Exposição no Museu do Imigrante resgata fotografias centenárias de paisagens, famílias e comunidades da Serra Gaúcha em Bento Gonçalves
O Museu do Imigrante, em Bento Gonçalves, recebe até 28 de outubro a exposição “Janelas do Passado – Memórias em Vidro”, que apresenta 100 fotografias históricas restauradas e digitalizadas do acervo de Olivo Ghiggi. Os registros documentam famílias, celebrações religiosas, festas comunitárias e aspectos do cotidiano de localidades da Serra Gaúcha durante a primeira metade do século XX, contribuindo para a preservação da memória das comunidades da região de colonização italiana.
A iniciativa é desenvolvida pelo fotógrafo bento-gonçalvense Kleber Ghiggi, sobrinho de Olivo, por meio de projeto contemplado com R$ 40 mil do Fundo Municipal de Cultura (FMC), no Edital 01/2025 – Segmentos Culturais em Ação, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura. O trabalho busca recuperar e preservar digitalmente um patrimônio fotográfico produzido há quase um século, diante do risco de deterioração dos negativos originais em placas de vidro, além de ampliar o acesso público a esses registros.
O fotógrafo Olivo Ghiggi, já falecido, iniciou sua trajetória profissional em 1928, aos 16 anos. Durante duas décadas, trabalhou de forma itinerante, percorrendo comunidades a cavalo e de carroça, transportando cenários e uma câmera fotográfica de grande formato. Registrava festas religiosas, quermesses, carnavais, celebrações familiares e acontecimentos comunitários em diferentes localidades da Serra Gaúcha.
Um acervo familiar que se transforma em patrimônio coletivo
As fotografias que integram a exposição foram recuperadas de negativos em placas de vidro guardados em um casarão da família, em Fagundes Varela. Durante a infância, Kleber visitava o local e recorda que o material permanecia armazenado em um quarto ao qual as crianças não tinham acesso.
O interesse pela obra do tio ganhou força no início da década de 1990, quando Kleber passou a trabalhar com revelação fotográfica em Bento Gonçalves. A ideia de recuperar o acervo amadureceu ao longo dos anos e se concretizou em 2026, com a aprovação do projeto pelo Fundo Municipal de Cultura.
“Cada negativo que estamos digitalizando é uma descoberta. Desde a roupa e os objetos que as pessoas usavam até os costumes da época e a beleza das fotos. Estou muito feliz de restituir o tempo do meu tio”, relata Kleber.
Para ele, o trabalho também permite compreender as transformações da própria fotografia. “Hoje, com a tecnologia, parece impensável como se fotografava antigamente, mas esse resgate é precioso e amplia a riqueza de um mundo que não para de nos surpreender.”
Nesta primeira etapa, 100 fotografias foram restauradas e digitalizadas. O arquivo digital passará a integrar o acervo do Museu do Imigrante, enquanto os negativos originais permanecerão no casarão da família, em Fagundes Varela, que deverá passar por reformas.
Fotografias que ajudam a contar a história da região
Produzidas entre 1928 e 1948, as imagens registram vestimentas, costumes, celebrações e relações sociais de comunidades que participaram da formação histórica e cultural da Serra Gaúcha.
Além de seu valor artístico, o conjunto fotográfico constitui uma importante fonte documental para compreender os modos de vida, as tradições e as transformações das famílias que habitaram a região.
“A história não cessa de nos mostrar personagens de nossas raízes e de nossa cultura. A mostra é uma homenagem àquele que registrou no tempo e no espaço cenas de um cotidiano que não pode ser esquecido”, destaca Kleber.
Para o secretário municipal de Cultura, Evandro Soares, a recuperação do acervo demonstra a importância das políticas públicas de preservação da memória.
“Ao recuperar o trabalho de seu tio, Kleber nos permite conhecer pessoas, costumes e momentos que fazem parte da formação da nossa região. São registros que ajudam a compreender as transformações sociais, econômicas e culturais pelas quais passamos. O Fundo Municipal de Cultura também cumpre esse papel: preservar nossa memória e garantir que ela permaneça acessível às próximas gerações”, ressalta.
Após o período de visitação no Museu do Imigrante, a exposição deverá circular por outros espaços culturais do município, incluindo a Praça CEU, o Ponto de Cultura e Memória Vale dos Vinhedos e o Centro Cultural Tuiuty, ampliando o acesso da população ao acervo.
O projeto foi viabilizado pelo Edital 01/2025 – Segmentos Culturais em Ação – FMC, conforme o Convênio nº 350/2025, na categoria Expressões Livres de Fomento à Criação Artística nos Segmentos Culturais – Patrimônio Cultural e Memória.
Fonte: Prefeitura de Bento Gonçalves