Dezembro Verde: eles estão te esperando

Em Veranópolis, a ONG Instinto Coruja ajuda diversos animais, diariamente. Leia a reportagem e saiba como anda o Canil Municipal e como é possível se engajar a esta causa.

Abandono aumenta
 nesta época.

A campanha de conscientização “Dezembro Verde” é realizada em vários municípios brasileiros, com foco no combate ao abandono e maus-tratos dos animais. A campanha provoca uma reflexão acerca da importância da guarda responsável de animais. Dezembro foi escolhido por ser o mês em que o abandono de animais começa a se intensificar, seguindo até meados de fevereiro, por motivos diversos, dentre eles viagens e mudanças. 

Assim como nos demais municípios brasileiros, em Veranópolis há muitos cães abandonados e maltratados. Porém, existem muitas pessoas engajadas à causa animal que não medem esforços para auxiliar seus amigos de quatro patas. O Canil Municipal de Veranópolis é administrado pela APAVE – Associação Protetora dos Animais de Veranópolis, popularmente conhecida como ONG Instinto Coruja. Cerca de 20 diretores trabalham em prol dos animais, gerenciando as verbas recebidas da Prefeitura Municipal que mantêm o canil. 

 

Situação atual

 

Cerca de 200 cães estão abrigados no canil; alguns ficam em baias coletivas e outros em casinhas de concreto (tubos). Os cães recebem a visita de veterinários duas vezes por semana e todos eles são castrados e estão em dia com vacinas e vermífugos. Cada animal recebe o tipo de ração específico – filhotes, adultos, os mais velhinhos-, ração premium para os doentes e até arroz com frango desfiado aos que não comem ração. Dois funcionários, pagos com verba municipal, trabalham de segunda à sábado de manhã no canil. No sábado à tarde, domingos e feriados, os participantes da ONG e voluntários se revezam para fazer a limpeza, alimentar os animais e receber as visitas. 

A Presidente da ONG  Instinto Coruja, Ingrid Schüler, explica que eles buscam fazer o melhor para os animais, mas admite que a grande maioria não está numa situação ideal – presos em correntes curtas. Porém, com o grande número de cães para o espaço e a falta de recursos, torna-se impossível ter baias para todos. 

Além disso, para ela, a maior dificuldade que o canil enfrenta é a quantidade de cães adultos e de porte grande, que dificilmente são adotados. “Normalmente, as pessoas querem os filhotes e os de pequeno porte, para apartamento. É um preconceito, porque às vezes as pessoas têm casa, mas mesmo assim não querem o cachorro grande”, explica. Além disso, há muito preconceito com cães sem raça, porém, Ingrid destaca que o amor é sempre o mesmo. Além disso, a compra de cães não é incentivada pelos membros da ONG: “não compre, adote! Existem muitos cães esperando uma família”. 

Hoje, só são recolhidos os cães que estão doentes e precisam de tratamento, pois não há espaço e recursos para ajudar mais animais. Apesar do grande número de abandonos nessa época, Ingrid e Neide Rosa Negreiros, que também faz parte da entidade, admitem que durante o ano são mais adoções do que abandonos. Essa proporção só inverte nessa época. 

 

Como ajudar

 

Muitas são as formas 
de contribuir.

A ONG tem cofrinhos espalhados pela cidade, onde você pode deixar seu troco como forma de contribuir; e também é possível adquirir um carnê mensal. Além disso, são feitas diversas campanhas, como o brechocão, em que você pode ajudar adquirindo ou doando roupas e calçados. Pode-se também colaborar doando ração que se não for a mesma que os animais consomem no canil é destinada a cães da comunidade que a entidade auxilia. 

Também é possível se voluntariar aos domingos, adquirir produtos personalizados da ONG, como agendas e calendários, e alimentos que a entidade comercializa em alguns eventos da cidade. Ingrid salienta que em meses onde são feitas castrações e vacinas, às vezes falta verba, e é com o valor que conseguem através destas campanhas e ações que compram o que necessitam. 

 

Como adotar

 

Hoje existe um protocolo de adoção a fim de evitar abandonos. Ingrid explica: “a pessoa vem aqui e faz a visita, escolhe o cachorro, deixa seus dados. Então, marcamos uma visita na casa, para ver onde o cachorro vai ficar e em que condições. Se for aprovado, liberamos a adoção mediante um termo assinado. É uma prevenção contra mais e mais abandonos e maus tratos”. 

Apesar de toda a dedicação que há com os animais do canil, eles precisam ter uma casa, uma família e receber carinho. Os horários de visita são das 14h às 16h. 

 

 

Você sabia?

 

No Canil Municipal são consumidos 2000 kg de ração por mês.
É mais fácil adotarem cachorros brancos e claros do que os pretos. 
A maioria dos cães tem nome, e os que não têm são identificados pelo local onde foram encontrados. 
Quando os nomes acabam sendo iguais, eles ganham sobrenomes.
No canil tem um “asilo” onde ficam cinco cães bem velhinhos. 
São recebidas denúncias de maus tratos todos os dias.