De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo sofre de algum tipo de doença mental. As mais comuns, no entanto, são a depressão e a ansiedade. Apesar de parecerem distintas e de poderem ocorrer de forma concomitante ou separadamente, ambas possuem causas, sintomas e tratamentos específicos, e claro, precisam de acompanhamento profissional.
Conforme a coordenadora de Psicologia do Hospital Tacchini, Andressa Vaccaro, a depressão se manifesta por meio de uma persistente sensação de tristeza, desânimo ou perda de interesse em atividades que antes proporcionavam prazer. Já a ansiedade se caracteriza por uma preocupação excessiva, apreensão e agitação em relação a situações futuras. “No primeiro caso, sua influência se estende para além do âmbito emocional, incluindo sintomas físicos como fadiga, alterações no sono e no apetite, bem como dificuldades cognitivas, como problemas de concentração e indecisão. Já no segundo aspecto, quando acompanhada por sintomas físicos como palpitações, sudorese, tremores e dificuldade respiratória, a ansiedade projeta seus efeitos nas esferas mental e corporal”, aponta.
No caso da depressão, Andressa enfatiza que as pessoas que sofrem com esta doença tendem a reviver experiências passadas dolorosas ou focar em eventos presentes que contribuem para uma sensação de desesperança. “Perdas reais ou simbólicas, como separações, mortes ou mesmo frustrações de desejos profundos, podem se tornar pontos focais para a instalação da depressão. A pessoa deprimida experimenta uma desconexão com o mundo exterior devido à concentração excessiva em seus processos internos de luto e perda. O isolamento social também é comum, enquanto pensamentos de morte ou suicídio podem ocorrer nos casos mais graves”, esclarece.
Segundo a coordenadora, se tratando de ansiedade, as pessoas tendem a focalizar em cenários futuros, antecipando desfechos negativos, o que pode conduzir a um estado de alerta constante. “Evitar situações percebidas como desencadeadoras de ansiedade é uma estratégia de enfrentamento recorrente, e os transtornos de ansiedade podem dar origem a ataques de pânico e episódios abruptos de medo intenso”, comenta.
Fatores que desencadeiam as doenças
Andressa revela que compreender a origem dos transtornos é um campo complexo, mas que diversos fatores podem contribuir para o seu surgimento. “Dentre os principais, os biológicos têm um papel significativo. A presença de parentes de primeiro grau com esses transtornos aumenta o risco, sugerindo uma base genética subjacente. Além disso, desequilíbrios nos neurotransmissores, incluindo serotonina, noradrenalina e dopamina, têm sido identificados como componentes importantes. Além disso, alterações nos circuitos neurais também podem desempenhar um papel no desencadeamento dessas condições.
Fatores psicológicos como traumas e eventos estressantes têm um impacto considerável. Experiências adversas na infância, como abusos ou negligência, podem impactar para a vulnerabilidade ao longo da vida. Traços de personalidade também estão interligados, como por exemplo, o perfeccionismo está associado a um maior risco de desenvolvimento de ansiedade e depressão. Pensamentos e cognições desfavoráveis, como ruminação persistente e autocrítica, desempenham um papel na intensificação dos sintomas.
Além disso, os fatores sociais e ambientais também exercem influência. O isolamento social, a solidão e a falta de apoio emocional podem aumentar o risco de ansiedade e depressão. Assim como, condições socioeconômicas adversas, falta de acesso a cuidados de saúde, pressões culturais.
Reconhece-se que esses fatores não atuam isoladamente. Em vez disso, eles interagem de maneiras complexas e variáveis, variando de pessoa para pessoa. O entendimento profundo desses fatores é crucial para orientar estratégias de prevenção e intervenção.
Tratamento
O tratamento da depressão e ansiedade deve ser conduzido por profissionais de saúde mental devidamente capacitados. A intervenção de profissionais qualificados é essencial para garantir que o tratamento seja seguro e adaptado às necessidades individuais de cada pessoa. Profissionais como psicólogos e médicos psiquiatras, têm conhecimento e experiência necessários para avaliar adequadamente a condição e construir plano de tratamento, visando tanto os aspectos biológicos quanto os psicológicos e sociais.
O tratamento da depressão e ansiedade é reconhecido como complexo e multifacetado devido a uma série de fatores interligados que influenciam essas condições de saúde mental.
A resposta às intervenções de tratamento é singular. Por vezes a importância da integração entre diferentes abordagens de tratamento, a combinação de psicoterapias e utilização de medicamentos, práticas de autocuidado e um estilo de vida saudável.
Diversas linhas de tratamento e psicoterapias são indicadas para abordar essas condições de saúde mental. No entanto, é fundamental o paciente sentir-se acolhido, ou seja, a abordagem terapêutica precisa estar fundamentada na criação de um ambiente seguro e empático, onde o paciente sinta-se à vontade para compartilhar suas emoções mais profundas. Neste sentido, o estabelecimento de uma relação de confiança ajuda a promover um espaço para a exploração das emoções.
Ajuda é essencial
O apoio das pessoas próximas contribui significativamente para a redução do estigma em torno dessas condições, que ainda é bastante presente. Existem várias maneiras pelas quais amigos, familiares e colegas podem oferecer suporte, primeiramente, a educação sobre saúde mental é fundamental. É importante que as pessoas do convívio se informem sobre a natureza da depressão e ansiedade, eliminando equívocos e estereótipos que frequentemente cercam essas condições. Ao compreender melhor as experiências emocionais.
Uma comunicação aberta e empática é um alicerce essencial para o apoio, ou seja, escutar atentamente, sem julgamentos, e permitir que a pessoa compartilhe seus sentimentos e pensamentos podem proporcionar um espaço seguro para expressão.
Oferecer apoio emocional é igualmente importante. Expressar empatia e compreensão ajuda a pessoa a se sentir validada e menos isolada em suas lutas.
Evitar fazer julgamentos ou minimizar a experiência dela contribui para a construção de um relacionamento baseado em confiança. Além disso, incentivar e apoiar a busca de tratamento profissional é fundamental. Isso pode incluir auxiliar na marcação de consultas, por exemplo.
Respeitar os limites individuais é igualmente significativo, já que algumas pessoas podem necessitar de espaço enquanto outras podem valorizar a proximidade. Ser paciente e persistente no apoio, reconhecendo que a recuperação pode ser um processo gradual.
No entanto, é importante lembrar que amigos e familiares não devem substituir um profissional de saúde mental. Ao tratar a saúde mental com a mesma seriedade que a saúde física, todos ajudamos a construir uma cultura inclusiva e aberta em relação à saúde mental.
Sintomas da depressão
Na depressão, os sintomas podem incluir humor persistente de tristeza, desânimo ou vazio, muitas vezes durando a maior parte do dia. Perda de interesse e prazer em atividades antes apreciadas é comum, bem como alterações no apetite e peso, distúrbios do sono e fadiga constante. Sentimentos de culpa, de inutilidade e dificuldade de concentração são frequentes, assim como agitação ou lentidão psicomotora.
Ela pode ser caracterizada como leve, moderada ou grave, levando em consideração a gravidade da doença e de seus sintomas. Uma pessoa com episódio de depressão leve pode apresentar, por exemplo, dificuldades para continuar com o trabalho e atividades sociais, mas possivelmente não deixará por completo de realizar essas práticas. Durante um episódio grave, no entanto, é provável que a pessoa não consiga realizar essas ações e até mesmo atividades domésticas e de autocuidado, como tomar banho, por exemplo, podem ficam prejudicadas. Ideias suicidas ou pensamentos de morte também podem surgir, demandando atenção urgente.
Sintomas da ansiedade
Os sintomas da ansiedade manifestam-se através de preocupação excessiva sobre eventos futuros, frequentemente desproporcional à situação. Agitação, inquietação e tensão muscular são comuns, assim como sintomas físicos como palpitações, tremores e falta de ar. A dificuldade de concentração, irritabilidade e sensação de perigo iminente. O medo intenso e repentino, conhecido como ataque de pânico, pode ocorrer, levando à evitação de situações desencadeadoras. A resposta exagerada ao estresse e a hipersensibilidade são traços frequentes.
Os sintomas são manifestações externas de processos internos complexos, muitas vezes enraizados na história pessoal e nos conflitos inconscientes.
Fonte: Semanário