Dona Cesira, reconhecida pela produção de mondongo, chega aos 100 anos hoje

Dona Cesira, como é popularmente conhecida na região, fez história preparando mondongo para diversas entidades do município por cerca de 5 décadas

Neste dia 15, Cesira Zuchinalli, conhecida como Dona Cesira, está completando um século de história. Boa parte de sua vida foi dedicada ao trabalho, pelo qual tornou-se conhecida através da preparação do mondongo. Conheça um pouco da história dela.

O Mondongo ou bucho é uma refeição muito apreciada pelos gaúchos, sendo uma opção ideal para os dias de temperatura mais baixa. O prato é um tanto polêmico e divide opiniões. Muitos admitem comer, porém a afirmação costuma vir seguida de uma condição: o alimento precisa estar bem temperado ou ser feito por alguém “de confiança”. Outros não gostam por não suportar o cheiro. Outros tantos nunca comeram, sentem repulsa até ao mencionar a palavra. Há ainda os que amam, mas o sentimento sempre vem acompanhado de um “não me julguem”.

Em Veranópolis e região, quando se fala em mondongo, o primeiro nome que é lembrado é o de Cesira Zuchinalli. Dona Cesira, como é popularmente conhecida na região, fez história preparando mondongo para diversas entidades do município por cerca de 5 décadas.

Inicialmente, Cesira era dona de um bar e preparava a iguaria para vender no estabelecimento, para vizinhos e pessoas do interior que vinham para a cidade para fazer negócios ou entregar mercadorias nas cooperativas. Com o trabalho, ela e o marido criaram sete filhos, após ficar viúva em 1982, ela fechou o bar e passou a dedicar seu tempo à família e ao clube de mães. No entanto, eventualmente fazia mondongo para vender entre os vizinhos ou em eventos da entidade que participava.

Ao longo dos anos, outras entidades passaram a chamá-la para preparar o prato que foi se tornando cada vez mais popular e tornando a senhora requisitada para os preparos. Inicialmente, a quantidade feita era pequena, cerca de 20 a 30 quilos do bucho, conforme a demanda foi aumentando a quantia preparada foi crescendo, assim como a equipe que a auxiliava, chegando a preparar 200 quilos de bucho de uma única vez, o que rendia cerca de 400 quilos do produto pronto.

Há cerca de 15 anos, Dona Cesira se aposentou definitivamente do preparo, passando a função para o filho, Carlos Alberto Zuchinalli e o amigo, Ramiro Faganello. Os dois assumiram a função de seguir a tradição da preparação do prato. Atualmente, são preparados dois mondongos por ano, um para a Festa de São Luiz Gonzaga e outro para a AVAEC.

Nos últimos anos, a produção foi crescendo, atualmente são utilizados cerca de 400 quilos de bucho, que depois de pronto rende, aproximadamente, 750 quilos de mondongo. Geralmente, os mondongos são feitos aos sábados e a preparação inicia ainda na quinta-feira. Conforme o filho, inicialmente o bucho vinha sujo, ela fazia a limpeza, cortava, preparava os molhos e cozinhava, agora, o produto é comprado pré-limpo. “No começo ela fazia tudo, agora pegamos ele já semi limpo, mas ela não gosta de usar aquele que é lavado com soda, ela fala que perde o gosto”, relata.

Apesar de não participar diretamente do preparo e passar boa parte do dia de cama, dona Cesira ainda exerce influência na produção. “Sempre que fazemos o mondongo, trazemos para ela provar e ela vai dizendo se está bom ou se falta algum tempero”, destaca Faganello.

 

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