Entidades de comércio, serviços e gastronomia aprovam novo modelo de gestão da pandemia

Representantes de setores afetados pela crise desencadeada pelo coronavírus, entidades ligadas ao comércio, aos serviços e ao ramo da gastronomia avaliaram

Representantes de setores afetados pela crise desencadeada pelo coronavírus, entidades ligadas ao comércio, aos serviços e ao ramo da gastronomia avaliaram como positiva a proposta do governo do Estado para o novo modelo de gestão da pandemia. A metodologia que substituirá o atual modelo de distanciamento controlado foi apresentada aos empresários pelo governador Eduardo Leite em reunião virtual realizada no sábado (8).

Na prática, o Palácio Piratini acabará com o sistema de bandeiras e deixará de impor restrições de horários para a abertura de atividades econômicas. O governo irá estabelecer protocolos gerais, com normas que terão de ser seguidas obrigatoriamente por toda a população (como uso de máscara, distanciamento mínimo e hábitos de higiene) e protocolos para atividades. 

No caso das atividades, haverá regras obrigatórias e variáveis, que poderão ser ajustadas de acordo com as características de cada região, desde que no mínimo dois terços dos municípios da área compactuem com as medidas. Apesar de dar maior autonomia às regiões, o governo do Estado permanecerá com o poder de alterar os protocolos.

Isso se dará por meio de um instrumento chamado de “três As”. O primeiro é o aviso, emitido quando o grupo de trabalho Saúde detectar uma tendência na região. O segundo é o alerta, quando o GT Saúde identificar uma tendência grave, informando o Gabinete de Crise sobre a necessidade de avaliar a emissão de alerta para a região em questão. O último é a ação, que ocorrerá quando o Gabinete de Crise decidir emitir o alerta. Nesse caso, a região terá 48 horas para informar o cenário e apresentar uma proposta de ações a serem tomadas para enfrentar a adversidade. Se nada for feito, o Estado poderá intervir.

— O Estado não está abrindo mão de fazer seu papel de monitoramento, de fiscalização e de controle, mas estamos desatrelando de fazermos isso com base em fórmulas matemáticas — explicou Leite, durante a apresentação.

Na avaliação do presidente da Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS), Luiz Carlos Bohn, o resultado da videoconferência foi bom.

— Estava mais do que na hora de mudar. Acabam as bandeiras, as limitações de horários, mas isso não significa que deixarão de haver cuidados e não será uma liberação geral. O Estado vai continuar monitorando os dados e terá o sistema dos três As. O governador disse que a resposta será mais rápida do que era até então, o que é ótimo — diz Bohn.

À frente do Sindilojas Porto Alegre, Paulo Kruse concorda:

— Foi um avanço, sem dúvida. Agora é importante que a população entenda que precisa fazer a sua parte. Vai depender muito de cada um de nós para que dê certo, tanto do governo fiscalizar e dos municípios se comprometerem com o novo sistema, quanto das pessoas entenderem que o vírus não terminou. Precisamos manter os cuidados para seguirmos avançando. É tudo o que queremos.

Na mesma linha, a presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) no Estado, Maria Fernanda Tartoni, elogiou o que chamou de “maior abertura ao diálogo” por parte do governo.

— Isso é muito importante e era o que a gente vinha pedindo há bastante tempo. Ainda precisamos entender um pouco melhor quais serão os indicadores usados e como eles vão funcionar, mas acredito que as dúvidas serão sanadas nos próximos dias. Estamos torcendo por uma evolução sem retrocessos — ressalta Maria Fernanda.

O governo informou que todos os segmentos envolvidos no debate poderão enviar sugestões ao novo modelo até a próxima terça-feira (11). Só depois disso ficará mais claro como se dará a aplicação das novas regras. Até que o sistema entre em vigor, no sábado (15), todo o Estado seguirá em bandeira vermelha, sem o sistema de cogestão.

Fonte: GZH