Um homem suspeito de atuar como “contador do tráfico” é o principal alvo da Operação Acerto de Contas, desencadeada em conjunto pela Polícia Civil, Ministério Público Estadual e Receita Estadual na manhã desta quarta-feira (28). O investigado teria criado 150 empresas de fachada e trabalharia para mais de uma facção.
Ele teve a prisão preventiva decretada pela 1ª Vara Estadual de Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro. Outras 11 pessoas terão de colocar tornozeleira eletrônica. No total, são cumpridas 261 ordens judiciais, que incluem ainda bloqueio financeiro de R$ 225 milhões, volume estimado do prejuízo causado pelas fraudes. Na ação foram apreendidos 70 kg de prata, avaliados em cerca de R$ 2,7 milhões.
Interceptações de mensagens entre os investigados, feitas pela Polícia Civil e MP, indicam uso sistemático de intermediários (laranjas) para montar empresas de fachada. A intenção seria praticar sonegação e e até disfarçar lucros das facções. Confira alguns exemplos:
Na Polícia Civil, a investigação é tocada pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes contra Administração Pública (Dercap). No Ministério Público, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), além da Receita Estadual.
Os alvos da operação não são revelados, mas a reportagem apurou que o preso é Vilaz Augusto Winck, que é investigado por estelionato, falsidade ideológica, falsificação de documento público e fraude processual. Ele está com o registro de contador cassado e, conforme policiais, se utiliza de colegas de profissão para continuar atuando.
Winck é apontado como o homem que ajudaria a maquiar os investimentos ilegais de um dos mais conhecidos traficantes gaúchos, Marizan de Freitas, que cumpre pena de 38 anos de reclusão por homicídios e tráfico. Os mandados e medidas judiciais são cumpridos nos municípios de Porto Alegre, Canoas, Dois Irmãos, Igrejinha, Sapiranga, Araricá, Tramandaí, Capão da Canoa, Campo Bom, Gravataí e Guaporé.