O sol raiava lá fora, os pássaros cantavam seus melhores cânticos, os sinos badalavam sem parar, o céu manifestava sua cor azul anil e…opa, espera um momento, bem que esse dia poderia ter sido assim para expressar tamanha grandeza para a chegada dela, a nossa querida dire Mari. Entretanto, seu nascimento aconteceu na madrugada do dia 16 de agosto de 1970, em sua residência da época, localizada na Capela de São Jorge em Fagundes Varela. Veio ao mundo com a ajuda de uma parteira e, a partir daí, muitas histórias para contar.

Mari morava com seu pai Hermínio (em memória), sua mãe Zélia, sua irmã Elaine, seus avós, tios e primos em uma casa rodeada de flores, plantas, poço de água natural, pequena gruta, plantações e outras tarefas da colônia. Mari sempre foi muito ativa, sendo que por volta de um ano de idade teve a proeza de derrubar seu berço feito de vime caindo em cima dela, o choro aconteceu a plenos pulmões. Falando nesse órgão, em sua infância, Mari adoecia facilmente em função de problemas respiratórios, por isso, era levada a médicos para tratamentos. Em uma dessas idas, por volta dos seus seis anos de idade, fugiu do consultório médico, pois tinha medo de injeção, escondendo-se em uma casa qualquer, ficava espiando quem passava para que não fosse descoberta, mesmo sua família indo a sua procura. Porém, depois de um tempo, acabou voltando a pé até sua residência.

Quando criança, brincava com os vizinhos e familiares de casinha, carrinho de lomba e adorava inventar diferentes brincadeiras. Isso acontecia quando podia, porque quando seus pais iam para a roça trabalhar, ficava em casa sendo cuidada pela sua nona, porém tanto ela como sua irmã mais velha, eram amarradas de corpo inteiro com faixas para que não fugissem. Com três anos de idade, juntamente com sua família (mãe, pai e irmã), mudou-se para Veranópolis para o bairro Santa Bárbara, onde residiu até seu casamento. Em torno de seus sete anos de idade, há um episódio interessante de se contar, já que Mari e sua família haviam planejado viajar até Fagundes Varela visitar os familiares que lá ficaram residindo. Já estavam se preparando para entrar no Corcel da família quando Mari decidiu fugir, pois, simplesmente, não queria ir. Ela acabou correndo para se esconder na estrebaria da família, que ficava na rua debaixo de sua casa, porém conseguiram pegá-la, entrou no carro e foram pra Fagundes, sendo que ela ficou chorando todo o trajeto.


Iniciou seus estudos na Escola Virgínia Bernardi, passando para o Colégio São Luiz Gonzaga e cursando magistério no Colégio Regina Coeli. Nessa trajetória, muitas alegrias, mas também muitos obstáculos, seja por condições financeiras como também estruturais. Fazia sol, fazia chuva, Mari ia e voltava da escola a pé, com a determinação de ir em busca dos seus objetivos. Terminando o ensino regular, ela foi convidada pelo Dr. João Davi e sua esposa a morar em Porto Alegre com a filha do casal, com o intuito de cursar fisioterapia, porém seus pais não concordaram, dessa forma, escolheu seguir a área da educação por aprender a gostar da mesma. Por isso, começa a cursar Letras pela Fundação Educacional da Região dos Vinhedos (FERVI), atualmente conveniada com a Universidade de Caxias do Sul (UCS). Durante a faculdade, trabalhou por alguns anos como auxiliar de escritório em uma empresa de móveis, após, iniciou sua carreira docente na antiga, e atualmente inexistente, Escola Maximiliano Ferronato, localizada na Comunidade de São Roque em Veranópolis e, também, na escola da Comunidade de São Valentim de Veranópolis. Em seguida, mais uma vez pegava a estrada para ser professora de Língua Portuguesa no Colégio Padre Ângelo Mônaco de Fagundes Varela, sendo que esse trajeto era feito com algumas colegas de profissão motorizadas com o Fusquinha que, por vezes, acabavam ficando pelo caminho em função de falhas do carro. Além disso, trabalhou na Escola Virgínia Bernardi, Colégio São Luiz Gonzaga e, também, foi professora no Colégio Regina Coeli, onde atua até hoje com diferentes projetos.

Em 1998, casa-se com Gilmar Ferronato na Igreja Matriz São Luiz Gonzaga. Por influência de sua irmã, começa a atuar em missas e, também, coordenando as mesmas. Por isso, é convidada, juntamente de seu marido, a ser festeira da Festa de Nossa Senhora de Lourdes, sendo que realizou esse feito estando com uma de suas pernas quebrada causada por um acidente doméstico, caindo da escada de sua casa enquanto carregava lençóis. Mari sempre foi e continua a ser muito ativa nas comunidades, ajudando e organizando festividades, almoços, jantares e programações com o intuito social. Além disso, é generosa e a cada instante busca ajudar o próximo, disponibilizando seu tempo e habilidades para o bem das pessoas.

Constantemente, Mari era (e ainda é) rodeada por crianças e adolescentes, tanto pelo convívio nas escolas como por seus sobrinhos e afilhados por quem possui grande afeto e dedica-se a eles, sendo que despertou o desejo de ser mãe. Após muita luta, persistência e fé, do fruto do amor e do companheirismo de Mari e Gilmar, nasceram seus filhos Gabriel e Isabele. Como uma boa leonina, Mari é protetora, incentivadora e extremamente dedicada aos seus filhos, encorajando-os e amando-os com todas as forças possíveis e impossíveis. Gosta de incitar o melhor de cada pessoa, aconselhando a dar-se o melhor de si, como ela mesma diz “se você for uma árvore numa peça de teatro, que seja a melhor árvore”. Aventureira, sempre gostou de passear e viajar, dessa forma, muitas histórias para contar. Aí vão algumas…lembra que contei sobre a perna quebrada? Pois bem, a mulher foi pra praia com a perna nesse estado, com parafusos pra fora e tudo! Sendo carregada pelos homens da família pelo trajeto. Há também aquela viagem para uma outra praia em que a Mari estava esperando seu marido sair de um local, nisso, uma mulher de sotaque espanhol bate com a cabeça em uma porta de vidro. Mari, com seu jeito espontâneo de ser, começa a rir da situação, entretanto, a estrangeira não gostou e as duas começam a discutir, com Mari soltando seu portunhol “eu achei gracia sim!”. Mari é apaixonada por praia, seja para se bronzear ou pelo mar.


Como a grande maioria sabe, dificilmente alguém não saber desse fato, Mari é extremamente gremista, tipo muito! É torcedora fanática, quando pode assiste aos jogos e fala de tudo um pouco. É uma mulher competitiva, sendo uma apreciadora do mundo esportivo. Só tem um time que ela torce mais que o Grêmio, na verdade, não é um time, é uma pessoa…seu filho Gabriel nos jogos da Associação Atlética Veranópolis. Aí a mulher se transforma! Mari sempre teve o dom da escrita, de modo que escreveu lindos textos, homenagens, adaptações de histórias/saraus e mais!

Chega à Escola Irmão Jerônimo atuando como professora de Língua Portuguesa, após alguns anos, é convidada a assumir a direção da escola, cargo que ocupa até hoje. Aqui, juntamente com sua equipe, realizou e continua a realizar incríveis feitos. Muitas conquistas através de muito suor, lágrimas, sorrisos e peito aberto. Quando necessário, é uma diretora mais exigente e durona, porém possui um coração gigante, visto que defende os seus com unhas e dentes se for preciso.
