Expectativa de vida na Serra gaúcha chega a 79,41 anos, com idosos mais saudáveis

Marilde Araldi, de 70 anos, é moradora de Bento Gonçalves, e mantém uma rotina semanal de treinos, que são supervisionados pela diretora da academia, Michele Sganzerla

A expectativa de vida dos gaúchos é de 77,45 anos, conforme um recente estudo do Departamento de Economia e Estatística, vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (DEE/SPGG).

A pesquisa analisa dados de 2020 no Rio Grande do Sul, levando em conta as principais mortes naquele ano e a longevidade da população do estado. Em análise por regiões, é possível averiguar que a Serra entra nas estatísticas como a 6ª localidade com maior expectativa de vida, com 79,41 anos.

Os dados da observação foram divulgados na terça-feira, 26 de julho, e abordam tanto o estado, como unidade, quanto os 28 Conselhos Regionais.

Num todo, os números demonstram um aumento na expectativa de vida, de 1,86, pois o último estudo, de 2010, mostrava a média de 75,59 anos para a população. Atualmente, as mulheres possuem uma perspectiva maior, que chega a 80,99, enquanto os homens ficam em 73,87.

Ranqueando as regiões

As informações segmentadas nos Conselhos Regionais de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul (Coredes) criaram um ranking entre as 28 regiões.

A que possui maior expectativa de vida no estado é a do Nordeste, que engloba municípios como Lagoa Vermelha, Capão Bonito do Sul, Ibiraiaras, entre outros. Já a com menor expectativa é a Campanha, com Bagé, Hulha Negra, Aceguá, e outras cidades.

A Serra gaúcha ficou na 6ª colocação com 1,14 pontos abaixo da primeira do ranking. A média da expectativa para a região, por usa vez, é 1,96 pontos a mais que a do estado, o que faz com a localidade fique junto dos 16 Coredes que impulsionam a média de expectativa de vida dos gaúchos.

Rotina aos 70 anos

Marilde Araldi é empresária há mais de 25 anos em Bento Gonçalves e, mesmo aos 70 anos, ela não deixa de trabalhar e executar todas as tarefas do dia a dia, de forma totalmente independente.

Para manter a forma e a rotina sempre em funcionamento, ela costuma ir na academia, de duas a três vezes por semana, há quatro anos. “A gente fica mais forte, tem mais vontade e, apesar do cansaço com os exercícios, fico bem melhor”, especifica.

Os treinos, somados a uma alimentação mais saudável, fazem com que ela não sinta quaisquer dificuldades de locomoção ou resistência, que são comuns em idosos, por conta do envelhecimento natural. Esse resultado da Marilde, a Michele Sganzerla, diretora técnica da Endorphine GYM, atribui justamente aos exercícios que ela realiza junto à academia.

De acordo com Michele, os treinos funcionam como percursores de uma melhor saúde, associada a uma boa manutenção da massa corpórea e óssea. “A saúde não se resume a ausência de doenças, mas ao equilíbrio entre seu emocional, físico e social”, define.

A diretora da academia estabelece que os cuidados realizados em um bom exercício resultam em uma disposição maior, principalmente daqueles que já ingressaram a terceira idade. Michele exemplifica que os idosos acostumados aos treinos não sentem dificuldades em hábitos simples da rotina, como se levantar da cama, agachar para pegar objetos, ficar em pé por períodos longos de tempo, subir escadas, entre outras ações. “Ficamos muito felizes que a consciência da população tem se voltado a esse aspecto, pois há muito tempo que a área da saúde já compreende o quanto é importante a força muscular no idoso”, pontua.

Michele diz que o exercício físico deve ser praticado de duas a três vezes por semana, para que tenha maior efetividade. O recomendado são treinos de musculação, alongamento e treinamento de capacidades como equilíbrio. “Hoje, idosos conseguem fazer coisas que há anos não faziam mais. São pessoas que estão viajando com cônjuges, famílias, sem mostrar dependência. Estão socializando com pessoas de diversas idades, de igual para igual”, comenta.

Os riscos a saúde e prevenção

A médica Ana Paula Boscato é geriatra no Hospital Tacchini, e analisou a pesquisa da expectativa de vida. Seguindo os dados, ela destaca que, apesar da pandemia, as projeções de crescimento e envelhecimento daqueles com mais de 60 anos estão subindo.

Ela também analisa que a população que mais morre no estado é a dos homens. “Entre 60 e 75 anos, a principal causa é o câncer, e para maiores de 75 anos, são causas cardiovasculares. A Diretriz de Prevenção Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia de 2019 discorre que o estilo de vida adequado, contendo atividade física regular, alimentação saudável e controle do peso poderão reduzir o impacto dos principais fatores de risco”, alerta.

Segundo a médica, o sedentarismo é um dos dez principais fatores que incidem no risco de morte, e as pessoas sedentárias possuem de 20% a 30% mais chances de morrer por todas as causas.

Por isso, Ana Paula define que atividade física, aliada a hábitos alimentares saudáveis, pouco consumo de bebida alcóolica, e não tabagismo, são cuidados necessários para quem quer uma vida longeva.

Com rotinas onde as pessoas cada vez possuem menos tempo para se dedicar à saúde, a geriatra fala sobre como incorporar ações benéficas, gradativamente.

“É preciso começar com pequenas ações até torná-las um hábito, como utilizar mais escadas e menos elevadores; ingerir refeições com alimentos coloridos; incorporar à rotina atividades físicas pelo menos duas vezes por semana. Além disso, é muito importante cessar o tabagismo.

Hoje em dia existem vários métodos eficazes e profissionais que auxiliam nesse processo”, aconselha.

fonte: Jornal Semanário