Passeio da imagem de Santo Antônio na Maria Fumaça marca início da preparação para a festa em Bento Gonçalves
Celebração do padroeiro completa 148 anos em junho e terá programação oficial lançada no mês de março.
Celebração dedicada ao Santo de Bento Gonçalves completa 148 anos em junho e terá programação lançada oficialmente em março
A preparação para a tradicional Festa de Santo Antônio, padroeiro de Bento Gonçalves, ganhou um capítulo especial neste sábado, 7 de fevereiro. A imagem do santo foi conduzida em um passeio a bordo da Maria Fumaça, em um trajeto entre Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa, que marcou oficialmente o início do calendário de visitas e atividades que antecedem o dia 13 de junho.
A iniciativa antecipa a peregrinação que a imagem realiza todos os anos por comunidades, escolas, hospitais e instituições do município, aproximando o padroeiro dos fiéis e fortalecendo a devoção popular. Durante o percurso, os passageiros dos oito vagões participaram da tradicional bênção e distribuição dos pãezinhos de Santo Antônio, um dos símbolos mais conhecidos da celebração.
Além do caráter religioso, o passeio também reforça o vínculo histórico da região com a ferrovia e com o turismo, integrando diferentes municípios da Serra em torno de uma mesma tradição.
Parceria une fé, história e municípios
De acordo com o pároco da Paróquia Santo Antônio, Volmir Comparin, a proposta do passeio nasceu em 2023, a partir de uma aproximação com a Giordani Turismo, com o objetivo de valorizar a memória ferroviária e, ao mesmo tempo, levar a bênção do padroeiro para além dos limites do município. “O caminho da Maria Fumaça é histórico. É uma forma de resgatar o passado. Por isso, pensamos Santo Antônio também como um sinal de bênção para o turismo e para unir Bento, Garibaldi e Carlos Barbosa, abençoando cada povo e toda a nossa região”, afirma.
Segundo o sacerdote, a parceria carrega um significado que vai além do evento. “É uma parceria que tem a marca da fé. Santo Antônio é nosso padroeiro e modelo de cristão. Não basta apenas crer em Cristo, é preciso manifestar essa fé na prática”, ressalta.
A organização do evento conta com nove casais de festeiros Foto: Nathielly Paz
O padre também destaca que a devoção ajuda a reforçar laços culturais comuns entre os municípios colonizados por imigrantes europeus, especialmente italianos. “Temos praticamente a mesma identidade cultural. Às vezes olhamos só as diferenças, mas é importante perceber o quanto podemos nos unir pela fé, pela história e pela cultura”, observa.
Para ele, o passeio representa ainda um gesto de comunhão com moradores, trabalhadores e turistas que ajudam a movimentar a região. “Quando vemos tanta gente servindo, cuidando das máquinas, acolhendo as pessoas, percebemos que esse momento fala de união, amor e devoção”, comenta.
O pároco reforça que a festa também carrega uma mensagem social. “Devotos de Santo Antônio são colaboradores da paz. Não estamos no mundo para aumentar a violência, mas para construir esperança e paz”, defende.
Ele aproveita para anunciar o primeiro compromisso oficial da programação religiosa. “No dia 2 de março teremos a procissão luminosa, às 19h30min, saindo pelo Centro e encerrando no Santuário Santo Antônio. Queremos que escolas, famílias e catequizandos participem para que a luz de Deus reine em nossos corações”, convida.
Festeiros assumem missão com gratidão
A organização da festa é conduzida por nove casais de festeiros voluntários. Neste ano, a coordenação está com o casal Paulo Picolli e Adriana Pegoraro Piccoli, que lidera a captação de apoiadores e a articulação dos eventos comunitários.
Adriana conta que os primeiros meses têm sido marcados por acolhimento e espiritualidade. “O nosso trabalho está sendo muito gratificante. A gente sente que Santo Antônio realmente está conosco, nos iluminando para fazer um ótimo trabalho. Fomos muito bem recebidos pelo pessoal do turismo, pelos freis em Garibaldi e também em Carlos Barbosa. É só gratidão”, relata.
O momento também foi de integração entre os festeiros de 2025 e os novos Foto: Felipe Padilha
Para Piccoli, a experiência de ser festeiro transforma a rotina e aproxima ainda mais a comunidade. “É muito bom. No início dá um baque, porque a gente não sabe o que vai acontecer, mas depois se torna algo muito gratificante. Eu aconselho todo mundo a viver isso um dia”, afirma.
O casal também ressalta que a continuidade da festa depende da união entre gerações de voluntários. “Temos o apoio dos festeiros do ano passado e dos anteriores. Todo mundo orienta, ajuda e caminha junto para que a festa seja sempre melhor”, destaca.
Embora já tenha participado de ações comunitárias menores, como a organização de um jantar dançante na Festa de São José, na Fenavinho, Adriana explica que esta é a primeira vez à frente de uma celebração de grande porte. “Fomos convidados e estamos aqui para fazer o melhor possível para a comunidade”, diz.
Agenda intensa até junho
A programação dos próximos meses inclui o chá das zeladoras, o jantar do codeguim e as tradicionais visitas da imagem de Santo Antônio às comunidades, além das celebrações religiosas. “Já estamos com as agendas lotadas. É uma preparação intensa, mas feita com muito carinho. Esperamos todos para prestigiar essa festa maravilhosa”, convida Adriana.
O ponto alto ocorre no feriado municipal de 13 de junho, quando estão previstas cinco missas ao longo do dia e o tradicional almoço comunitário no salão ao lado do Santuário Santo Antônio.