A Polícia Civil, por meio da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, com o apoio da Polícia Civil do Estado de São Paulo, na manhã desta quarta-feira desarticulou uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias de alta sofisticação, extorsão e lavagem de dinheiro através de criptomoedas.
Com apoio da Polícia Civil paulista, os agentes cumpriram seis mandados de busca e apreensão e três ordens de prisão temporária na cidade de São Paulo. A ofensiva é o resultado de uma investigação minuciosa em que a vítima foi mantida sob manipulação contínua durante duas semanas, culminando em um prejuízo de aproximadamente R$ 300 mil.
Engrenagem do golpe
Segundo a polícia civil, a investida criminosa teve início no final de abril, quando os estelionatários contataram a vítima se passando falsamente por agentes de segurança e operadores de grandes instituições financeiras. Utilizando táticas agressivas de engenharia social para simular um falso cenário de risco, os suspeitos mantiveram a vítima sob engodo e pressão constante por cerca de 14 dias.
O esquema, que começou como uma fraude eletrônica corporativa, rapidamente evoluiu para extorsão velada, induzindo a vítima a validar sucessivas transferências até a retirada total dos valores.
Estrutura empresarial
A investigação revelou que o grupo operava sob uma divisão rígida de tarefas, funcionando como uma verdadeira estrutura empresarial do crime:
Núcleo operacional: responsável pela abordagem direta, manipulação psicológica da vítima, criação das narrativas falsas e condução da extorsão via chamadas telefônicas.
Núcleo financeiro: formado por uma malha de contas de pessoas físicas e jurídicas (“laranjas”), encarregado de pulverizar e fracionar o montante em poucos segundos (smurfing) para impedir o rastreamento imediato e evitar bloqueios bancários.
Blindagem em blockchain e fuga de capital: o diferencial técnico do grupo — e um dos focos centrais da investigação — revelou-se na fase de dissimulação do dinheiro. O levantamento financeiro apontou que cerca de R$ 46 mil do valor subtraído foram convertidos quase instantaneamente na compra de criptomoedas de alta liquidez, como Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH).
Como tática para cortar o rastro das autoridades e desvincular o capital dos cadastros de identificação bancária (KYC), parte desses criptoativos foi transferida para carteiras digitais privadas (wallets não custodiadas) e contas no exterior. A estratégia visava criar uma “blindagem patrimonial” insensível aos sistemas tradicionais de bloqueio judicial do Banco Central.

Cerco fechado e prisões
A partir da identificação dos autores, foram solicitadas cautelares de prisão, mandados de busca e apreensão e bloqueios de contas bancárias. Os investigados presos na capital paulista responderão por estelionato qualificado, extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
De acordo com a Delegada Luciane Bertoletti, o material apreendido durante as buscas nesta manhã será submetido a perícia técnica e o montante bloqueado, assim como a motocicleta apreendida servirá para futura recuperação dos ativos da vítima.
“Não basta prender: é preciso tirar do crime o que sustenta o crime. Golpe digital hoje é crime organizado com estrutura empresarial e blindagem em criptoativos. A Polícia Civil está atenta a essas novas modalidades e responde com rastreamento de ativos, cooperação interestadual e asfixia financeira”, esclareceu o Diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana, Delegado Cristiano Reschke.
Fonte: Jornal Semanário