Especial: A história da cabeleireira que hoje é também psicóloga

Leia a história de superação de Dalvanice, que mostra que a mudança começa com um sonho, e o mais importante é continuar na busca por ele.

Muitas vezes, acabamos vivendo nossos dias imersos em um comodismo que nos impede de ir adiante, seja por medo do novo ou por pura preguiça de viver coisas novas. Algumas pessoas, como Dalvanice Antoniolli Testa (a Nitche), são exemplo de que a mudança começa com um sonho. 

Desde os 17 anos ela trabalha como cabelereira, porém, seu grande sonho, sempre esteve presente. E no momento certo ela foi em busca desta conquista. 

Dalvanice cabelereira 

Depois de fazer o magistério, Dalvanice ingressou na Universidade de Passo Fundo, (UPF) no curso de Pedagogia.

Porém, por motivos financeiros, acabou trancando a matrícula. “Quando eu sai daquele portão, olhei para trás e disse: ‘um dia eu volto para a  faculdade, mas para fazer psicologia, e não pedagogia”, recorda com emoção.
Quando voltou para casa, começou a trabalhar como cabelereira em Fagundes Varela. Fez diversos cursos e foi se aperfeiçoando na área. Desde jovem ela trabalha em seu empreendimento, o Espaço de Beleza Nicthe, e ama muito a sua profissão, ou melhor, uma de suas profissões. 

Como ela casou e teve suas filhas muito jovem, esperou o momento certo para retornar aos estudos. Com 37 anos, ingressou no curso de Psicologia na Universidade de Caxias do Sul (UCS). O início foi complicado, pois o curso era diurno e não tinha transporte, então, ia de carro e aproveitava um só dia para cursar três disciplinas. “Foi um desafio: sendo mãe de família, tinha que dar conta de toda a casa, das filhas, marido e mais o trabalho; pais já com idade, sogros também, precisavam de atenção. Foi uma luta bem grande ter conseguido me formar”, frisa. 

A vontade de estudar psicologia, que vinha desde à adolescência segundo ela, se fortaleceu nos atendimentos que realizava no Salão: “Vinham muitas clientes, e não era só para cortar o cabelo, tingir, ou fazer uma mudança radical.Eu percebia que tinham alguma necessidade de falar, contar, pedir opiniões. E eu sempre fui de conversar bastante com cada uma e percebia que saiam felizes do salão, não só com autoestima, mas bem internamente, e eu queria compreender isso tudo, como acontecia essa transformação interna. Então, busquei isso!”, coloca. 

Nos nove anos em que precisou conciliar diversas atividades, foram muitas madrugadas estudando, dias em que acordava mais cedo, porque ela não quis deixar os outros afazeres de lado. Mesmo assim, em muitos finais de semana em que havia festas e compromissos, ela precisou dedicar-se aos estudos. Mas sempre teve o apoio do marido e das filhas, que a incentivavam bastante e a respeitavam. 

Na época da faculdade, a filha mais velha, Jéssica, estava na adolescência, e a Jacinta era uma criança, e ver a mãe estudando, para elas, sem dúvidas foi um incentivo. “Até hoje eu brinco com a Jacinta, que hoje tem 19 anos e está fazendo psicologia na UFRGS, porque eu estudava na mesa da cozinha. Diferente delas, eu não tinha uma escrivaninha no meu quarto. E ela passava correndo pelo corredor e dizia: ‘mas é muito engraçado ver minha mãe fazendo tema!’; e ela parava e ria, corria para frente e para trás. Acredito que para elas foi muito importante, estudávamos juntas.”, recorda. A bagagem e experiência que ela adquiriu ao longo de sua vida foram primordiais na faculdade e em disciplinas como “Psicologia da Infância e Adolescência”, ela já tinha vivido a prática com suas filhas, então, apenas aliou à teoria. Além disso, ela comenta que a realização do curso a ajudou internamente a enxergar a vida de outros ângulos, a compreender as pessoas, situações e comportamentos de uma forma muito melhor. 

Dalvanice Psicóloga 

No dia 9 de fevereiro deste ano, Dalvanice formou-se, conquistou o diploma que tanto sonhou. O dia da formatura foi muito emocionante, principalmente quando foi ao encontro de seu marido e suas filhas. “A alegria transbordou imensamente, eu não me contive, chorei muito. Consegui me formar sabendo de toda a trajetória que eu percorri”, diz. 

Em maio, Dalvanice começou a atender os primeiros pacientes em Veranópolis, na Clínica Nossa Senhora de Lourdes. Adaptar a rotina de cabelereira e psicóloga, para ela, foi tranquilo. “Pensei assim: como eu saia para estudar, agora vou sair para atuar em psicologia. Então, determinei um dia da semana, quarta-feira, para atender. E no salão, eu continuo nos outros dias. Por enquanto está assim; caso eu precisar atender mais dias, é só eu organizar os horários que dá certo”, relata. 

Hoje, Dalvanice sente-se completa e realizada, pois faz as duas coisas que ama. No início do curso, ela até pensou que quando se formasse largaria o salão, mas, seria algo muito difícil, como ela mesmo diz: “eu também amo muito ser cabelereira. Uma profissão me completa de um lado e a outra de outro”. 

Ao analisar toda a sua trajetória e a importância de acreditar na realização dos sonhos, ela aconselha as pessoas a irem em busca de seus ideais: “nunca deixe o teu sonho na gavetinha, puxe-o para fora, vá trás, lute para conquistá-lo, nunca é tarde para isso!”.