Memória sobre as águas: o legado dos balseiros de Veranópolis
Construídas em madeira, as balsas eram tracionadas por cabos de aço fixados entre as duas margens do Rio das Antas, permitindo a travessia de pessoas, animais e cargas durante o período da colonização italiana.
O trabalho árduo das pessoas antigamente não existia apenas pela falta de estudos ou de oportunidades, embora ambos fossem fundamentais para o acesso a profissões que exigiam menos esforço físico. Outro fator que tornava o serviço ainda mais pesado era a falta de infraestrutura da época. Nesse cenário, surgiu a profissão — ou melhor, a necessidade — dos balseiros, atividade hoje extinta em razão da modernização e da melhoria das condições de vida.
Balseiros foram essenciais na travessia do Rio das Antas
As balsas do Rio das Antas eram estruturas de madeira, movidas por cabos de aço estendidos entre as margens, e desempenharam papel fundamental na ligação entre Bento Gonçalves (então Dona Isabel) e Veranópolis, na época Colônia Alfredo Chaves. Elas garantiam o transporte de imigrantes e o escoamento da produção, especialmente da madeira, principal produto comercializado no período da colonização.
Em 1884, os balseiros enfrentavam estradas precárias, chuvas intensas e a falta de pontes permanentes, tendo no Rio das Antas o maior desafio para a circulação de pessoas e mercadorias. Embora a profissão tenha desaparecido, sua importância permanece preservada na memória da comunidade e em registros históricos, como a obra Nos Peraus do Rio das Antas – Imigrantes Poloneses de Alfredo Chaves.
Foto: Gabriel de Mello/Jornal O Estafeta
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