Santa Maria e Canela recebem projeto de cinoterapia da Polícia Penal em parceria com as Apaes

Cães terapeutas atuam com crianças com TEA e deficiências nas Apaes dos dois municípios, promovendo desenvolvimento emocional, social e motor por meio da Terapia Facilitada por Cães.

Atividades estimulam o desenvolvimento emocional, social e motor de crianças com TEA e deficiências intelectuais e múltiplas
Os cães da Polícia Penal não se destacam apenas na atuação em procedimentos operacionais (como a detecção de narcóticos, armas e munições) e na busca e captura de foragidos, mas também na parte social, por meio da cinoterapia. Por meio de parcerias firmadas com as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) dos municípios de Santa Maria e Canela, os canis da 2ª e da 7ª Regiões Penitenciárias realizam ações de Terapia Facilitada por Cães (TFC) com crianças atendidas pelas instituições.
As Apaes atendem crianças, adolescentes e adultos com deficiência intelectual, múltipla e transtorno do espectro autista (TEA), oferecendo serviços gratuitos nas áreas de saúde, educação e assistência social, como estimulação precoce, terapias e escolas especiais. As intervenções com cães, realizadas uma vez por semana nas instituições, utilizam animais treinados para atuar como facilitadores.
De acordo com a psicóloga da Apae de Canela, Thais Reis, o trabalho de cinoterapia promove a redução da ansiedade e de comportamentos estereotipados, melhora a interação social e a comunicação, além de diminuir o medo e favorecer a formação de vínculos afetivos. “É um momento em que a criança se sente aceita, respeitada e estimulada, criando vínculos e vivenciando experiências emocionais que geram benefícios permanentes e duradouros”, afirmou.
Cães terapeutas da Polícia Penal
Para atuar como cão de trabalho ou cão terapeuta, a personalidade e o temperamento do animal desempenham papel fundamental. Ao chegarem aos canis, os cães passam por testes de avaliação comportamental que identificam sua disposição e suas aptidões. Aqueles que apresentam os impulsos necessários são treinados para o trabalho operacional, como intervenções ou atividades de detecção.
Cães com perfil mais dócil e paciente são direcionados para a cinoterapia, geralmente das raças Golden Retriever e Border Collie. São animais que apresentam facilidade para lidar com diferentes ambientes, pessoas e situações, sem que isso represente um fator de estresse.
O policial penal que atua no Canil da 7ª Região, Juliano Sousa, ressaltou que os primeiros 30 dias do cão no canil são conhecidos como “janela social”. Nesse período, o animal mantém contato com crianças, adultos e pessoas idosas, além de conviver com gatos e outros cães. “Apresentamos diferentes estímulos para avaliar a resposta do animal. Trabalhamos a obediência aliada à exposição a ambientes mais próximos da realidade que ele vai encontrar”, destacou.
Stark
Na 7ª Delegacia Penitenciária Regional (DPR), o Golden Retriever Stark, que completará dois anos em abril, integra o canil regional. O cão foi recebido com quatro meses de idade, a partir de doação realizada por um criadouro do município de Campo Bom, por meio de projeto apresentado pelo canil da Polícia Penal. Stark participa dos atendimentos de cerca de seis crianças por dia, todas as quartas-feiras, na Apae de Canela.
O Golden Retriever Stark apresenta facilidade para lidar com diferentes ambientes, pessoas e situações – Foto: Rafa Marin/Ascom SSPS
Na mesma instituição, Stark também participa de atividades no Grupo de Convivência, interagindo com idosos assistidos que frequentam a Associação. Já na Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Especial Rodolfo Schlieper, que fica localizada ao lado da Apae, o cão terapeuta realiza interações com as crianças na hora do recreio, promovendo momentos de afeto e socialização.
Galega e Duti
O Canil da 2ª DPR, localizado em Santa Maria, conta com a Galega, uma Golden Retriever de sete anos, e o Duti, um filhote de Border Collie de sete meses que está em processo de treinamento. Os cães participam de um projeto de cinoterapia junto à Apae do município, todas as terças-feiras, à tarde.
De acordo com a policial penal que atua no Canil da 2ª Região, Maria Clailta, os cinotécnicos se reúnem mensalmente com a equipe multidisciplinar da Apae para planejar as atividades que serão desenvolvidas nos encontros. Dessa forma, os cães são treinados previamente para atuar como facilitadores no desenvolvimento das ações propostas.
“Diferentemente de uma simples visita recreativa, estas atividades são planejadas com objetivos terapêuticos específicos. O cão atua como um motivador que impulsiona o desenvolvimento motor e a comunicação, estimulando a fala por meio de comandos e da interação. Além disso, o contato físico reduz o estresse e gera acolhimento, facilitando a criação de vínculos e o desenvolvimento da autonomia das crianças”, afirmou Clailta.
Na Apae de Santa Maria, por meio do projeto Cães com Amor, o atendimento de TFC é realizado em grupos, que permanecem cerca de um ano participando das atividades com os animais. Quando as crianças já conseguem desenvolver as propostas sem o auxílio dos cães, ocorre a formatura do grupo e a abertura de novas turmas. A última formatura aconteceu em 24 de fevereiro e contou com a presença da Galega e do Duti.
“É um projeto lindo que contribui muito para o desenvolvimento das crianças, principalmente na parte sensorial. E eu só tenho que agradecer a todos pela oportunidade e pela ajuda”, enfatizou Bruna Rocha Oliveira dos Santos, mãe de João Antônio, aluno da Apae de Santa Maria.
Ragnar
Ragnar, um Border Collie de três anos e meio, destaca-se no trabalho de cinoterapia em escolas e eventos – Foto: João Pedro Rodrigues/Secom
No canil da 8ª DPR, o cão Ragnar, de três anos e meio, da raça Border Collie, já executou atividades na Apae de Santa Cruz do Sul e, atualmente, destaca-se no trabalho de cinoterapia em escolas e eventos, especialmente com crianças com TEA.
Segundo o coordenador do Canil da 8ª DPR, Diogo Blazak, no início dos treinamentos, Ragnar não apresentava um impulso determinante para o faro, porém absorvia pressão externa com muita facilidade. “Passamos a trabalhar isso e simular toques e situações que poderiam ocorrer durante as sessões de cinoterapia, o que o tornou apto para o trabalho.”
O cão terapeuta participa do projeto da 8ª Região Uma História Boa para Cachorro, um dos quatro realizados pelo canil. A iniciativa já atendeu mais de 6 mil crianças, por meio de atividades lúdicas, reforçando temas como valores familiares, enfrentamento ao racismo e ao bullying, prevenção ao uso de drogas e incentivo à educação.
Texto: Lucille Soares/Ascom Polícia Penal
Edição: Camila Cargnelutti/Secom

Fonte:: Radio Ativa

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