Pré-candidato ao governo do RS, Onyx terá maior orçamento da Esplanada de Bolsonaro

Há três meses, Onyx Lorenzoni (DEM) despachava na Secretaria-Geral da Presidência, o menor e menos importante posto de primeiro escalão

Há três meses, Onyx Lorenzoni (DEM) despachava na Secretaria-Geral da Presidência, o menor e menos importante posto de primeiro escalão do governo Jair Bolsonaro, quando revelou a um interlocutor:

— Vou para um ministério forte. E até novembro devo obter do presidente Bolsonaro o aval para concorrer a governador com o apoio exclusivo dele no Rio Grande do Sul.

À época, ninguém levou muito a sério a declaração. A despeito da gratidão de Bolsonaro ao primeiro deputado a se engajar em sua campanha, Onyx recém havia sido rebaixado pela segunda vez consecutiva. Da poderosa Casa Civil, foi transferido para o Ministério da Cidadania e, dali, para a Secretaria-Geral, comumente chamada de zeladoria do Palácio do Planalto.

Nos próximos dias, Onyx assume o Ministério do Trabalho e Previdência. Recriada especialmente para ele, a pasta terá ao menos 202 cargos de chefia e o maior orçamento da Esplanada. Com mais de R$ 700 bilhões em caixa, o gaúcho irá conduzir políticas de emprego, seguridade social, sindicalismo, fiscalização trabalhista, habitação e saneamento, com capilaridade em todos os 26 Estados e no Distrito Federal.

O novo cargo é um renascimento de Onyx dentro do governo e catapulta suas pretensões eleitorais para 2022. Não à toa, nos últimos dias começaram a circular por Porto Alegre carros adesivados com a expressão BolsOnyx, numa alusão à futura dobradinha nas urnas no próximo ano.

Colega de Câmara de Bolsonaro desde 2003, Onyx passou a percorrer o país com o então pré-candidato em 2017. No ano seguinte, coordenou a campanha à Presidência e, vencida a eleição, foi o único integrante da equipe a ser nomeado ministro extraordinário, antes mesmo da posse, com pleno poderes para coordenar a transição. Foi com esse status que Onyx anunciou, em 3 de dezembro de 2018, a extinção do Ministério do Trabalho.

Desde então, acumula polêmicas em todos os cargos que ocupou. Seus aliados dizem que ele conduziu a aprovação da reforma da Previdência na Casa Civil, instituiu o auxílio emergencialno Ministério da Cidadania e articulou a defesa do governo naCPI da Covidenquanto esteve na Secretaria-Geral. Todavia, seus detratores, muitos deles instalados dentro do palácio, apontam erros em todas as iniciativas, citando o protagonismo do Congresso na Previdência, as falhas, fraudes e demora no pagamento do auxílio emergencial e o desgaste do Planalto na CPI.

Nas últimas semanas, militares e expoentes do centrão vinham pedindo seu afastamento do palácio, sob a alegação de que seria um dos mais incendiários auxiliares do presidente, estimulando ataques a adversários e instituições, como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O desgaste aumentou com a entrevista coletiva em que rebateu as denúncias de corrupção na compra da vacina Covaxin, quando anunciou a investigação do servidor do Ministério da Saúde que apontou as suspeitas e não a condução do contrato.

No Ministério do Trabalho, Onyx ficará menos exposto às intrigas políticas e focado em seus projetos para 2022. O objetivo é apostar na retomada da economia para lançar políticas de geração de emprego que aumentem sua visibilidade. Entre as medidas em estudo, estão formação profissional e alistamento civil para jovens de até 29 anos, estímulo para quem empregar pessoas com mais de 55 anos, inclusão dos motoboys no regime de microempreendedores individuais (MEI) e regulamentação do home office.

No governo, comenta-se que a chegada do centrão à Casa Civil impedirá Onyx de ter autonomia total para gerir os R$ 583 bilhões do FGTS e os R$ 86 bilhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Ele também terá de compartilhar as indicações aos 202 cargos de chefia espalhados pelos Estados.

Nada impede, porém, a composição com aliados que possam alavancar sua candidatura ao Palácio Piratini. Até então preso ao Planalto, onde as costuras políticas se resumiam às audiências em que recebia prefeitos, vereadores e deputados gaúchos, o ministro agora cumprirá agendes Brasil afora, com atenção especial aos compromissos no Rio Grande do Sul.

Fonte: GZH