Morre a pequena Giulia Vitória

Faleceu nesta quarta-feira, dia 12 de junho, a pequena Giulia Vitória Perosa Dorneles. A criança ficou conhecida na região, por

Faleceu nesta quarta-feira, dia 12 de junho, a pequena Giulia Vitória Perosa Dorneles. A criança ficou conhecida na região, por sua luta e da família, pela vida. Em 2014, o Jornal O Estafeta publicou uma reportagem sobre a sua trajetória. Releia a reportagem abaixo, publicada nas vésperas do Natal de 2014:

Estamos próximos do Natal! Esta celebração marca a nossa vida com sinais de alegria e esperança, ao mesmo tempo em que anuncia que a Luz do Mundo chegou trazendo a paz. A vida que Jesus veio trazer, e que Ele quer que todos tenham, e a tenham em abundância, é um dos valores mais importantes da nossa civilização. Por isso, na reportagem especial dessa semana, vamos contar a história da pequena Giulia Vitória Perosa Dorneles, uma vitória da vida!
No Brasil, a cada 100 nascimentos, 11 são partos prematuros. A prematuridade é a mais letal das condições para mortes no primeiro ano de vida. Cerca de 8% dos bebês nascem com menos de dois quilos, segundo dados do Ministério da Saúde. Apesar de o assunto ser pouquíssimo abordado pela mídia, o Brasil está na décima posição no ranking mundial sobre números de prematuridade. Por trás desses números há dramas de pais e mães que lutam pela sobrevivência de alguém que recém acabou de nascer, como foi o caso dos pais Matheus, e Chaiane. A pequena Giulia Dorneles nasceu no sexto mês de gestão (apenas 26 semanas). O problema teria sido causado por pré-eclâmpsia (pressão arterial elevada), o que ocasionou o nascimento prematuro, embora a mãe tenha feito todos os procedimentos no período gestacional, como por exemplo, o pré-natal. 
Giulia nasceu no Hospital Tachini, às 22h12min do dia 14 de junho de 2013, pesando 605 gramas e medindo 32 cm. 
– O doutor me mostrou ela na mão dele. Ela era muito pequena – recorda Chaiane.
A jovem afirma que no momento não “caiu a ficha”. A luta pela sobrevivência estava apenas começando. Cada segundo foi de apreensão, de esperança, de vitória. Assim como o seu nome: Vitória. Vitória da vida. Vitória da esperança. Vitória do tempo.
Logo nos três primeiros dias de vida, Giulia Vitória sofreu quatro paradas cardiorrespiratórias. 
– Ela ficou 40min morta e eu estava ainda internada, no mesmo andar do Hospital Tachini. Chamaram-me na UTI, à 1h30min, e ela não voltava. Depois de 40min, ela voltou e está aqui até hoje. Foi uma vitória da vida – afirma a mãe.
    O bebê ainda teve embolia pulmonar e outras complicações, em virtude da parada cardíaca. Os pais nada podiam fazer, a não ser acreditar nos médicos e pedir a proteção divina. 
– Não tinha o que fazer, porque os médicos não davam esperança. Cada minuto era uma vitória – recorda.
    Chaiane permaneceu internada por nove dias na casa de saúde. A criança ficou no hospital por seis meses. Nesse período, a mãe não abandonou a pequena. Todos os dias ela saia de Veranópolis e ia a Bento Gonçalves visitar a filha. 
    – Eu só não fui duas vezes nesses meses, que foi na semana em que vim para casa, e eu tinha muita dor de cabeça, e num outro dia em que pegamos bem o inverno e não tinha condições de irmos para Bento (Gonçalves). Nesses dois dias, não fomos – recorda.
    O sofrimento era maior nos momentos em que os pais chegavam ao hospital e a pequena não apresentava evolução em seu quadro de saúde. 
– Era um desespero quando a gente saia de lá, quando chegávamos de manhã e me diziam que ela havia piorado de madrugada. Logo no nascimento, ela tinha 72 horas para reverter a situação, e foi assim por seis meses – ressalta.
Mesmo com todo esse quadro, a mãe só tinha um desejo:
– A esperança é a ultima que morre. Sonhava com o dia de poder sair do hospital com ela nos braços – afirma.
Chaiane recorda que por duas oportunidades, em que poderia ter saído com ela nos braços, o desejo não se concretizou. A primeira, quando ela própria teve alta, e a segunda, quando a alta de sua filha havia sido programada.
– Ficamos um mês no quarto e eu comecei a aprender como lidar com ela. Íamos sair na quinta-feira, porém, na terça, deu uma convulsão e ela voltou para a UTI. Tive que sair outra vez do hospital sem minha filha – recorda.
Giulia precisou retornar à UTI devido a uma convulsão. Além disso, teve uma infecção nas vias aéreas e piorou. Então, os médicos disseram aos pais que caso ela não melhorasse até o dia seguinte, precisariam colocá-la novamente no respirador, pois a pequena não conseguia respirar sozinha. Caso isso acontecesse, não haveria previsão de alta.
Mas, felizmente, dias depois ela foi encaminhada novamente ao quarto e quatro dias depois recebeu alta.
– Aí, o médico mandou vir para casa porque não tinha mais nada para fazer no hospital. Foi um alívio! Claro que tinha todo aquele medo. Ela tomava vários medicamentos, o oxigênio, a sonda… Mas com o tempo eu fui aprendendo – ressalta.
Depois da alta, a pequena Giulia voltou a ser internada apenas uma vez, no Hospital Comunitário São Peregrino Lazziozi, pois não estava se alimentando bem.
O acompanhamento do crescimento do bebê está sendo feito por uma equipe de profissionais. Todas as semanas, Giulia e Chaiane viajam a Porto Alegre. Na Capital, a criança recebe acompanhamento de médicos do Hospital da Criança Santo Antônio. Naquela casa de saúde, Giulia deverá passar por uma gastrostomia, para facilitar a alimentação. A pequena recebe, ainda, cuidados de pediatra, fonoaudióloga, nutricionista e fisioterapeuta.
    Sobre alguma sequela que tenha ficado devido ao nascimento prematuro, a mãe afirma que, por enquanto, os exames não demonstraram nenhuma anormalidade. 
    As vésperas do Natal, momento em que celebramos a vida, o nascimento de Jesus Cristo, com a história da pequena Giulia confirmamos que a esperança e a vida podem superar qualquer problema.
    A rotina dos pais e da família mudou totalmente com a chegada da Giulia, mas o amor de todos foi fundamental para que ela tivesse forças para superar os desafios.
    Para as mães, Chaiane só tem um recado:
– Enfrentar de cabeça erguida. A esperança é a única que não pode morrer e a alegria no final é muito gratificante. É no dia a dia que a gente vê o progresso e ele deve que ser comemorado.

 

O velório ocorre a partir desta tarde na igreja da comunidade de Monte Bérico. O sepultamento será nesta quinta-feira, dia 13, às 10h.