Geral

Trecho urbano da BR 470: Tragédias se repetem e projeto fica na gaveta

O que precisa ser feito nesse trecho para evitar que novas vidas sejam perdidas? Conheça o projeto que está engavetado há anos que poderia salvar vidas.

As gavetas do DAER (Departamento de Estradas de Rodagem) e do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura e Trânsito) guardam um projeto que poderia salvar muitas vidas. Em 2017, na tentativa de garantir mais segurança, foi elaborado um projeto de construção de duas rótulas no trecho urbano da BR 470, entre a empresa Coopershoes, passando pela Oleoplan, até o trevo de acesso à Linha República. Esse trecho apresenta problemas no trânsito há muitos anos. O local já foi palco de inúmeros acidentes, tragédias essas que ceifaram a vida de pelo menos quatro pessoas nos últimos cinco anos. 
Concluído em 2017, o projeto foi desenvolvido pela empresa Consulver e doado pela Oleoplan, com termo de aceite assinado pela Secretaria de Infraestrutura do Rio Grande do Sul, em 03 de maio de 2017. Com a federalização da rodovia, a transferência do projeto para o DNIT foi autorizada pelo DAER, com análise prévia. 
Seriam criadas duas rótulas, uma em frente à empresa Coopershoes, que também dará acesso ao bairro Valverde, e outra 500 metros depois, sentido Veranópolis a Vila Flores, que dará acesso também à Linha República. 
Os acessos que existem atualmente à empresa Oleoplan, bem como ao posto de combustíveis e demais empreendimentos, hospital e bairro São Peregrino Lazziozi, seriam fechados, obrigando os condutores a fazerem o contorno nas rótulas. Os motoristas precisariam andar mais uns metros, porém, isso garantiria mais segurança a todos que trafegam na rodovia. O processo tramita no DNIT desde 2017, com o número 50610.000859/16-04, em nome do Município de Veranópolis. 

 

Trecho crítico próximo ao Restaurante Coliseo

Município vem buscando alternativas

 

Segundo o prefeito de Veranópolis, Waldemar de Carli, o DNIT só recebe este trecho em novembro de 2019; sendo assim, ainda está a cargo do DAER. “Em 2017, foi elaborado um projeto completo para a área citada, que foi pago pela Oleoplan e protocolado desde então. Inclusive, colocamos que a Prefeitura poderia ser parceira nos serviços de máquinas; porém, apesar de pedidos insistentes, até mesmo com a colaboração do Senhor Irineu Boff, proprietário da Oleoplan, nunca fomos atendidos. Posso garantir que foram inúmeras reuniões. A Prefeitura nada pode fazer, pois não tem o domínio da rodovia. As medidas ao nosso alcance foram tomadas desde 2007”, ressalta. 
Outras possibilidades de melhorias no trecho, inclusive,  já foram estudadas. O Tenente do Comando Rodoviário Militar, Euclides Pedro Horn, que foi comandante do extinto grupamento da PRE (Polícia Rodoviária Estadual) que existia em Sapopema, coloca que a duplicação do trecho urbanoda 470 já foi discutida, assim como a colocação de redutor de velocidade, porém, infelizmente, nada saiu do papel. Ele afirma que o trecho merece  atenção devido à grande demanda de caminhões que existe no local. 
Horn destaca que “na época em que possíveis ações estavam sendo debatidas, a federalização já estava adiantada, por isso o DAER optou por não realizar obras. Apesar de que a reforma geral do trecho entre Farias Lemos e Nova Prata foi feita ainda pelo Crema Serra (contrato que ainda está em vigor e se encerra em novembro. Após isso, o DNIT assume oficilamente o trecho). 
De Carli acrescenta que o DNIT já fez um levantamento do perímetro urbano de Veranópolis e o órgão considera o trecho em questão, junto com o cruzamento em frente ao Restaurante Coliseu, sendo os dois mais perigosos da rodovia. O prefeito destaca, ainda: “Há poucos dias, fizemos uma mudança em relação ao acesso da rua Eduardo Duarte e fomos muito criticados pelas medidas ali tomadas”. Nesta rua, foi impedido que os carros cruzassem a BR 470, sentido Veranópolis/Nova Prata, e entrassem na rua Eduardo Duarte em frente ao Faganello. Agora, é preciso andar até o trevo da Coopershoes e retornar para acessar essa rua.  “Antes, os condutores cruzavam a BR na curva (em frente a DalPonte) e entravam na contramão na Eduardo Duarte; manobra muito perigosa”, aponta o prefeito. 
Recentemente, vereadores de gestões passadas, como Moises Pertile, solicitaram ao Daer e ao Dnit a instalação de lombadas eletrônicas no trecho. 

Trecho em frente a Oleoplan exige atenção

O ex-prefeito Carlos Alberto Spanhol chegou, em sua gestão, a solicitar a interrupção de acessos laterais à via que, somados, passariam dos 30, porém, o projeto foi executado em partes e trechos como o do acesso à Rua Astério de Melo foram bloqueados.
Acerca dos acidentes que ocorrem no trecho urbano da BR 470, o tenente Euclides destaca: “alguém falhou, porque não pode ter acontecido um acidente em uma situação de normalidade. Alguém errou, e esse erro, infelizmente, custou a vida de uma pessoa”. 
O Comandante conclui que independentemente da situação da via, os motoristas devem praticar direção defensiva a fim de evitar acidentes. 
A nossa reportagem solicitou ao Daer a sua versão sobre os fatos, porém, até o fechamento desta edição, na terça-feira à tarde, não havíamos obtido retorno.

 

 

Um trecho onde muitas vidas se foram 

Na segunda-feira, Viviane Mattiuz faleceu no trecho. Outras três pessoas perderam suas vidas nas imediações do km 175 da BR 470, em menos de cinco anos. 
No dia 05 de abril de 2014, o veranense Jocimar Antônio Guidini, de 43 anos, conhecido como “Nanico”, morreu em acidente na rodovia.  Um caminhão com placas de Marau colidiu com um Astra, veículo que Jocimar conduzia. Eles estavam em sentidos opostos. Jocimar não resistiu e faleceu no local. Outras três pessoas que estavam no automóvel ficaram feridas. 
Menos de sete meses depois, o jovem veranense Adriano Bataglion, de 26 anos, perdeu a vida no mesmo local. 
Bataglion estava na carona de um veículo Passat, de Veranópolis, que transitava no sentido Veranópolis-Vila Flores. Neste ponto, o veículo em que Adriano estava bateu de frente com um Polo, também de Veranópolis. 
O jovem chegou sem vida ao hospital. E os outros três ocupantes do veículo também se feriram. Adriano era gerente da empresa Auto Tradição Vacaria, concessionária Volkswagem na cidade de Vacaria. 
Menos de três anos depois, no dia 30 de setembro de 2017, Janaína Valente dos Santos, 24 anos, também foi vítima de acidente fatal no mesmo trecho. 
Ela conduzia uma motocicleta com placas de Passo Fundo ,que se chocou com um veículo Focus, de Veranópolis. Estavam em sentido contrário. 
O motorista do Focus fugiu do local do acidente. Janaína, que era natural de Magé (RJ) e residia em Veranópolis, chegou sem vida ao hospital.