Dias frios, datas comemorativas e feriados impulsionam a venda de malhas na Serra

A sequência de dias frios ao longo do último mês, aliada à reabertura das atividades econômicas, tornam o início da

A sequência de dias frios ao longo do último mês, aliada à reabertura das atividades econômicas, tornam o início da temporada de outono/inverno animadora para o setor malheiro na Serra. Depois de um 2020 em que as vendas foram fortemente impactadas pela pandemia, para este ano a expectativa é ratificar o crescimento nas vendas. Isso porque, apesar da continuidade da covid-19, a mobilidade está maior, o que atrai clientes de diversas regiões gaúchas e também de outros Estados.

Um bom termômetro para a região é o Centro de Compras Farroupilha, que concentra 107 lojas. Com cerca de 80 vendedores de malhas, o shopping tem tido uma movimentação acentuada no mês de maio. 

— Acreditamos que, por estar em pandemia, está acima do esperado. O que a gente tem visto de lojistas é um faturamento próximo a 2018, que foi um ano bom — comenta o administrador do empreendimento, Paulo Scariot, ao explicar que, além da pandemia em 2020, o ano anterior também foi prejudicado por causa da queda da barreira que trancou a RS-122, entre Farroupilha e a Região Metropolitana de Porto Alegre, de onde chega a grande parte dos consumidores. 

Uma das lojas instaladas no Centro de Compras Farroupilha é a Malhas Arcari, que produz e vende as peças no atacado e, também, no varejo. A proprietária da empresa, Jomara Arcari, revela que tem percebido uma procura alta de turistas que se hospedam na Região das Hortênsias, devido aos pacotes mais baratos nos hotéis, e que essas pessoas acabam se deslocando para Farroupilha a fim de comprar malhas. 

O maior volume de vendas na loja, conta ela, é de moradores de Porto Alegre e também da Serra, mas outro indicativo de aumento da mobilidade é a presença de clientes dos estados do  Paraná e de Santa Catarina.

— Está acima das expectativas. Ficamos o mês de março fechados. Abril já começou o movimento e maio deu uma reagida bem significativa. Nós, do Centro de Compras, estamos admirados, porque as pessoas querem sair e consumir — comenta Jomara.

As temperaturas mais frias próximo às datas comemorativas, como Dia das Mães e Dia dos Namorados, além dos feriados como esse de Corpus Christi, também se refletem na maior comercialização. Isso porque o vestuário está entre os presentes mais procurados, ao mesmo tempo em que os turistas procuram mais a Serra para passar os dias de folga.

As boas perspectivas do setor também influenciam na criação de empregos. Tem empresa que teve de ampliar o quadro de funcionários para atender a demanda. É o caso da Ballardin Malhas, que fez 13 contratações – atualmente, o quadro é de cerca de 50 funcionários. A empresa, que também vende para o atacado e varejo com uma loja em Caxias e, outra no Centro de Compras Farroupilha, está otimista para esta temporada.

— Antes, existia um medo maior de investir em um guarda roupas novo, investir na aparência, porque não tinha onde ir, então as pessoas tinham muito receio para gastar. Esse ano está diferente. A gente acredita que via ter um crescimento de 30% em comparação com o ano passado — diz a diretora da malharia, Adriele Daniel.

“O importante é poder abrir”, diz presidente da Acecors

O presidente da Associação dos Centros de Compras da Serra Gaúcha (Acecors), Paulo Dalsochio, explica que, mesmo com a retomada, a pandemia ainda tem um impacto no comportamento do consumidor. Segundo ele, os guias têm chegado com um número menor de clientes por viagem e também há casos em que o consumidor encomenda pela internet para que o lojista entregue ao guia. 

— Alguns clientes não vêm por medo da covid-19 e, outros, porque fecharam em definitivo suas atividades — afirma Dalsochio.

A expectativa dele é que, se houver continuidade do frio e a conjuntura sanitária não levar a um novo fechamento das atividades econômicas, as vendas do setor devem superar as do ano passado. No entanto, ele não acredita que a comercialização deva se igualar ao período anterior a pandemia.

— O mais importante para isso acontecer é que possamos abrir e continuar trabalhando, não só na nossa região e, sim, todo o comércio dos Estados do RS, SC e PR, pois os clientes que aqui compram precisam trabalhar para vender — comenta.

Fonte: GZH