Mulher é presa acusada de ser a mandante da morte do marido em Bento
O assassinato do advogado Roberto Dall'Agnol havia sido forjado como latrocínio. A esposa teria fornecido as chaves aos criminosos, que já foram condenados a quase 90 anos de prisão.
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul protagonizou uma reviravolta chocante em um dos crimes de maior repercussão na Serra Gaúcha. Em uma ação estratégica conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Bento Gonçalves, foi presa preventivamente uma mulher de 36 anos, apontada como a mentora intelectual do assassinato do próprio marido, o também advogado Roberto Fortunato Dall’Agnol, de 48 anos. O crime ocorreu em 11 de setembro de 2021 e, até então, era tratado oficialmente como um assalto que terminou em morte.
O crime aconteceu na madrugada do dia 11 de setembro de 2021, na residência do casal, no bairro Conceição. Na ocasião, a comunidade foi chocada pela brutalidade da ação: a residência do casal foi invadida por três homens armados, e Roberto foi encontrado com os pés e mãos amarrados, amordaçado e morto com um tiro na nuca. Diversos pertences, como joias, dinheiro e celulares, foram levados para sustentar a tese de latrocínio (roubo seguido de morte).
A farsa desmontada e a obstrução da Justiça
Apesar de dois executores já estarem presos e condenados pelo crime, o avanço das técnicas de investigação e o uso de inteligência cibernética pela 1ª DP revelaram que a cena do roubo ocultava uma trama premeditada.
A reabertura do inquérito reuniu provas robustas que ligam a advogada diretamente aos assassinos. Segundo as autoridades, ela teve participação ativa e direta na morte do companheiro. A investigação aponta que ela:
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Arquitetou o crime previamente, fornecendo as chaves de acesso ao imóvel para os criminosos;
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Ajustou os detalhes da execução, estando presente na residência no exato momento dos fatos;
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Simulou a subtração de bens para desviar o foco da polícia e sustentar a narrativa de um falso assalto.
O caso ganhou contornos ainda mais graves durante o aprofundamento das diligências. A Polícia Civil identificou que a investigada e seu atual companheiro tentaram intimidar a equipe de investigação enviando ameaças anônimas. O rastreamento de dados confirmou a tentativa de retaliação contra os agentes e a fraude processual para tumultuar o andamento do processo. Diante do risco à ordem pública, a Justiça decretou a sua prisão preventiva.
Executores já estão condenados
A farsa arquitetada pela suspeita resultou na condenação em primeira instância de dois homens apontados como os executores materiais do advogado. Na sentença proferida pelo juiz João Carlos Leal Junior, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Bento Gonçalves, os réus receberam penas duríssimas pelos crimes de latrocínio, roubo e extorsão.
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Miguel Marcelo Costa Xavier: Condenado a 50 anos, 5 meses e 15 dias de reclusão em regime inicial fechado.
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William Petry Bittencourt: Condenado a 39 anos e 3 meses de reclusão em regime inicial fechado.
Ambos seguem em prisão preventiva e podem recorrer da decisão. Com a prisão da esposa da vítima, a Polícia Civil reafirma o compromisso de que a verdadeira dinâmica de crimes graves não ficará impune, independentemente do tempo decorrido ou de tentativas de manipulação da lei.
Fonte e foto: NB Noticias – Bento Gonçalves