Economia gaúcha reage, e PIB do RS cresce 5,5% no primeiro trimestre de 2021

Após enfrentar prejuízos causados pela estiagem e pela súbita paralisação das atividades provocada pela chegada da pandemia, no início do ano passado, a

Após enfrentar prejuízos causados pela estiagem e pela súbita paralisação das atividades provocada pela chegada da pandemia, no início do ano passado, a economia gaúcha reagiu em 2021.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul registrou crescimento de 5,5% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2020. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (10) pela Secretaria Estadual de Planejamento, Governança e Gestão.

O desempenho é cinco vezes superior ao da economia nacional, cujo incremento no PIB no mesmo intervalo de tempo foi de 1%. A comparação com os três últimos meses de 2020 também mostra forte alta, com avanço de 4% no Estado, ante 1,2% no país. Os dados foram calculados pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE).  

Esse avanço sobre uma retomada do crescimento já registrada no final do ano passado teve sustentação principalmente na performance da agropecuária (+35,7%) e da indústria (+3,8%) na comparação com último trimestre de 2020. Em contrapartida, o setor de serviço ficou praticamente estagnado, com aumento de 0,4% em relação ao último trimestre.  

Na comparação sazonal, com o primeiro trimestre de 2020, a recuperação gaúcha se deu graças sobretudo à agropecuária, cujo crescimento foi de 42,2% em relação aos três primeiros meses do ano passado. O resultado também tem conotações superlativas em razão da base de comparação ser muito baixa, fruto do encolhimento de 3,5% no PIB do RS no mesmo período de 2020.  

— Em 2020, tivemos o impacto da estiagem no primeiro trimestre e, a partir de março, a pandemia afetou todos os setores de forma muito intensa. A sequência de três altas seguidas do PIB na comparação com os trimestres anteriores demonstra uma tendência de recuperação efetiva da atividade econômica no RS — afirma a coordenadora da Divisão de Análise Econômica do DEE, Vanessa Sulzbach. 

O secretário de Planejamento, Cláudio Gastal, diz que o avanço já era esperado e deve continuar ao longo do semestre. Porém, alerta para a necessidade de se acompanhar toda a trajetória de recuperação da economia, e não apenas o comportamento recente. Além disso, manifesta receio com o aumento recente na inflação:

— A fotografia é importante para o momento, mas é bom olharmos o filme inteiro. O segundo trimestre vai continuar numa recuperação bastante forte, mas é preciso consciência de que temos um caminho muito grande a percorrer na volta à estabilização econômica. Também não podemos perder de visão o processo inflacionário no Brasil, que nos preocupa pelo peso no consumo e na poder aquisitivo da população. 

Embora ressalve que o governo não faz projeções, Gastal disse que os investimentos de R$ 5,2 bilhões anunciados na quarta-feira pelo governador Eduardo Leite no programa Avançar, com obras viárias e concessão de estradas, devem ter reflexo na economia do Estado. 

O secretário também antecipou que o Palácio Piratini deve anunciar em 20 dias um programa similar voltado à produção primária, com desoneração, incentivo à pesquisa e investimentos em irrigação como forma de amenizar a dependência que a economia gaúcha tem do clima, em função dos reflexos da estiagem na agropecuária.

Desempenho por setor 

Agropecuária 

O campo foi mais uma vez protagonista no cálculo do PIB. Na comparação com o mesmo trimestre de 2020, a agropecuária apresentou crescimento de 42,2%. Afetadas pela escassez de chuva em 2020, este ano as lavouras exibiram uma produção maior, com aumento de 74% na cultura da soja, 20,6% no fumo e 5,2% no milho. O arroz teve leve queda de 0,8% e a uva cresceu 29,2%.  

Indústria 

A indústria também exibiu musculatura na recuperação do PIB gaúcho, com crescimento de 10,5% em relação ao primeiro trimestre de 2020. O incremento foi três vezes superior ao registrado no segmento em todo o país, cujo avanço ficou em 3%. O principal destaque do setor é a produção de máquinas e implementos, com aumento de 55,9%. Também cresceram a produção de artefatos de metal (33,8%), fumo (29%) e móveis (22,5%). Houve queda na produção de derivados de petróleo (-6,7%), veículos (-5,2%) e alimentação (-1,3%). 

Serviços 

Responsável pela pior performance na comparação com o primeiro trimestre de 2020, o setor de serviços teve queda de 2,4% neste começo de 2021, com desempenho inclusive pior que o registrado no país (-0,8%). A performance foi reflexo da piora na atividade dos chamados demais serviços (-5,9%) e do comércio (-2%). Em compensação, houve aumento nas operações dos serviços de informação (+2,9%), nas atividades imobiliárias (+1,8%) e no setor de intermediação financeira e de seguros (+1,6%). 

Comércio 

Embora em menor grau, o comércio também recuou no começo de 2021. O setor apresentou queda geral de 2%, em contraste com um crescimento nacional de 3,5%. As perdas foram maiores no segmento de livros, jornais, revistas e papelaria (-51,1%), equipamentos para escritório (-33,7%) e combustíveis (-22,3%). Houve ainda diminuição nos resultados do supermercados (-6,9%). Os destaques positivos foram na venda de material de construção (+24,3%) e artigos farmacêuticos e médicos (18,8%).  

Fonte: GZH