A arte de ferrar cavalos

Um peão muito tradicionalista, Luiz Meira, afirma que nasceu gaúcho e, o mais importante, “gosta da lida”, principalmente com os

Um peão muito tradicionalista, Luiz Meira, afirma que nasceu gaúcho e, o mais importante, “gosta da lida”, principalmente com os cavalos. Isso mesmo, sua profissão é ferrador e domador de equinos. A arte da doma aprendeu com seu pai, quando moravam no campo, em São José do Ouro. Mas a tarefa de ferrar cavalos, além de trazer do berço que, segundo ele, era um sistema mais bruto, aperfeiçoou em cursos profissionalizantes, pois hoje é mais delicado, mais técnico. 

 

Meira lixando o casco do cavalo.

Meira explica que o casco protege e dá sustentação às patas dos animais, por isso, precisa de cuidados. Ou seja, a troca de ferradura deve ser feita a cada 45-60 dias caso contrário o casco poderá se deformar, ocasionando problemas ao animal. “Trocar a ferradura é um cuidado necessário para não judiar do animal; ele não consegue andar sem ferradura, no calçamento e nas pedras”, relata. 

Hoje, Luiz tem essa como sua atividade principal. Começou realizando-a nas horas de folga do serviço, mas há cerca de 15 anos essa profissão é a sua principal fonte de renda, além da doma. Segundo ele, a profissão pode ser chamada de ferrador ou ferregeador. 

 

 Ele conta no mês de setembro, há mais procura para ferrar cavalos devido às cavalgadas, desfiles, e também porque é o início da temporada de rodeios. Porém, numa média anual, ele ferra dois cavalos por dia. No dia da entrevista, por exemplo, ele fez o procedimento em seis animais. Luiz mora em Veranópolis, mas presta serviços pela região: Vila Flores, Cotiporã e Fagundes Varela. Ele dá assistência para muitas pessoas também em relação à saúde dos animais, pois, com o tempo, adquiriu bastante conhecimento na área. “Às vezes, faço medicamento, não tem hora, quando me ligam eu vou, porque já tenho um conhecimento e cada dia vou conhecendo mais porque nunca sabemos tudo”, afirma. 

Como funciona?

O primeiro passo é “casquear o animal”. É feita uma limpeza no casco, onde é removida toda a sujeira. Depois, são retirados os excessos, como se fosse cortar uma unha; ele é lixado, entre outros procedimentos, que preparam o casco para receber a ferradura. Com os anos de prática, Luiz sabe até onde pode cortar, lixar, enfim, o seu olho diz até onde ir.

Depois disso é preciso modelar o ferro, verificar o número. Hoje, as ferraduras que Luiz utiliza são industrializadas; antigamente, eram utilizadas apenas as fabricadas por ferreiros. A principal parte é colocar a ferradura. Luiz explica que muitas pessoas perguntam se o cavalo sente dor. “Não, ele não sente, é como se fosse uma unha de um ser humano; tem uma parte em que pode ser colocada a ferradura e não machuca. Mas para isso, o procedimento precisa ser realizado corretamente, é preciso prática e conhecimento, pois se colocar no lugar errado pode machucar ou causar problemas nas articulações”, relata. 

Um dos últimos passos.

Com os anos de prática, Luiz sabe realizar todos os passos perfeitamente: são martelados quatro cravos cada lado; eles são dobrados e depois cortados. Por fim, são necessários os ajustes finais. O procedimento demora em torno de uma hora entre preparar os cascos, casquear e colocar a ferradura, que é o calçado do animal. 

A relação de Luiz com os cavalos é de muito carinho, ele realmente gosta do que faz e principalmente de dar continuidade à herança que seu pai deixou: “é bom conviver com os animais, fazendo esse trabalho com carinho e com o conhecimento que tenho. Gosto disso, temos que fazer o que gostamos. Se é pensando apenas no dinheiro, no retorno, não vale a pena fazer”.