Os recursos para realização de obras públicas em rodovias federais no Rio Grande do Sul sumiram. As verbas destinadas para melhorias nas estradas gaúchas estão sendo cortadas pela União. As informações são de Jocimar Farina, da GZH.
A consequência disso é que não há dinheiro para a duplicação da BR-116, entre Guaíba e Pelotas, a duplicação da BR-290, entre Eldorado do Sul e Pantano Grande e a retomada da construção da nova ponte do Guaíba. Até a conservação do asfalto das rodovias está sem verba suficiente para prosseguir.
A previsão atual indica que faltam R$ 570 milhões para as obras nas rodovias federais do Estado. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplanagem em Geral no Rio Grande do Sul (Sicepot-RS), Rafael Sacchi, até as obras emergenciais em andamento, que buscam recuperar as rodovias atingidas pela enchente de 2024, estão sendo impactadas.
— Precisamos ter um fundo para infraestrutura e logística, para que as obras tenham começo, meio e fim. Pode ser nos moldes da CIDE dos combustíveis, com destino específico para infraestrutura — avalia Sacchi.
A única obra que tem recursos para ser executada até o fim do ano é a que está sendo realizada na BR-116, entre Porto Alegre e Novo Hamburgo. Mas o cenário pode mudar se novos cortes no orçamento forem anunciados.
O corte de recursos para obras no Rio Grande do Sul só não é maior do que o registrado no orçamento de 2022. Naquela ocasião, a restrição orçamentária atingiu o ano inteiro.
Preocupadas com os cortes que também afetam outros estados, as entidades que representam empresas do setor entregaram uma carta ao Ministério dos Transportes pedindo um aporte de recursos. O documento expõe que o corte no orçamento configura situação de extrema gravidade, com “potencial de comprometer de forma irreversível a infraestrutura rodoviária federal” e gerar prejuízos “sem precedentes”.
Segundo a carta, o Rio Grande do Sul é o estado com o maior déficit na área de manutenção rodoviária. Além disso, as empresas revelam que o Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece), criado para ajudar a reconstruir a infraestrutura do Rio Grande do Sul, tem R$ 6,5 bilhões “disponíveis, mas não utilizados”, enquanto o Dnit, com contratos prontos, não foi contemplado com verba deste fundo.
Fonte: GZH
Foto ilustração: Dnit