ação”.