Cai ritmo de aplicação da primeira dose de vacinas contra covid-19 em abril no RS

Em vez de seguir avançando, a média diária de aplicações da primeira dose de vacinas contra o coronavírus caiu 18% em abril na

Em vez de seguir avançando, a média diária de aplicações da primeira dose de vacinas contra o coronavírus caiu 18% em abril na comparação com o mês anterior no Rio Grande do Sul. 

A necessidade de destinar frações crescentes das remessas federais para a injeção de reforço e a quantidade limitada de imunizantes para compensar essa divisão acabaram freando a expansão da campanha contra a covid-19 no Estado. Apesar disso, o crescimento na oferta da segunda dose compensou esse recuo e elevou a média total de pessoas atendidas no Estado em 22%.

Segundo os dados disponíveis até o meio-dia desta quinta-feira (6) no painel de imunização da Secretaria Estadual da Saúde (SES), em março foram oferecidas, em média, 32,6 mil primeiras doses a cada dia. Em abril, esse número baixou para 26,8 mil. Alguns registros de vacinação ainda podem ser inseridos retroativamente pelos municípios no site que monitora a campanha, mas dificilmente alterariam o quadro geral.

O andamento acelerado das aplicações iniciais é importante porque, em casos como os dos produtos da Pfizer e da AstraZeneca, já conferem proteção significativa contra o vírus. Além disso, o avanço dessas aplicações permitiria progredir mais rapidamente para os grupos seguintes na fila da imunização. 

— A perda de ritmo é um problema, já que queremos uma velocidade que vá sempre aumentando. Com certeza isso ocorreu pela (pouca) oferta de vacinas, da mesma forma como agora vai ser outro problema não termos o suficiente para as segundas doses da CoronaVac. Isso deverá diminuir o ritmo de vacinação da segunda dose também. Se tivéssemos mais produtos, conseguiríamos avançar rapidamente — analisa o presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBIm), Juarez Cunha.

Uma das explicações para a perda de fôlego nas aplicações de primeira dose é que uma fatia crescente das novas remessas enviadas pelo Ministério da Saúde tem de ser destinada às injeções de reforço — já que o governo federal, em março, recomendou que Estados e municípios deixassem de reservar metade de cada lote para completar o esquema vacinal. No final de abril, foi retomada a orientação de preservar metade das cargas para completar o esquema de imunização.

Como resultado, essas reviravoltas diminuíram o número de frascos disponíveis para a primeira aplicação neste momento e reverteram uma tendência de forte aumento verificada no mês anterior. De fevereiro para março, a média diária de injeções com a primeira dose havia quase triplicado em solo gaúcho — disparou de 11,3 mil para 32,6 mil. 

Em abril, com o recuo na oferta inicial de vacinas, foram as aplicações complementares que deram um salto: a média de 7,2 mil ao dia, registrada em março, chegou a 21,7 mil no mês seguinte. Graças a isso, apesar do decréscimo na oferta das primeiras doses, em abril a média total de imunizantes inoculados ao dia no Rio Grande do Sul cresceu 22% e atingiu média de 48,6 mil. 

Esse é outro indicador de que a quantidade de frascos disponíveis, e não a capacidade de distribuição ou de aplicação, limita a expansão da campanha contra a covid-19 no Estado. Em 20 de abril, por exemplo, quando as unidades de saúde atingiram sua melhor marca até o momento, chegaram perto de atender 100 mil pessoas em menos de 24 horas: foram 97,5 mil injeções aplicadas em um dia. 

Em ritmo atual, vacinação dos prioritários seria concluída no final de setembro

Mantido o ritmo de vacinação verificado em abril, os 5,2 milhões de integrantes dos grupos prioritários no Rio Grande do Sul seriam contemplados com as duas doses que completam o esquema vacinal até o final de setembro. Se for considerada apenas a primeira aplicação, utilizada como parâmetro para avançar a campanha para os grupos seguintes na fila da imunização, essa população seria atendida até 20 de agosto. 

A projeção, que leva em conta apenas a média diária de vacinação, sem os intervalos necessários entre as doses e que podem chegar a três meses, no caso da Astrazeneca ou da Pfizer (por orientação do Ministério da Saúde, contrariando previsão de 21 dias do laboratório), é cerca de um mês mais breve do que uma estimativa anterior calculada por GZH com base nos dados disponíveis apenas nos primeiros 10 dias de abril — que apontava para a conclusão do esquema com duas injeções para o início de novembro. Naquele período, a média diária de pessoas atendidas havia ficado em 39,3 mil. 

Essa antecipação ocorreu porque o avanço na oferta das segundas doses ao longo do mês compensou o recuo no ritmo das doses iniciais. Somadas as duas etapas da campanha, o Estado vacinou 48,6 mil pessoas ao dia em abril, na comparação às 39,9 mil em março. 

Pelos dados disponíveis até esta quinta, 45,6% da população dos grupos prioritários — o que inclui idosos, pessoas com comorbidades e categorias profissionais como trabalhadores da saúde e da segurança — já foi atendida com pelo menos uma aplicação no Estado. O percentual dessa fatia da população contemplada pelo esquema vacinal completo estava em 19,2%.

Fonte: GZH