Os números por trás da Covid-19 em Veranópolis

Desde que se instalou a pandemia em território brasileiro, profissionais da saúde buscam todos os dias atender a demanda da sua cidade da melhor maneira possível. O atendimento à população vai desde a triagem nos postos sentinela, como é o caso de Veranópolis, até a divulgação dos dados o final do dia, levando assim, a informação a todos sobre número de pacientes recebidos pela instituição, testagem realizada e por consequência casos confirmados e/ou em isolamento.

Com o aumento de casos, houve a necessidade de otimizar e padronizar o processo, para que assim, a Saúde pudesse dar conta de toda a demanda e evitar que se formasse algum tipo de aglomeração nos postos. Cadastros, receitas, atestados eram todos feitos à mão, o que prejudicava a fluidez dos atendimentos. Hoje, Veranópolis realiza entre 60 e 80 atendimentos por dia, número este que não somente revela o aumento na procura pelo posto sentinela, mas também revela a rapidez com que esse paciente é acolhido e encaminhado – ou dispensado – ao período de isolamento e realização de testes.

Essa agilidade deu-se graças a um sistema utilizado nos postos, que teve o seu desenvolvimento através do dr. Piero Motta Bonfada, médico que atua na linha de frente no combate à pandemia. Por possuir conhecimentos na área de configuração de software e programação, o médico desenvolveu um sistema específico para a Saúde Veranense, para facilitar a triagem, enfermagem e atendimento médico. E, além disso, o programa também tem auxiliado na geração de dados epidemiológicos.

Segundo a secretária de Saúde, Vanessa Calioni Bordignon, a unificação facilitou o trabalho desenvolvido em torno da pandemia. “O propósito desse programa inicialmente não foi levantar dados epidemiológicos, e sim de ter um sistema informatizado bem voltado ao atendimento dos pacientes com sintomas respiratórios. Percebemos então, que os médicos, os profissionais que eram escalados para a rotina de atendimento de triagem respiratória, cada um deles utilizava uma ferramenta de atendimento. E nesse período de pandemia todas as vigilâncias epidemiológicas requerem e se dedicam, é um tempo bem significativo à parte burocrática das informações. É notificação, lançamento em sistema, e isso requer deles um período bem prolongado de dedicação”, revela.

As informações geradas têm sido de grande relevância para o município, pois ele fornece por exemplo, média de pacientes que buscam o atendimento, sintomas mais comuns em pacientes de determinada idade, faixa etária predominante, entre outros.

“Os dados ainda são precoces, pois ainda estamos alimentando o sistema com os dados retroativos referentes ao início da pandemia. Mas o que podemos observar até o momento, por exemplo, é que pessoas de 20 a 30 anos buscam mais atendimento ainda nos primeiros sintomas. Já o idoso segue mais as orientações, e acaba por procurar atendimento entre o segundo ou terceiro dia de sintomas”, conta.

Vanessa também antecipa uma prévia de sintomas que prevalecem, de acordo com o que já se encontra no banco de dados deste sistema. “Nos adultos jovens basicamente tosse, distúrbios gustativos e dor de garganta. No idoso, é muito mais comum a fadiga, cefaléia e maior pré-disposição para que se desenvolva a insuficiência respiratória”, conclui.

350 atendimentos somente nas duas primeiras semanas do ano

De acordo com o Dr. Piero Bonfada, desde o início da pandemia houve mudanças significativas nos perfis e análises para considerar se um caso poderia ser classificado como COVID-19 ou não. Ele revela que ainda em março, por não haverem casos confirmados na cidade, o monitoramento era maior para os viajantes, enquanto os cidadãos que não haviam tido contato com quem havia vindo de fora da cidade, mesmo apresentando os sintomas, não era considerado suspeito.

Com os primeiros casos, tudo mudou. E, ao chegar entre os meses de junho e julho observou-se a necessidade de unificar os dados. Em setembro, então, a Saúde passou a ter disponível o programa desenvolvido pelo médico. “Hoje recepção, enfermagem e médicos possuem acesso, e já neste sistema já é possível ver se o sintoma apresentado pelo paciente pode torná-lo um suspeito de ter contraído o vírus ou não. Também não há a necessidade de passar tanto tempo preenchendo papéis, pois toda essa parte já vem praticamente pronta para o paciente, inclusive previsões do período em que ele ficará em isolamento e quando o teste poderá ser realizado”, conta.

Com exclusividade, o médico informou alguns dados referentes aos atendimentos realizados desde o início de 2021, até o dia 11 de janeiro – data da última atualização até a redação desta matéria.

“Podemos observar que há um aumento na procura pelo Posto Sentinela às segundas-feiras, e isso provavelmente pode ter relação ao final de semana. Somente nestas primeiras semanas foram 350 pacientes atendidos, em sua maioria entre os 20 e 30 anos e oriundos da região central do município”, revela o médico.

O próximo passo a partir de agora serão de mensuração desses dados, para que meios de comunicação e a população possam ter acesso.

 

Fonte: Programa Desenvolvido Pelo dr. Piero Motta Bonfada para a Secretaria de Saúde de Veranópolis/ Infográfico: Manuela Balzan/O Estafeta

 

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