Reportagens Especiais

Projeto de conscientização sai das escolas e toma as ruas

Muitas famílias abraçaram a causa e inspiraram mais e mais pessoas a participarem. É um ciclo do bem, que se preocupa com o meio ambiente e com a vida.

O Projeto “Escola Consciente: Promovendo a sustentabilidade através da Educação Ambiental” iniciou em março de 2018. Foi criado pelos Agentes Multiplicadores do Meio Ambiente (ONG AMMA), juntamente com a Prefeitura de Veranópolis e Conselho Municipal do Meio Ambiente (CMMA). A Campanha visa a reciclagem de resíduos, em uma iniciativa que envolve todas as escolas veranenses. O lixo seletivo limpo e seco deve ser entregue nas escolas e destinado para a Associação dos Recicladores. As escolas têm metas mínimas para cumprir e no final do ano concorrem a prêmios. Em 2018, o projeto fez muito sucesso, muitas pessoas se juntaram à causa, o que resultou em 65 toneladas de resíduos reciclados, entre os dias 19 de março a 3 de dezembro. 
Segundo Rubia Freitas, Presidente da ONG AMMA, inicialmente, cerca de quatro pessoas participavam da entidade e tinham a intenção de criar algum projeto de educação ambiental no município, que auxiliasse as pessoas a entenderem a importância da destinação correta dos resíduos. “Muitas ideias surgiram, até o dia em que pensaram em envolver as crianças em uma grande gincana entre as escolas, onde elas precisariam cumprir metas; e assim o projeto foi criado”, conta Rubia, complementando: “O sucesso dele em 2018 foi tão grande e positivo, que agora, em 2019 ao revisar o regulamento, só foi aperfeiçoada a forma de medir a quantidade de resíduos, que passa a ser em quilos e não em bags. Tornando a disputa mais justa”.  
Para os participantes da ONG, o que faz a diferença é ver o envolvimento das crianças com o projeto, as mudanças dentro de casa e a preocupação com o meio ambiente. “Plantamos uma semente muito importante dentro de cada uma dessas crianças, e na grande maioria dos pais também. Isso trará um benefício a longo prazo”, acrescenta Rubia. 

Educação ambiental desde cedo 

Valentina e Davi apreendem desde crianças a limpar o material reciclável. 

Dentre as famílias que participam do projeto está a família de Valentina, que estuda na Escola Municipal Irmão Jerônimo e mora no bairro Valverde. Sua família já tinha o hábito de realizar a reciclagem, motivada pelo pai Rafael Brandalise que compreende sua importância. Mas, com o projeto, a família abraçou ainda mais a causa e conscientizou os vizinhos e familiares, que não possuem filhos na escola, a participarem também. 
A rotina deles é envolvida na conscientização: todas as embalagens e materiais que podem ser reciclados são separados, assim como os dos vizinhos. A mãe Vanessa Detoni conta que, no início, a vizinhança tinha muitas dúvidas de qual era a forma correta de embalar o material e de quais poderiam ser reciclados. Mas agora, todos já dominam a tarefa. Semanalmente, o pai de Valentina carrega sua Saveiro com os resíduos de todos os familiares, amigos e vizinhos e leva até a escola. Vanessa conta que mesmo nas férias a separação continuou. O envolvimento do bairro foi tão grande, que durante a campanha deixou de ter foco do mosquito Aedes Aegipty, o que era comum nos outros anos. 


Os dois filhos do casal, Valentina, 5 anos, e Davi, 3 anos, já se preocupam com o meio ambiente e dominam os processos da reciclagem e sua importância. É muito esperançoso ver os pequenos auxiliarem a família na lavagem e destinação dos resíduos. Com certeza, será uma geração preocupada com o futuro do planeta. Rafael, precursor da reciclagem na família, afirma que com essa atitude pensa no futuro dos filhos, no meio ambiente e nas pessoas que têm na reciclagem o seu sustento. Pois, como Vanessa diz, “precisamos cuidar do lugar onde vivemos!”. 


Além da separação dos recicláveis, a família separa os orgânicos e os coloca na composteira, que produz o adubo para a horta. Rafael e Vanessa contam que somente depois de se engajarem com a separação e destinação semanal à escola é que tiveram noção de quanto lixo produzem.  Na residência deles moram o casal, seus dois filhos e a mãe de Vanessa, Olma Gotardo Detoni. 

Projetos que se encontram 

A diretora da Escola Irmão Jerônimo, Marileine Taglian Ferronato, onde Valentina estuda, coloca: “para nós, enquanto escola, temos certeza de que o projeto superou as expectativas, até porque muitos foram se agregando ao projeto, os vizinhos começaram a trazer seus lixos recicláveis, as pessoas se contagiaram com essa ideia e acabaram aderindo de todas as maneiras possíveis”. Tamanha foi a participação que a escola ficou em 1º lugar no ano passado. 
A diretora acredita que as crianças foram peças importantes, fazendo com que os pais repensassem a forma com que condicionavam o lixo; elas ensinaram os pais também a lavar as caixas, secar, guardar. “Eles tinham que fazer a entrega na escola para que o lixo não fosse contaminado e assim nós não perdêssemos a pontuação”, acrescenta. Outra questão que orgulha a escola e a comunidade é o desaparecimento de foco do mosquito Aedes Aegypti no bairro.

Na casa das alunas Amanda, 8 anos, da Yasmin, 11 anos, da Isabela, e da mãe Tatiane Benedetti Sartori, a mudança não foi diferente e também engajou familiares, amigos e vizinhos. Elas contam que aprenderam muito sobre a reciclagem e os benefícios que ela traz ao meio ambiente. As três meninas estudam na escola da AVAEC, que, há muitos anos trabalha com projetos voltados à educação ambiental, e o projeto veio para fortalecer ainda mais a iniciativa. A mãe Tatiane relata que com o tempo a organização dos resíduos melhorou, facilitando a entrega na escola. 

A mãe e professora Tatiane e as filhas separam o lixo há 10 anos. Segundo Tatiane, toda família se engaja. O avô, quando vai à praia, faz caminhadas no final da tarde e 
recolhe materiais que podem ser reciclados.


O envolvimento com a reciclagem não foi só na casa dela, mas também na dos familiares e vizinhos que também contribuem com a escola, e que além do Projeto Escola Consciente, faz o recolhimento e venda de tampinhas para adquirir cadeiras de rodas para entidades e pessoas que necessitam. É um ciclo que beneficia o futuro das crianças. 
Segundo Vania Wetsel, diretora da AVAEC, o projeto veio reforçar ainda mais o trabalho desenvolvido na escola e oportunizou reavivar e ampliar estudos de educação ambiental junto aos alunos. O Projeto agregou ao trabalho da escola, desenvolvendo hábitos mais sustentáveis nos alunos. Também, desenvolve um espírito cooperativo de toda a comunidade escolar que de acordo com ela, se envolveu de forma significativa. “Diariamente, observamos pais e filhos chegando na escola trazendo sacolas de lixo reciclável. Alunos maiores já trazem sozinhos e deixam no Salão de Atos do educandário. Essa postura evidencia a preocupação com o Meio Ambiente, minimiza os resíduos para a coleta de lixo do município e que iriam se acumular nos aterros sanitários. E também faz com que esses materiais possam ser reciclados, gerando renda para muitas pessoas. É uma corrente do bem, onde todos ganham, seres humanos e Planeta”, aponta, Vânia. 

Pioneirismo veranense 

Veranópolis foi pioneira no projeto semelhante a esse no Rio Grande do Sul. A Presidente da ONG AMMA, Rubia Freitas, aponta que buscam a melhoria qualidade de vida das pessoas. “Mesmo que Veranópolis seja uma parte muito pequena de todo Estado, podemos servir de modelo para outras cidades com porte maior, para que elas também realizem um trabalho de conscientização visando um planeta um pouco melhor para os nossos filhos”, frisa. 


O Secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente, Romeo Mattielo Tedesco, relata que a parceria que aconteceu para a iniciativa foi muito boa. “Tivemos um resultado efetivo, pois a meta final foi cumprida. A quantidade de lixo gerado na cidade diminuiu, e além disso foi dada a destinação correta, que é para os recicladores que recolocam o resíduo no mercado e transformam isso em renda. Além disso, o material vem das escolas limpo, seco e embalado, diferente dos que são colocados nas lixeiras que estão pela cidade”, destaca.
Romeo frisa que em alguns meses a prefeitura economizou de R$ 4 a 5 mil na coleta, pois além do custo fixo variável, no final é pago por peso.