Região com mais casos e 77% das UTIs ocupadas: o que colocou a Serra em bandeira vermelha

A Serra é a região que mais tem casos de coronavírus no Rio Grande do Sul, com 2.762 confirmados, segundo

A Serra é a região que mais tem casos de coronavírus no Rio Grande do Sul, com 2.762 confirmados, segundo o levantamento da Secretaria Estadual de Saúde (SES). O cenário é mais favorável quando a comparação é feita por população, onde a região aparece em quarto no Estado, com uma taxa de 225 casos para cada 100 mil habitantes. 

Com 53 mortes por covid-19, a Serra fica atrás das regiões de Porto Alegre (78) e Passo Fundo (53). O que mais preocupa, contudo, são os leitos hospitalares. A região está com uma ocupação de 77,2% das Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) — são 149 pacientes nos 193 disponíveis pelo SUS ou setor privado. Esse indicador é importante para a classificação de bandeiras, que define as restrições no comércio e indústria.

No anúncio deste sábado (13), que colocou a Serra em situação de bandeira vermelha, junto com as regiões de Santo Ângelo, Santa Maria e Uruguaiana, o governo estadual alertou para o elevado crescimento das hospitalizações confirmadas para covid-19 na Serra. Em duas semanas, os registros passaram de 23 para 63 internações. Este aumento de 173,9% é um indicador de nível de bandeira preta — mesmo sem considerar a alteração na faixa de corte feita nesta semana.

Com relação ao número de pacientes covid-19 em leitos de UTI, a bandeira do indicador passou de laranja para preta. Essa elevação se deve tanto à redução na faixa de corte do indicador quanto ao aumento de 31 para 44 internados entre as duas últimas sextas-feiras.

O indicador de leitos de UTI livres dividido pelos leitos de UTI ocupados por pacientes covid-19, mensurado para a macrorregião, foi o pior apresentado no Estado. A Serra foi a única a apresentar bandeira preta nesse indicador — na sexta-feira (12) havia 0,75 leito de UTI adulto livre para cada leito de UTI adulto ocupado por Covid na região.

Como esse indicador reflete a capacidade de atendimento, o alerta é bastante expressivo, apontando para uma possível necessidade de transferência de pacientes para outras macrorregiões.

Na divisão estabelecida pelo governo estadual, 49 municípios compõem a região que tem Caxias do Sul como referência. Desses, 37 confirmaram casos de coravírus e 12 cidades já registraram mortes pela covid-19. O dado estadual é diferente daquele anunciado pelas prefeituras. 

O levantamento dos números municipais feito pela reportagem do Pioneiro aponta que haviam 3.179 casos de coronavírus confirmados até as 17h30min deste sábado (13) nessas 49 cidades.

Mudança nos critérios levou a bandeira vermelha

Dos 11 indicadores levados em conta para classificar regiões, o Palácio Piratini alterou quatro (veja a seguir) e apertou o ponto de corte em sete. A decisão desta semana levou a Serra a ser classificada pela primeira vez com a bandeira vermelha, o que foi anunciado neste sábado.

A partir de agora, o Estado também irá projetar o números de mortes nas semanas seguintes em vez de olhar para estatísticas de dias anteriores – a ideia é se antecipar a um possível esgotamento de leitos e evitar um olhar atrasado da pandemia, uma vez que normalmente uma pessoa leva semanas entre se infectar e falecer.

Segundo Leany Lemos, coordenadora do Comitê de Dados, análises do governo indicavam que, em alguns cenários, o modelo aplicaria bandeira vermelha somente 15 dias antes de todos os leitos de UTI estarem ocupados na região – e somente dois dias antes de identificar uma zona de bandeira preta. 

— O objetivo de fazer a revisão é reduzir o risco de esgotamento e promover segurança — disse Leany.

Outra variação importante é que as regiões que atingirem as bandeiras vermelha ou preta seguirão duas semanas, em vez de uma, na classificação, sofrendo as respectivas sanções. Assim, o sistema de saúde local terá mais tempo para se recuperar antes de voltar a tratar pacientes.

A partir da revisão de indicadores e de gatilhos de segurança, as regiões que atingiram a bandeira vermelha precisam de duas semanas consecutivas em bandeiras menos elevadas — amarela ou laranja — para efetivamente obter a redução na classificação.

Segundo o governo estadual, as regiões com situação de bandeira vermelha não poderão ter regras mais brandas que as estipuladas nos decretos estaduais, portarias da saúde e protocolos segmentados. A flexibilização disposta no Distanciamento Controlado aos municípios é permitida apenas em situações de bandeiras amarela e laranja. No caso de medidas mais restritivas, os municípios podem adotar.

Mudanças em quatro indicadores

Óbitos por covid-19
Antes: mortes dos últimos sete dias/100 mil habitantes
Agora: projeção de mortes nos próximos 14 dias com base nos últimos sete dias e na variação de pacientes covid-19 em UTIs 

Indicador de leitos de UTI por macrorregião
Antes: leitos livres na sexta-feira/100 mil idosos
Agora: leitos livres na sexta-feira/leitos ocupados por covid-19

Indicador de leitos de UTI no Estado
Antes: leitos livres na sexta-feira
Agora: leitos livres/leitos ocupados por covid-19

Doentes ativos com coronavírus
Antes: casos ativos na sexta-feira/recuperados nos últimos 50 dias
Agora: casos ativos na última semana/recuperados nos últimos 50 dias antes do início da semana

Gatilhos de segurança

1) Trava para baixar risco de bandeira
Antes: registrar até cinco novas internações por covid-19 nos últimos 14 dias
Agora: registrar até três novas internações por covid-19 nos últimos 14 dias

2) Permanência em bandeiras
Antes: região permanecia uma semana em bandeiras vermelha ou preta antes de reclassificação
Agora: região permanece duas semanas em bandeiras vermelha ou preta antes de reclassificação

Fonte: Jornal Pioneiro