Aula prática de poda de parreira envolve agricultores do interior

Ação ocorreu neste sábado (30) na Câmara de Vereadores do município

Nem todo mundo sabe que praticamente no centro de Caxias do Sul há parreiras de uva. As videiras estão plantadas há 26 anos no prédio da Câmara de Vereadores, no mesmo ano em que foi inaugurada a edificação. E, pela primeira vez desde então, a comunidade foi convidada a participar da poda, manejo que se inicia justamente nesta época em toda a Serra gaúcha.

A atividade promovida pela Comissão de Agricultura, Agroindústria, Pecuária e Cooperativismo da Câmara, ocorreu neste sábado (30), a partir das 8h30min. Não houve adesão da comunidade, que precisava se inscrever previamente. Contudo, a aula prática contou com a presença de sete agricultores do interior de Caxias, entre eles o engenheiro agrônomo Felipe Onzi, que instruiu um grupo de servidores que se integraram ao projeto.

Segundo ele, a época da poda, aqui na Serra, ocorre no final do inverno, geralmente, entre os meses de julho a setembro. Pode variar, no entanto, em função da variedade da uva e também do perfil de colheita que se deseja.

— A parreira vem de dormência e no final do inverno ela começa a despertar para uma nova brotação, para uma safra nova. Então, é feito esse manejo visando distruir os ramos e distribuir também a produção dentro da planta, buscando melhor qualidade da planta — explica o agrônomo Felipe Onzi, 35 anos, agricultor da localidade de Menino Deus, interior de Forqueta.

O manejo realizado nas parreiras da Câmara de Vereadores, no entanto, não visa qualidade ou quantidade, é mais ornamental, justifica Onzi:

— Temos aqui um sistema um pouco diferente do que a gente utiliza na agricultura, no geral. Ela tem uma condução visando mais o ornamental e também para representar a agricultura da nossa região. Estamos fazendo, então, uma poda não visando muito a produção e, sim, a manutenção da própria planta para ela ter vigor para os próximos anos e para se manter sadia ao longo do tempo.

Desde a infância

Um dos mais experientes do grupo é Hélio Bampi, 77, agricultor de Menino Deus. Desde criança, por volta dos sete, oito anos, ele diz que sua vida tem sido cultivar, podar, tratar e colher a uva. Atualmente, sua produção está distribuída em 30 hectares de vinhedos, com cerca de 15 variedades. Para se ter uma ideia do trabalho que dá cuidar disso tudo, ele revela que a poda em sua propriedade começa na segunda-feira (1° de agosto) e deve se estender até outubro.

— Eu acho que somos os maiores de Caxias, porque já chegamos a colher um mihão de quilos de uva, só a gente — conta Bampi.

Para manter a produção sempre em alta, minimizando os riscos por conta da instabilidade do clima, o agricultor diz que recorre a irrigação por gotejamento e ao seguro bancário.

— Tenho gotejamento em praticamente toda a parreira para me prevenir da seca. Então me habituei a fazer o gotejamento e também seguro da parreira, mas vale a pena o investimento. Porque se dá uma chuva de pedra tô prevenido — justifica.

Apesar de sua experiência e habilidade com o manejo da tesoura de corte, ele explica que é a primeira vez que faz a poda em uma videira que está cravada praticamente no centro de Caxias. Fica o registro desse momento, na foto acima, em que Bampi corta as pontas secas da parreira enquanto observa a vista repleta de arranha-céus.

O segredo para uma videira frondosa

O agricultor Itamar Bianchi, 56 anos, não apenas contriuiu com a poda das parreiras bem como levou o vinho produzido na vinícola da família para que fosse consumido no café da manhã, antes do início das atividades. Segundo ele, mantém esse hábito por conta de uma tradição de família:

— Meu pai sempre diz que a gente deve beber um copo de vinho antes da poda porque assim, quando estivermos debaixo da parreira, com a tesoura de corte, nosso hálito de vinho chega na parreira e inspira ela a dar mais frutos e melhores — conta.

Bianchi diz que na propriedade da família eles têm cerca de 4 hectares com as variedades Niágara, Bordô, Isabel, Pinot Noir e Merlot.

— Na verdade, eu saí do interior e vim para a cidade onde trabalhei por uns 20 anos com construção civil e voltei para trabalhar na propriedade faz uns cinco anos. Como meu pai não está muito bem, acabei voltando para ajudar e acabei ficando — revela.

Além da poda nas parreirs da Câmara, Bianchi revela que a partir de segunda-feira (1º) vai seguir empunhando a tesoura de corte, mas dessa vez na sua propriedade:

— Começamos a poda faz uns 20 dias, mas vamos levar mais uns 20 dias ainda.

Fonte: Pioneiro