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Valentina, o novo talento da música regional

Valentina e seus pais têm a música presente em suas vidas.

O Femaçã Kids, competição musical veranense realizada em abril, durante a X Femaçã, revelou muitos talentos musicais. Um deles, é o de Valentina Ruiz Herrera, que venceu a competição encantando os sete jurados e todo o público com sua voz e performance. Ela recebeu o troféu das mãos de Thomas Machado, campeão do The Voice Kids 2017. 
Com apenas 11 anos, representando a Escola Joana Aimé, Valentina emocionou com a interpretação da música cubana Malagueña, canção que conta ter conhecido durante uma de suas buscas no Youtube. “Uma vez, estava em casa, no Youtube, e eu escutei uma música que achei interessante, então salvei o nome. Disse para o meu professor, Fábio Zago, para cantarmos ela, faz um ano que já a canto. Gosto muito dela porque tem uma expressão diferente, é em espanhol, e os seus falsetes são muito interessantes. ”
Apesar de ter domínio para cantá-la, relata que foi um desafio cantá-la na final: no palco, foi um pouco assustador, pois como é um tom mais agudo eu tenho mais chance de errar”. 

Professor Fábio e família da Valentina 

 

Música, um estilo de vida 

A pergunta que todos devem estar fazendo é como que, com 11 anos, Valentina cantou perfeitamente uma música cubana com inúmeros falsetes. Ela nasceu na Colômbia e vive no Brasil com seus pais, Daisy e Jaime, há seis anos. Graças às suas “duas nacionalidades”, ela canta músicas regionais gaúchas, brasileiras e espanholas. 
Ela vê na música o seu futuro, pois na verdade a música já é o seu presente. Todos os dias Valentina escuta música, e dependendo do seu estado de ânimo, escolhe o repertório. Nos dias em que está agitada, por exemplo, escuta rock, seja ele em inglês, espanhol ou português. Um de seus desejos é dominar o inglês para poder cantar os rocks americanos que escuta.
Ao questionar quais estilos gosta de cantar, sua resposta deixa todos perplexos: Todos! Porém, ela pensa um pouco e diz: Claro, menos funk (risos). Ela faz aulas de canto duas vezes por semana, além de seus inúmeros ensaios em casa. 
“A música é algo que me alimenta a alma! Estou escutando música, está chovendo, ai eu me inspiro para desenhar, fazer as tarefas de casa... Eu consigo me distrair e fazer as coisas ao mesmo tempo. Me imagino seguindo na música ”, com os olhos brilhando, afirma. 
Ela pensa em participar do The Voice Kids, tem em mente até as músicas que cantaria, mas é tudo surpresa!

Valentina com troféu de uma das fases da competição.

 

Amor pela música passa pelas gerações 

A música chegou na vida de Valentina graças a uma banda argentina “Soda Estereo”, que é a favorita de seu pai, Jaime. 
“Sempre gostei dessa banda, então, quando fazia aula de violão no CRAS, pedi ao professor se podíamos cantar a música que eu mais gostava. A original era em espanhol e aqui tinha versão brasileira, “A sua maneira”. O professor viu que eu tinha uma voz legal e começou a ver se eu conseguia cantar Shakira, músicas do Teixeirinha, Chitãozinho e Chororó e assim foi”, coloca. 
Ao ver o talento e maturidade da filha, o pai Jaime se orgulha muito e diz estar feliz por eles terem apoiado ela em sua decisão de focar na música. 
 

Música está no sangue.

"Eu conheço Soda Estéreo porque eu me criei com essa música e sempre escuto; é uma felicidade para mim, a Vale gostar das mesmas bandas que eu gosto”, conta. 
 A mãe, Daisy, gosta de poder proporcionar à filha algo que sonhou em fazer durante sua infância e juventude. 
“Eu gosto muito de música, ela está fazendo o que eu gostaria de ter feito. Muitos pais, não se dão conta que seu filho gosta de uma coisa especifica, não é por mal, simplesmente não percebem. Quando eu vi que a Vale tinha voz e gostava de música, sempre fui a mais incentivadora. Vamos para a aula no sol, chuva, frio e calor, é uma forma de motivá-la. Acho que ela tem chance de ir para a frente, porque a gente apoia, claro que de uma maneira tranquila, sem pressões. Mostramos o caminho e temos os pés no chão, sabemos que não é algo fácil”, diz, Daisy. 
Em relação ao meio da música, os pais de Valentina falam que muitos colombianos veem no Brasil um bom lugar para aprender e construir suas carreiras. Valentina tem a oportunidade de mostrar a cultura colombiana ao Brasil e de aprender cada vez mais a cultura brasileira. Por isso eles continuam lutando junto com a filha pelos seus sonhos. 

 

Adaptação 

Em 27 de agosto de 2012, eles chegaram em Veranópolis. Ao lembrarem daquele dia, salientam a diferença de temperatura, pois  na Colômbia as máximas são de 40-42° e as mínimas 25°. 
“Viemos aqui por acaso, nem sabíamos que existia Veranópolis. Paramos em Porto Alegre e nos trouxeram para cá. Era um dia frio e chuvoso.Primeiramente, paramos na Loja Paludo, com as assistentes sociais que nos acompanharam, para comprar roupas de inverno”, conta, Jaime. A adaptação da família foi tranquila e Jaime explica que por um filho faz o que for preciso.  Depois que vieram para cá, conseguiram fazer uma visita à Colômbia, em 2016. 
“Como pessoa, ao sair do meu país de origem, perdi minha metade, tudo está lá, mas minha prioridade é que Valentina cresça como eu, em uma só cidade, com suas amizades, e que crie uma história de vida”, relata ele. 
Uma das alegrias dos pais é ver Valentina feliz e bem inserida na escola e na sociedade como um todo. Ela se adaptou muito bem. 
“Gosto bastante daqui. Não tenho muita noção de como era na Colômbia, pois eu era pequenininha. Todos os colegas me acolheram, às vezes eu chegava triste, eles me perguntavam o que aconteceu, eles são muito acolhedores. Nunca me senti sozinha”, afirma, Valentina. 
Da mesma forma, Valentina foi acolhida pelo programa Vozes da Terra, comandado por Lírio Soares na Rádio 96.1, que a apresentou pela primeira vez.

 

Sonhar, nunca desistir 

Valentina recebe o apoio dos pais em fazer o que gosta, mas muitas crianças não, por isso, ela deixa uma dica: 
“Nos momentos em que estamos tristes e não somos apoiados precisamos conversar e evitar nos fecharmos e fingir que está tudo bem. Se tu tens um dom, deve falar para os pais que gosta muito de fazer tal coisa e que gostaria de fazer aulas. Ou senão procurar um caminho mais duro e difícil, como por exemplo pesquisar na internet”. 
Desistir não é opção, é preciso lutar pelos sonhos e realizações!