A vida a partir dos 60 fica melhor ainda

“Feliz e poderosa”, é como Walquíria Pereira dos Santos, 62 anos, se define. Para ela, chegar à terceira idade não

“Feliz e poderosa”, é como Walquíria Pereira dos Santos, 62 anos, se define. Para ela, chegar à terceira idade não foi nenhum empecilho para viver a vida com intensidade ou investir em si mesma. Ela passou boa parte de sua vida dedicando-se ao casamento e à criação dos filhos, e descobriu, com o passar dos anos, a importância de ter uma mente saudável e ativa.

Natural de Porto Alegre, Walquíria veio para Veranópolis acompanhando o marido e com dois filhos pequenos. Por conta da distância e por ter que dedicar-se à família, ela abriu mão do curso de Licenciatura em Física. Com o advento do Ensino à distância, ela retornou aos estudos, formando-se em Administração e anos mais tarde em Serviço Social. Mas ela não parou por aí, em seu currículo também estão um MBA, uma especialização que a qualifica para ser tutora de sala de aula em cursos de graduação, e mais duas pós na área do Serviço Social.

Atualmente ela está aposentada, trabalha como servidora temporária na Secretaria de Saúde em Nova Prata e também na Unopar em Veranópolis. “O meu dia é muito curto. Além de trabalhar, participo com muito orgulho do grupo da terceira idade de Veranópolis e do coral. Comecei fazendo teatro com meus filhos e mesmo eles tendo voltado para Porto Alegre, eu sigo fazendo”, resume.

Além de suas atividades extras, ela cuida de sua casa, onde cultiva uma pequena horta e um pomar. “Compro leite, frutas e ovos dos meus vizinhos. Criei vínculo com o lugar. Estou vivendo como eu sempre quis. Foi na minha terceira idade que eu me encontrei”, revela.

O que a faz permanecer em Veranópolis são os seus netos. Walquíria morou sozinha na zona Rural da cidade até o ano passado e devido à pandemia, um dos seus filhos estabeleceu endereço novamente na cidade.

 Walquíria revela que teve que aprender sozinha a superar os seus medos. Ao deparar-se sozinha, enquanto o marido trabalhava em outro Estado, fez com que ela descobrisse dentro de si a força que possui hoje. “Eu fui aquela pessoa filha do medo. Tinha pavor do escuro, não dormia, ficava trancada, achando que entrariam na minha casa e me matariam. Coisas que não tinham fundamento. E tudo isso foi o gatilho que me levou a fazer coisas que eu não estava habituada a fazer”, conta.

Com esse crescimento interior, também veio a independência financeira. “Hoje eu tenho o meu carro, que eu comprei, fruto do meu trabalho. Se eu quiser comprar algo, eu vou lá e compro. Pago minha gasolina. Eu dirijo daqui para Porto Alegre para visitar a minha mãe, junto com minha neta de 10 anos”, diz. Ela também revela que aprendeu a respeitar as limitações que o seu corpo tem sofrido por conta da idade.

“Entendo que não estou mais na idade de subir num telhado, numa cadeira, e eu aceito. Todo idoso precisa aceitar isso. Eu também sei que preciso fazer algum tipo de exercício – que é uma coisa que eu não gosto muito– quem sabe, quando passar tudo isso, e possamos voltar ao que nos era considerado normal, eu possa ir num baile, dançar ou fazer alguma atividade que eu goste”, comenta.

O segredo, segundo ela, foi ter buscado focar na sua cabeça. “O meu corpo já me diz que eu tenho 60, mas a minha cabeça não. Procuro manter o meu cérebro sempre ativo e aproveito que ainda tenho muita facilidade em aprender”, esclarece. Walquíria diz ter orgulho de si mesma, e acredita que ainda tem alguns sonhos que ainda poderá realizar, como o de conhecer as Ilhas Gregas, por exemplo.

Ela encerra, reafirmando que está muito feliz, por estar trabalhando e por “pagar a sua vida”. Ainda aproveita para deixar um recado para todos que desejam seguir na terceira idade em plena atividade.

“Eu poderia ter desistido, mas não desisti. Nunca é tarde para começar algo novo. A maturidade – infelizmente – vem com a idade e muitas vezes você não vai entender e descobrir o que gosta aos 25, isso só virá depois. Conheço pessoas que se descobriram somente após a aposentadoria. Quem acha que passou dos 40, 50, 70 anos e não se achou, nunca é tarde. Eu não serei atleta olímpica com a minha idade, mas eu tenho outras coisas que posso fazer. A cabeça nunca para de pensar, até o dia em que você morre. Mude hábitos. Assista a um filme, leia e você verá que que a mente vai funcionar”, encerra.