Menino encontra no “lixo” a oportunidade de realizar um sonho

Com apenas seis anos, o pequeno Miguel, com a ajuda dos pais, recolhe recicláveis para comprar um caminhão

Quando crianças, temos inúmeras vontades. Imaginamos como será a nossa vida, encontramos aquela que seria a profissão ideal e mudamos de ideia incontáveis vezes. Quem nunca desejou um brinquedo que estava em alta, mas que não podia comprar e criou uma maneira de conseguir o dinheiro necessário? Muitas vezes vendemos bombons, bijouterias, sacolés, cupcakes, entre tantas outras atividades.

Miguel Conte Frata, 6 anos, viu na reciclagem do lixo uma oportunidade de realizar um grande sonho. Apesar da tenra idade, o menino pode ser considerado um visionário, e vê no trabalho a maneira de conseguir o tão desejado caminhão. Ele mora com os pais, em Fagundes Varela e, como toda criança, gosta de brincar. Também acompanha o pai em seus afazeres na roça, realiza suas tarefas escolares e já mostra responsabilidade ao cuidar de sua ovelhinha.

O pequeno é apaixonado por caminhões e enxergava no caminhão velho de seu avô, uma oportunidade de restauração, para que assim, ele pudesse usá-lo no futuro. “Eu falava para o meu pai que quando eu crescesse, queria reformá-lo, e colocar um adesivo. Um dia veio um homem que quis comprar e eu não deixei. Meu pai vendeu sem que eu soubesse, e fiquei muito triste”, conta.

Miguel conta que um amigo de seu avô, chamado Biasotto, foi quem o inspirou para iniciar a empreitada. “Ele começou a recolher materiais recicláveis com a minha idade e hoje ele tem muitos caminhões. Meu avô, vendo que eu fiquei ‘brabo’ por causa da venda, me perguntou porque eu não fazia o mesmo. E eu disse: quero sim! Foi quando comecei”, diz o pequeno.

Todo material é bem-vindo: papel, plástico, papelão, garrafas pet e latinhas de alumínio. Mas ele não faz o trabalho sozinho: os pais, Simone Conte e Edimar Frata, o ajudam no recolhimento e seleção de todo o material. Os vizinhos também, ao tomarem conhecimento da história também colaboram, muitas vezes, já deixando os recicláveis no galpão ao lado da casa da família. Pelas contas, já foi conseguido um aproximado de 2 mil quilos.

“O Miguel é o nosso orgulho. É maravilhoso como mãe, ver que meu filho com apenas seis anos quer comprar um caminhão com o seu próprio esforço. Não é toda criança que nessa idade tem esse pensamento de recolher materiais recicláveis para assim conseguir dinheiro e comprar algo para si no futuro. É muito comum elas quererem brinquedos, um celular. Claro que ele também tem essas vontades. Para nós é um orgulho imenso”, revela Simone.

Edimar diz que ficou surpreso com a dimensão que a história do filho tem tomado. De acordo com ele, houve procura de pessoas de outros municípios para ajudar no projeto de Miguel. Como pai, ele tem buscado dar apoio e acredita que, se o menino continuar com o projeto, “há um futuro”, comenta.
“Nós tentaremos dar o máximo de suporte para ele conseguir realizar o sonho dele. O que pudermos fazer por ele, nós faremos. Fazem poucos meses que ele começou, não houve uma grande divulgação, e olha o que já conseguimos”, relatam os pais.

Entretanto, essa história possui mais um desdobramento. Miguel não pensa somente em si. Durante a conversa ele faz uma revelação importante: ele deseja fazer uma doação de uma parte do valor que ele conseguir arrecadar com a venda dos materiais recicláveis.

“Eu quero ajudar o hospital em Veranópolis. Com esse dinheiro posso contribuir no combate a esse vírus”, anuncia.
O menino entende que ainda vai demorar um pouco para que ele possa alcançar seu grande objetivo, mas se mostra muito esperançoso para a realização do mesmo. Ele encerra deixando um recado para as outras crianças, que assim como ele, sonham alto.

“Sei que ainda vai demorar para que eu possa ter a idade e tirar a carteira de motorista, mas acho que a compra do caminhão não vai demorar tanto assim. Você aí, que quer realizar um sonho, faz como eu, começa a recolher recicláveis, que você vai conseguir”, finaliza.

A quem desejar fazer doações, você pode encontrar a família do Miguel na Rua Sul Brasil, número 1010 em Fagundes Varela.

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