Três anos após desaparecimento, réu confessa assassinato de caminhoneiro durante júri no RS e aponta local onde escondeu o corpo

Começou na manhã desta terça-feira (28/7), no Foro da Comarca de Bom Jesus, o júri dos quatro acusados pela morte de Luciano Boeira Melos, desaparecido em julho de 2023 no município localizado nos Campos de Cima da Serra, nordeste do Estado. O julgamento é presidido pela Juíza de Direito Luciana Rech Slaviero Porath, da Vara Judicial da Comarca. A oitiva de testemunhas e réus finalizou por volta de 22h30. A retomada acontece a partir das 9h de amanhã (29/7), com a fase de debates entre acusação e defesas.

Confissão

A etapa final do primeiro dia de trabalho, com os interrogatórios dos acusados, foi marcada pela confissão de um dos réus, que admitiu ter matado Luciano a tiros depois de descobrir no dia anterior um relacionamento extraconjugal entre a esposa e a vítima. O depoimento coincidiu com os depoimentos da mulher e do irmão do confessor, também réus, que atribuíram a ele a responsabilidade pela morte. O outro réu, pai da acusada, exerceu o direito de permanecer em silêncio.

O réu confesso indicou o local onde foi deixado o corpo da vítima, e disse que usou uma arma própria para atirar em Luciano. Contou também que o irmão o ajudou apenas a levar a motocicleta da vítima para longe do local do crime.

Os quatro réus — três homens e uma mulher — respondem pelos crimes de homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima), além de ocultação de cadáver e fraude processual. Eles respondem em liberdade ao processo, e acompanharam o julgamento no Foro, ao lado dos representantes legais.

Luciano tinha 27 anos e era caminhoneiro. Conforme a denúncia, o crime teria ocorrido entre os dias 26 e 27 de julho de 2023, após a revelação de um caso extraconjugal entre Luciano e a ré. Os acusados então o atraíram até um local em área rural, onde Luciano teria sido surpreendido e morto. Além da mulher, são réus o marido, o pai e o cunhado dela.

Depoimentos

Ao longo do dia de julgamento,  foram ouvidas oito das nove testemunhas previstas, incluindo o delegado responsável pelo inquérito que orientou a acusação e a mãe de Luciano. Houve uma desistência.

A mãe de Luciano foi primeira testemunha a depor. Ela relembrou os últimos momentos antes do filho sair de casa sem avisar na noite do desaparecimento. Na tarde seguinte, registrou um boletim de ocorrência. A mulher disse ter passado os próximos dias com familiares em busca de Luciano.

O Delegado de Polícia Gustavo Costa do Amaral foi responsável pelo caso, e lembrou que a investigação iniciou com a ocorrência de desaparecimento. O depoimento seguiu por quase duas horas, com perguntas da acusação e das defesas. O agente detalhou diligências no curso da apuração, inclusive em relação à coleta e análise de dados telemáticos de celulares dos envolvidos.

Outras duas pessoas foram ouvidas a pedido da acusação, como informantes. Convocado pela Assistência de Acusação, um amigo disse que foi procurado por Luciano dias antes de desaparecer. A seguir, falaram duas testemunhas convocadas pela defesa de um dos réu. Uma delas, Bombeiro Civil, disse que participou por vários dias das buscas por Luciano.

Fonte: TJ RS

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