Polícia investiga suposto esquema de pirâmide na região
Plataforma prometia transformar R$ 2 mil em R$ 15 mil em 30 dias
O que começou como a promessa de lucro rápido e fácil terminou em prejuízo, frustração e investigação policial. A Polícia Civil de Nova Prata apura um esquema de pirâmide financeira envolvendo a empresa BMB, que pode ter lesado centenas de pessoas na Serra Gaúcha, incluindo moradores de Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa.
O sistema entrou em colapso nesta quarta-feira (4), quando investidores tentaram sacar valores e descobriram que a plataforma havia bloqueado os resgates. O caso ganhou repercussão após entrevista concedida à Rádio Nova Prata pela delegada Liliane Pasternak Krann e pelo escrivão Bruno Vieira, da Delegacia de Polícia do município. Segundo as autoridades, o modelo de funcionamento da BMB apresenta todos os indícios clássicos de pirâmide financeira: promessas de rentabilidade muito acima do mercado, ausência de atividade econômica real e dependência direta do recrutamento de novos participantes.
De acordo com relatos colhidos pela polícia, a empresa prometia multiplicar investimentos de forma rápida. Em um dos casos, um morador de Bento Gonçalves aplicou R$ 2 mil com a promessa de receber R$ 15 mil em apenas 30 dias. Para ter acesso aos chamados “bônus”, os participantes eram obrigados a convidar ao menos quatro novas pessoas para a rede.
Como ocorre em esquemas desse tipo, os primeiros integrantes chegaram a receber pagamentos iniciais, estratégia usada para criar sensação de legitimidade e atrair novos investidores. Jantares, encontros presenciais e postagens em redes sociais com imagens de ostentação eram utilizados como ferramenta de convencimento.
O colapso veio quando os pagamentos previstos para o final de janeiro não foram realizados. A tentativa de saque em massa expôs a fragilidade do sistema, provocando desespero entre os participantes, muitos dos quais afirmam não saber sequer para quem transferiram o dinheiro. Segundo a polícia, os valores eram enviados via PIX para contas de pessoas físicas, o que dificulta o rastreamento inicial. Durante a entrevista, a delegada Liliane Pasternak Krann fez um alerta contundente: quem recrutou novos participantes pode não ser tratado apenas como vítima.
“A maioria das pessoas entrou nessa pirâmide por ganância e não por ingenuidade. Além disso, convidaram mais e mais pessoas para tentar ganhar em cima delas. Essas pessoas que fizeram os convites podem ser consideradas coautoras do crime de estelionato”, afirmou a delegada. A Polícia Civil orienta que todos os lesados procurem a delegacia para registrar ocorrência, munidos de comprovantes de transferências bancárias, contratos — se houver — e prints das conversas mantidas com os responsáveis pelo esquema.
Caso BMB reacende memória da Unick Forex, um dos maiores golpes do RS
O episódio da BMB traz à tona um fantasma ainda recente na Serra Gaúcha: o caso Unick Forex, considerado um dos maiores esquemas de pirâmide financeira já investigados no Rio Grande do Sul e no Brasil. A empresa prometia lucros elevados no mercado de câmbio e criptomoedas e chegou a atrair centenas de milhares de investidores em todo o país.
A Unick Forex foi alvo de operações da Polícia Federal e teve suas atividades suspensas por operar sem autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Estimativas apontam que o esquema movimentou bilhões de reais, deixando um rastro de prejuízo financeiro, ações judiciais e processos criminais que ainda tramitam na Justiça. Assim como no caso atual da BMB, a Unick utilizava forte apelo emocional, discursos de enriquecimento rápido e uma rede agressiva de indicações, características típicas de esquemas Ponzi, nos quais o dinheiro dos novos investidores é usado para pagar os antigos até o colapso inevitável.