Sinos, a ‘voz do Lajeadinho’

Texto de Romulo Bernardi

Ao ler a crônica Os sinos da Igreja dentro de mim, de Fabrício Carpinejar, veio-me à lembrança os tempos de infância na querida Lajeadinho, interior de Veranópolis. 
Não querendo plagiar o renomado escritor, quando escreve que “os sinos do alto da torre eram as redes sociais da época”, um filme me traz presente o badalar dos sinos do velho campanário de madeira construído pelos primeiros imigrantes italianos que aportaram ao povoado de Lajeadinho, no final da década de 1800. Sinos que foram trazidos da velha Europa e que ainda hoje badalam no clarear do dia, ao meio dia e no cair da tarde.
Nos finais de semana, tocam convidando para a missa. 
No passado, os sinos tinham outras funções. Eram a  “voz do Lajeadinho”. Anunciavam festas, com toque mais prolongado e ritmado.
Quando falecia um integrante da comunidade, era comunicado ao encarregado para que tocasse anunciando. Pelo toque, todos sabiam se era homem, mulher ou criança. Havia uma senha na modalidade dos toques e no tamanho dos três sinos. Da mesma forma, ao sair da igreja, após as cerimônias das  exéquias, cantadas em latim e melodia gregoriana por um pequeno coral formado por Guerino Batagello, João Bavaresco, Humberto Bernardi, Virginio Sinigaglia, Antônio Feltraco e Ângelo Feltraco, o badalar   cadenciado do toque fúnebre estendia-se durante todo o percurso até o campo santo localizado ao lado da igreja, onde aconteceria o sepultamento, na maioria das vezes em valas profundas.
Das minhas primeiras lembranças de criança, guardo que acompanhei meu avô, que teve a incumbência de levar um pedido para que o marceneiro Luiz Bim fizesse o caixão para um morador, já que na época não havia na região fábrica de urnas funerárias.
Já, em dias de festas, os visitantes encantados só entravam na igreja para a missa festiva após o término do toque executado com maestria pelos irmãos Erone, Luiz e José Polesello.
Lembro do saudoso fotógrafo Eligio Parise, com seu gravador pendurado no peito gravando o toque e, por ocasião da 1ª Festa da Maçã, turistas pedindo para ouvir o toque no meio da tarde, antes do regresso.
Acompanhando a evolução tecnológica, a comunidade aderiu ao toque eletrônico,  aumentando a estrutura de concreto e aço que sustenta os sinos e levando para muito além do espaço geográfico da comunidade o toque que identifica suas atividades.