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Perda da audição: tratamentos e causas

A fonoaudióloga Camila Zanetti explica como acontece, os sinais, e o que deve ser feito

O envelhecimento da audição é um tema pouco de­batido e muitas vezes passa desapercebido pelas pessoas, porém, é preciso ficar atento aos sinais e ser acompanhado por um especialista. Segundo a Fonoaudióloga Camila Zanetti o envelhecimento da audição decorre do envelhecimento das células do ouvido interno:

— Nosso ouvido é com-posto por três grandes partes, o ouvido externo, o médio e o interno. A parte que o envelhecimento afeta dire-tamente são as células do ouvido interno, mais próximas do nervo auditivo. Essas células, no momento que captam o som, vibram e emitem essa vibração, transformando-a em estimulo elétrico para o nervo. Porém, quando elas começam a ‘cansar’ de vibrar, não mandam mais esse esti-mulo elétrico para o nervo — explica, Camila.

Quem passa por esse pro­cesso de envelhecimento da audição não identifica, pois é gradual, não acontece do dia para a noite. A Fonoaudióloga coloca que, após os 40 anos, inicia o envelhecimento, mas torna-se mais perceptível so­mente depois dos 60. Porém, existem exceções, muitas pessoas, por causa da pré-dis­posição familiar, ou algum acometimento individual, tem esse processo acelerado Cami­la salienta que é preciso estar alerta.

Quais são os sinais?

A pessoa pode perceber a perda de audição em diversos momentos. Um dos exemplos citados pela profissional é não entender as palavras quando muita gente fala ao mesmo tempo.

— Em um almoço em família, em alguma confrater­nização, essa pessoa não vai conseguir ficar junto com os familiares, vai achar que não está entendendo bem e vai se ausentando. Outro caso que acontece bastante é não en­tender no telefone, a televisão, então a questão não é escutar, mas sim, entender as palavras — explica.

Alternativas para solucionar

Ao identificar os sinais de envelhecimento da audição, é necessário consultar um mé-dico para expor o problema e o profissional irá encaminhar o paciente para os locais adequados a fim de realizar a avaliação. Segundo Camila, o médico provavelmente irá solicitar a audiometria e exa-me de sangue para iniciar a investigação. Porém, em alguns casos, é preciso pedir outros exames, como o de imagem, de eletrofisiologia da audição. E após, em cima do diagnostico, é feita a intervenção.

— No caso do enve-lhecimento das células não tem o que fazer, porque ainda não existem remédios que façam elas “viverem” de novo, ou células novas que possam substitui-las. Então, geralmente se usa o aparelho auditivo para mandar mais força para as células restantes conseguirem passar para o cérebro — afirma Camila.

Essa transição da audição é uma questão gradual, sen­do que as pessoas acabam se adaptando e acham que é algo normal. Ao relatar o que normalmente ocorre quando os pacientes chegam ao seu consultório, Camila coloca que a família chega até ela e conta que a pessoa está se iso­lando, não convive mais com a família. E agora, com os ido­sos vivendo mais e com qua­lidade de vida, Camila afirma que é preciso melhorar o dia a dia deles com o uso de aparel­hos auditivos.

Preconceito com o aparelho auditivo

Ao resgatar dados históri­cos, a Fonoaudióloga afirma que se começou a utilizar ócu­los, tendo em vista problemas no sistema visual, por volta de 1300/1400, diferentemente dos aparelhos auditivos, que se popularizaram somente após a Segunda Guerra Mundial. Nesse período, muitos vete­ranos voltaram da guerra com problemas de audição, por isso foi acelerada a industrialização dos aparelhos auditivos.

— A questão dos óculos é muito aceita, são utilizados desde crianças até idosos. Já os aparelhos auditivos ainda não são aceitos — coloca.

Camila Zaneti trabalha com aparelhos auditivos há 20 anos e a sua primeira pesquisa acer­ca desse assunto, há 15 anos, foi sobre a prevenção do pro­cesso neurodegenerativo com o uso de aparelhos.

— Com o uso, é estimulado o córtex cerebral como um todo, fazendo com que o idoso interaja com linguagem com-preensiva e expressiva. E isso faz com que ele se sinta, além de socialmente participativo, mais atento, estimula a me-mória e a compreensão. Sendo assim, o uso de aparelho audi-tivo está sendo visto agora, por inúmeras pesquisas, como prevenção contra doenças neurodegenerativas. Então, aquele “idosos/jovem” de 60 anos, com o processo que iden-tificamos de degeneração, a gente não espera, já orientamos o uso de aparelho, porque esse idoso com 60 anos pode viver até os 100, então precisamos deixá-lo bem como ele está, para chegar aos 100 anos com qualidade de vida — explica.

Cuidados

É muito importante pro­curar profissionais que aten­dam na área de forma correta, pois, segundo Camila, é pre­ciso ter bastante cuidado, pois infelizmente, nessa área ainda existem pessoas que não tra­balham de forma idônea, ou seja, vendem o aparelho e não dão assistência.

— Temos a grata satisfação de dizer que prestamos to-tal assistência, inclusive gra-tuita, pós-venda, enquanto o aparelho durar — afirma, Camila.

A profissional coloca tam­bém que é importante com­prar o aparelho auditivo aonde a pessoa tenha facilidade de deslocamento. Por exemplo, veranenses devem comprar os aparelhos em Veranópolis, os caxienses em Caxias, porque quando precisarem, terão as­sistência.