Ponte do Rio das Antas: Prefeitura e empresa responsável explicam deslocamento da estrutura após cheia

Reunião entre Prefeitura e JB Engenharia detalhou as causas do deslocamento da estrutura, apresentou dados técnicos e explicou os próximos passos para o reparo da ponte.

A Prefeitura de Cotiporã realizou, nesta segunda-feira, uma reunião com o prefeito José Carlos Breda, a equipe de Engenharia do município e representantes da JB Engenharia, empresa responsável pelo projeto e execução da nova ponte sobre o Rio das Antas. O encontro, transmitido ao vivo pelas redes sociais, teve como objetivo esclarecer as causas do deslocamento de parte da estrutura após as fortes chuvas registradas no fim de julho.

Na sexta-feira, 24 de julho, depois de a ponte voltar a ficar visível após permanecer cerca de três dias submersa devido à elevação do nível do rio, foi identificado um aparente deslocamento em uma das placas de concreto que compõem o tabuleiro da estrutura.
Durante o encontro, o prefeito José Carlos Breda destacou a importância do diálogo com a Prefeitura de Bento Gonçalves, município vizinho a Cotiporã, e lembrou dos eventos climáticos que a cidade enfrentou de grande impacto. Segundo ele, as maiores enchentes ocorreram em 1941, 1956, 2024 e, agora, no episódio registrado na última semana.

Breda ressaltou que todas as obras públicas são executadas com base em critérios técnicos e científicos e que os prejuízos registrados decorrem, principalmente, da intensidade dos eventos climáticos extremos.
Em setembro de 2023, ainda na administração do então prefeito Ivelton Mateus Zardo, o município destinou R$ 1 milhão de recursos próprios, além de R$ 10 milhões provenientes da Defesa Civil Nacional, para a reconstrução da ponte. Os recursos foram solicitados após o colapso da antiga estrutura.

Na época, a equipe de Engenharia da Prefeitura contratou uma empresa para realizar estudos hidrológicos nos rios Carreiro e das Antas. Em relação ao Rio das Antas, o laudo apontava danos acumulados ao longo dos anos, mas não indicava comprometimento estrutural que justificasse a liberação de recursos para reconstrução.

Segundo a arquiteta da Prefeitura, Thaís Taffarel, o pedido acabou não sendo aprovado porque a ponte ainda não era considerada perdida ou necessitando de reforma. No entanto, em maio de 2024, durante as enchentes históricas, a estrutura acabou colapsando.
Após a destruição da ponte, a Defesa Civil liberou R$ 4 milhões para sua reconstrução. Conforme a equipe de Engenharia, dois pilares apresentavam comprometimento estrutural e precisaram ser demolidos. A obra foi executada seguindo os critérios estabelecidos pela Defesa Civil e a nova ponte foi inaugurada em 28 de dezembro de 2024.

Por que a ponte se deslocou?

Durante a reunião, a JB Engenharia informou que o dano estrutural corresponde a aproximadamente 5% da estrutura, sendo registrado apenas o deslocamento de um dos tabuleiros da ponte.
Segundo a empresa, a obra suportou o evento climático extremo e, neste momento, é necessário aguardar a redução do nível do rio para uma avaliação completa da estrutura.
O prefeito também apresentou dados históricos sobre a vazão do Rio das Antas:
1941: 12 mil m³/s;
Abril de 1956: 11 mil m³/s;
Setembro de 2023: 14,5 mil m³/s;
Novembro de 2023: 12,2 mil m³/s;
Maio de 2024: 16,5 mil m³/s (maior volume registrado);
13 de maio de 2024: cerca de 10,8 mil m³/s, quando a antiga ponte cedeu;
Julho de 2026: aproximadamente 9,5 mil m³/s.

O engenheiro da JB Engenharia, Jeferson Dalbelo, afirmou que a ponte apresentou um comportamento técnico considerado positivo. “Diante de todo o esforço que ela sofreu, apenas deslocou um módulo”, afirmou.
Segundo ele, trata-se de um dano corrigível. O próximo passo será mensurar a extensão do deslocamento para definir o plano de recuperação da estrutura.

Dalbelo também reforçou que a velocidade máxima permitida sobre a ponte é de 40 km/h. “Veículos de carga passando a 60 ou 80 km/h provocam degradação da estrutura”, destacou.

 

A ponte poderia ter sido construída mais alta?

De acordo com a arquiteta Thaís Taffarel, durante o processo de contratação e aprovação dos recursos federais não era permitida qualquer alteração significativa no projeto original.
Ela explicou que elevar a ponte em cerca de dois metros não garantiria que a estrutura deixasse de ser submersa, pois o estudo hidrológico realizado em 2023 indicava uma cota máxima de inundação de 18 metros, índice que foi superado em 2024, quando a cheia ultrapassou 23 metros.
Além disso, durante a enchente registrada em 2026, o nível do rio permaneceu acima dos 15 metros durante seis dias consecutivos.
Segundo o engenheiro, será necessário elaborar um novo estudo hidrológico para reavaliar as cotas de inundação e definir futuras soluções técnicas. “É preciso um estudo novo, conforme o desenvolvimento de soluções técnicas”, afirmou.
A equipe de Engenharia da Prefeitura informou que, assim que o laudo técnico for concluído, será formalizada a contratação da empresa para executar os reparos necessários na estrutura. O processo, segundo o município, exige etapas técnicas e administrativas antes do início das intervenções.

 

Foto: Prefeitura de Cotiporã

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