Experiência para dar continuidade a uma gestão em tempos de pandemia
Sendo uma exceção a nível regional, o entrevistado desta semana, da série que o Jornal O Estafeta está produzindo com os prefeitos eleitos para a gestão 2021-2024, foi candidato único e foi eleito com 10.397 votos. Waldemar de Carli cumpre seu quarto mandato à frente de Veranópolis.
Tantos anos gerenciando o município fizeram com que De Carli amadurecesse como político, agregando aprendizado e experiência administrativa. “Posso te dizer que hoje, depois de ter sido prefeito, presidente de algumas instituições regionais, tenho uma certa experiência acumulada”, comenta.
Ao se candidatar novamente, e ao se reeleger, Waldemar sempre deixou claro o desejo de dar continuidade ao trabalho que já estava sendo realizado em Veranópolis, levando em consideração todo o planejamento que havia sido estipulado, como também as barreiras impostas pela pandemia.
A gestão na prática
Encaminhamento de obras já iniciadas e a gestão da Saúde e Educação têm sido as principais preocupações do município. Outros setores que têm ganhado ênfase são o de Assistência Social, que vem desempenhando um papel fundamental devido aos problemas gerados pela pandemia, e o Turismo que tem enfrentado uma série de dificuldades desde março do ano passado.
Para este mandato, a prefeitura “recriou” a pasta da Indústria e Comércio para que seja fortalecida a economia. “Essa área não chegou a ser tão afetada em nossa cidade, mas reestruturamos essa secretaria justamente para a gente focar na recuperação econômica, no empreendorismo e na qualificação do emprego das pessoas” diz.
“Nós vivemos o pior momento, um momento de muita dificuldade, de uma disseminação expressiva, eu diria exponencial da quantidade de casos, do número de internações, nos encaminhamentos para a UTI e do total de óbitos. Veja bem, nós tínhamos sete óbitos em dezembro de 2020 e já estamos com 16, ou seja, dobramos o número de óbitos numa questão de 40 dias, isso mostra que ela tem que ser enfrentada de uma maneira muito forte e é o que nós estamos fazendo, tentando atender a demanda”, desabafa.
Trabalho em equipe
A Câmara Municipal de Veranópolis, assim como os demais municípios da microrregião é composta por nove cadeiras, das quais seis são ocupadas pela situação e três pela oposição. De acordo com De Carli, mesmo com diferenças ideológicas e eventuais ruídos, a relação entre o Executivo e o Legislativo é muito boa.
“Recentemente nós estivemos discutindo dois assuntos extremamente importantes, que é o plano diretor e a lei de parcelamento do solo. São assuntos polêmicos, eu diria que cada setor tem a sua visão, e nós, acima de tudo nós temos a visão pública, do que é melhor para o município, então essa posição nós vamos sustentar e vamos continuar sustentando, justamente porque nós fomos escolhidos para fazer uma gestão para o município e não para um determinado segmento. Essa discussão aconteceu, outras virão e provavelmente iremos ter outras diferentes. Porém, no todo, eu diria que a relação é muito boa”, conta.
Saúde e Educação em tempos de pandemia
A Saúde em Veranópolis é considerada referência, e de acordo com o prefeito, se desconsiderássemos o contexto da pandemia, tratando-se de estrutura, abrangência de postos na cidade e interior e qualificação do Hospital, o serviço oferecido por Veranópolis é muito bom, e que sim, há pontos que podem ser melhorados
“O hospital tem nos ajudado muito com as pessoas que trabalham na linha de frente. O combate ao Covid tem sido extraordinário, na sua persistência, eu diria resiliência em continuar oferecendo um atendimento de qualidade. Mas enfrentamos um desafio enorme no momento. Esse vírus não tem escrúpulos e não tem ética, e ele não tem escolha, ele não escolhe as pessoas, as escolhas são nossas. Nós é que temos que fazer as nossas melhores alternativas para poder enfrentá-lo”, reitera Waldemar.
Quanto à educação as decisões já são mais delicadas. De Carli reforça o preparo e o esforço de todos os profissionais da área para transformar a escola em um ambiente seguro para recepcionar os estudantes de volta. Ele reforça que, estão sendo feitas leituras e recolhimento de dados para embasar o argumento de que as aulas presenciais devem retornar.
“As decisões da educação elas são difíceis. Tenho uma opinião pessoal, de um profissional que trabalha na saúde e embasado em inúmeras informações que a gente busca obviamente nas nossas leituras, que as aulas têm que voltar. A gente sabe de todo o preparo que os colégios tiveram, assim como sabemos que alguns casos irão acontecer. Nós aprendemos na medicina a trabalhar com a situação que se chama ‘risco e benefício’, é a mesma situação que enfrentamos agora, acreditamos que abrindo as escolas iremos beneficiar a educação das nossas crianças, mas nós enfrentamos alguns riscos de contaminação nos colégios, estamos totalmente cientes disso e estamos preparados para isso”, revela.
Waldemar ainda reforça que, se porventura acontecer algum problema em algum colégio ou creche, o município já tem em mãos os protocolos para administrar a situação. Ainda em sua fala, o prefeito informou que as aulas teriam continuidade, exceto se algo extraordinário ocorresse – fato este que se concretizou ainda na segunda-feira (01), quando a juíza Rada Maria Metzger Kepes Zaman, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre, suspendeu a realização de aulas presenciais nas escolas públicas e privadas do Rio Grande do Sul.
Quanto às turmas do terceiro ano do ensino fundamental em diante, Waldemar acredita que as aulas podem sim retornar, mas que não há tanta urgência. “A gente pode até aguardar um pouquinho, para vermos como vai caminhar essa pandemia, principalmente agora nesses próximos 15 dias, pois penso que eles vão dar uma sinalização para onde essa pandemia vai caminhar, se ela vai melhorar ou se ela vai piorar. Essa pandemia não deixa a gente se planejar com muita antecedência, então a cada 15 dias, você pode mudar totalmente a sua conduta”, comenta.
Próximos passos e considerações finais
Com a expansão de várias empresas, e a procura de empreendedores rurais por auxílio da prefeitura, os próximos passos da gestão Waldemar e Thomas serão voltados para estruturar-se e atender estas demandas até o final do ano, assim como dar andamento a algumas obras de infraestrutura.
“A nossa grande preocupação é a nossa baixa capacidade de atendimento no momento. Enfrentamos algumas dificuldades, de pessoas, maquinários, que a gente está tentando suprir”, relata.
Para encerrar, De Carli reflete sobre sua gestão. “Eu diria que é pouco tempo se nos referimos somente a esses dois primeiros meses, mas fazendo uma avaliação dos últimos anos que nós ficamos ativamente na gestão do município, tivemos um progresso e um desenvolvimento extraordinário. Hoje, Veranópolis é uma cidade reconhecida, propositiva na nossa região de liderança. Então eu acredito que se considerarmos todos esses anos a nossa avaliação é que o trabalho foi muito bem e deve continuar assim”, finaliza.