Prefeitura de Cotiporã acompanha tratativas e busca alternativas para travessia após danos na ponte do Rio das Antas

A situação da ponte sobre o Rio das Antas, entre Cotiporã e Bento Gonçalves, vem sendo acompanhada com atenção desde os primeiros danos registrados na estrutura, em julho. Após a nova cheia, em 21 de setembro, que levou parte do tabuleiro da ponte do lado de Bento, a administração de Cotiporã tem concentrado os esforços na busca por uma solução definitiva e também em alternativas provisórias para restabelecer a travessia.

Segundo a Prefeitura de Cotiporã, os primeiros danos identificados incluíam um deslocamento longitudinal de aproximadamente 20 centímetros em um módulo do tabuleiro, além da ruptura de elementos metálicos de travamento, danos no concreto e nos aparelhos de apoio. “Nas inspeções técnicas também foram identificados perfis de borda deformados, barras de fixação rompidas, ruptura localizada de uma viga de apoio, deslocamento dos travamentos, perda dos aparelhos de apoio em neoprene e ruptura do guarda-corpo”, informa o Município.

A partir dessas avaliações, Cotiporã elaborou um projeto específico para recuperação da estrutura existente e contratou uma empresa para executar os serviços de reforço, contenção e segurança em toda a ponte. O investimento previsto era de R$ 655 mil, dividido entre as duas prefeituras.

No entanto, antes do início da intervenção, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) orientou que nenhuma obra fosse realizada sem a elaboração de uma perícia sobre a estrutura. Diante disso, o município contratou uma empresa especializada para realizar o trabalho, ao custo de R$ 49.750. Conforme a prefeitura, o laudo deverá ser entregue na próxima semana.

Nova cheia muda cenário

A situação, entretanto, mudou após a cheia do Rio das Antas registrada em 21 de setembro. Conforme a Prefeitura de Cotiporã, parte do tabuleiro que seria recuperada foi deslocada e levada pela água, além de outros danos à estrutura. “Com isso, as condições da ponte passaram a ser diferentes daquelas consideradas no projeto de recuperação”, afirma o Município.

Diante da nova configuração, a prefeitura informa que a recuperação prevista no contrato anterior não terá prosseguimento nas condições originalmente estabelecidas. A administração agora concentra os esforços na construção de uma nova ponte, acima da cota de cheias. Segundo o Município, essa alternativa já vinha sendo estudada antes do agravamento registrado em setembro. Estudos técnicos e um anteprojeto, custeados por Cotiporã, tiveram investimento de R$ 55 mil até o momento.

A proposta de uma nova ponte prevê uma estrutura com aproximadamente 350 metros de extensão e oito metros de largura, implantada acima da cota de cheias. O custo estimado é de R$ 27,93 milhões.

Recursos para nova ponte

De acordo com a Prefeitura de Cotiporã, a demanda pela nova estrutura foi cadastrada junto à Defesa Civil Nacional ainda em julho. Em uma audiência com o órgão, o município foi informado de que, enquanto a ponte existente permanecesse no local, não haveria liberação de recursos para uma nova estrutura.

Com a perda de parte da ponte na cheia de setembro, Cotiporã realizou um novo cadastramento, atualizando estudos e documentação. A prefeitura informa ainda que o decreto de situação de emergência já foi homologado e que, na terça-feira (29), a Defesa Civil Nacional solicitou documentos complementares, encaminhados pelo município na quarta-feira (30). Na quinta-feira (1º), o pedido foi reconhecido e homologado. “Tudo feito com agilidade”, destaca a administração municipal.

O projeto da nova ponte também foi cadastrado, segundo a prefeitura de Cotiporã, junto às Secretarias de Estado da Reconstrução Gaúcha (SERG) e de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedur), que analisam a proposta.

A viabilização da obra, entretanto, depende da obtenção dos recursos e do cumprimento dos procedimentos técnicos e administrativos necessários. Conforme Cotiporã, as tratativas estão sendo realizadas com a Defesa Civil Nacional, Governo do Estado e demais instituições envolvidas.

Sem campanha privada até o momento

Sobre a possibilidade de arrecadação de recursos privados para a construção da nova ponte, a Prefeitura de Cotiporã afirma que não existe, neste momento, uma campanha estruturada pelo município. Segundo a administração, eventuais iniciativas dessa natureza precisariam ser avaliadas dentro dos procedimentos legais aplicáveis a uma obra pública.

Balsa é uma das alternativas

Enquanto busca viabilizar a nova ponte, os municípios também avaliam alternativas provisórias para restabelecer a ligação entre os municípios. Uma das possibilidades é a instalação de uma estrutura provisória no próprio local da ponte. A alternativa, entretanto, ainda precisa passar por avaliação técnica, principalmente diante do risco de novas cheias atingirem a estrutura.

Outra possibilidade é a instalação de uma balsa provisória. Segundo a prefeitura, em conjunto com o Município de Bento Gonçalves e a Defesa Civil, foi encaminhado ao Governo do Estado e à Defesa Civil Estadual um pedido para viabilizar a licitação de uma balsa provisória até que seja encontrada uma solução definitiva.

Enquanto a travessia não é restabelecida, Cotiporã informa que os deslocamentos podem ser realizados por Veranópolis, pela ERS-359 e BR-470, ou por Dois Lajeados, pela Rota Turística Águas e Vales, com acesso à ERS-129.

Fonte: Jornal Semanário

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