Cientistas desenvolvem bactéria que pode ajudar a destruir tumores de dentro para fora

Pesquisa no Canadá estuda microrganismo capaz de se multiplicar no interior de tumores e auxiliar no combate ao câncer

Pesquisadores da Universidade de Waterloo, no Canadá, estão estudando uma nova abordagem para o tratamento do câncer: o uso de uma bactéria modificada em laboratório capaz de atuar no interior de tumores sólidos.

A pesquisa se baseia em uma característica comum de muitos tumores: a baixa presença de oxigênio em seu interior. Esse ambiente acaba sendo favorável para o crescimento de determinados tipos de bactérias, que conseguem sobreviver justamente em locais com pouco ou nenhum oxigênio.

O estudo utiliza a bactéria Clostridium sporogenes, normalmente encontrada no solo. Segundo os cientistas, quando os esporos desse microrganismo entram no tumor, encontram nutrientes e começam a se multiplicar, ocupando o espaço interno da estrutura.

De acordo com Marc Aucoin, professor de engenharia química da Universidade de Waterloo, o ambiente interno do tumor oferece condições ideais para o crescimento da bactéria.

O esporo entra no tumor e encontra um ambiente com muitos nutrientes e sem oxigênio, que é o que esse organismo prefere. Então ele começa a consumir esses nutrientes e crescer”, explicou o pesquisador.

Durante os testes, os cientistas perceberam que a bactéria atua principalmente no centro do tumor, mas encontra dificuldades ao chegar às regiões externas, onde há presença de oxigênio.

Para tentar superar esse limite, os pesquisadores introduziram na bactéria um gene de outro microrganismo capaz de tolerar melhor o oxigênio. Dessa forma, a expectativa é que o microrganismo permaneça ativo por mais tempo dentro do tumor.

Os cientistas também desenvolveram um sistema de controle baseado em um mecanismo natural chamado “quorum sensing”, que permite ativar o gene de resistência ao oxigênio apenas quando há grande quantidade de bactérias no tumor. Isso ajuda a evitar que o microrganismo se espalhe para outras partes do corpo antes do momento adequado.

Agora, os pesquisadores trabalham para combinar as modificações genéticas e avançar para testes pré-clínicos, etapa que ocorre antes de estudos com pacientes.

Os cientistas ressaltam que a técnica ainda está em fase de pesquisa e deverá passar por várias etapas de avaliação antes de ser aplicada em tratamentos médicos.

Fonte: Só Notícia Boa.

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