Geral

Agricultura da Serra sofre com os extremos do clima

Não há segredo para manter uma lavoura. É trabalhar a terra com fertilidade e, através de uma boa semeadura, em boa quantidade de chuva e sol, prepara-se para a colheita farta. Mas e quando chove demais na hora errada e não chove nada quando a terra arde com o calor excessivo? Essa é a triste realidade do estado. O grande volume de chuva nos meses de outubro e novembro afetou a polinização das ameixeiras e macieiras, e atrapalhou o pegamento (transformação da flor em fruto) dos parreirais e pessegueiros.

– A cultura mais atingida aqui na região é a uva, tendo maturação forçada apresenta bagas e cachos menores. Além disso, tem o pêssego que apresenta ciclo médio e tardio com calibre menor e maturação acelerada dificultando a comercialização. A maçã tem tido pouca produção de frutos e com calibre pequeno. Tem áreas de milho também atingidas. E com relação ao leite, tem dois fatores importantes, esse período é de aumento de produção por conta da entrada nas pastagens de verão que não está ocorrendo e ainda tem um redução de 10 a 15% por conta do calor – revela a engenheira agrônoma Sandra Maria Dalmina, gerente regional da Emater.

O agricultor Bruno Comachio, que tem seis hectares de uva plantadas em Linha Primeira Secção, Comunidade São Valentim de Santa Tereza, no interior de Bento Gonçalves, está bastante preocupado. Ele estima que deverá perder até 40% da produção, caso permaneça o clima seco e o calor excessivo.

– Na virada do ano até choveu aqui, mas foi pouco. As folhas ainda estão muito secas. E a minha preocupação é de que além da uva não ter crescido como precisava, esse calor forte está secando a parreira, e isso vai nos prejudicar para os próximos anos – resigna-se Bruno Comachio, 23 anos.

O produtor explica ainda, que a seca faz o cacho da uva perder peso e, por isso, não apenas a colheita, mas a qualidade do fruto está prejudicada.

– Quando não tinha de chover, choveu muito. E agora, que precisamos da chuva, ela não vem – reclama.

A região vitícola mais afetada pela falta de chuva é o Vale Aurora, em Bento Gonçalves.

– Já estimávamos uma perda de 20% por causa dos problemas com a má brotação, por causa do excesso de chuvas na florada. E agora, mais perdas, por causa da seca. Então, acho que se pode falar em torno de 30%, no geral. No entanto, tem regiões que choveu mais, e em outras quase nada, por isso é ainda cedo determinar as perdas do setor – avalia Cedenir Postal, presidente da Comissão Interestadual da Uva e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bento Gonçalves.

 

 

 

 

 

 

 

 


Fonte: O Pioneiro
Foto: Bruno Comachio