Estéfani quer ser fotógrafa e sonho está próximo da realidade

Para realizar seu sonho ela precisa de um equipamento especial e busca o apoio da comunidade. Saiba como ajudar e conheça sua história.

Algumas pessoas têm um brilho especial, nos inspiram, nos motivam. E hoje, contaremos uma história de alguém com essas características… Estéfani é uma jovem de 18 anos, que sonha ser uma fotógrafa profissional e está em busca dessa realização.E mesmo que muitas barreiras dificultem o processo, desistir nunca foi uma opção. 
Até os 11 meses de vida, ela teve um desenvolvimento normal; depois disso, teve crises convulsivas. Os médicos descobriram, então, que ela possuía hidrocefalia, a qual ocasionou uma paralisia cerebral e a perda os movimentos. Sua vida é uma luta diária desde os primeiros anos, de médico em médico, tratamento em tratamento. Por volta dos 11 anos, foi para Belo Horizonte em um hospital especializado em reabilitação física, e lá disseram que ela não tinha chances de caminhar. A jovem enfrentou isso de uma maneira boa, segundo a mãe. Apesar de sua rotina desgastante e de suas dificuldades, sempre estudou, e hoje está cursando o 3º ano do Ensino Médio no Colégio São Luiz Gonzaga. 

De uns tempos para cá, o amor pela fotografia cresceu. Ela gosta de fotos, pois quando era pequena sua avó a fotografava em todos os momentos possíveis e imagináveis e ela adorava isso, apesar de se assustar com o flash. O encontro com uma prima fotógrafa serviu de inspiração: ela conheceu diversas possibilidades tecnológicas além das fotos como, por exemplo, criar vídeos, o que serviu para aumentar esse amor. 
No momento em que o sonho de ser uma fotografa ficou mais concreto, Estéfani desanimou, pois sabia que seria muito difícil, pois, para segurar uma câmera e manuseá-la é preciso ter as mãos firmes. Mas, quem disse que ela ia desistir?

Ao conversar com uma fotógrafa veranense, Marivete Consalter Caglioni, recebeu estímulos para se aprofundar na área da fotografia. Então, sua mãe não pensou duas vezes e adquiriu um pacote de cursos online para a filha: “Se é o sonho dela, vamos fazer de tudo para realizar”, afirma a mãe Evandra. O apoio da família, amigos, e a sua própria força de vontade a inspiraram a batalhar ainda mais em busca de seu sonho. 

 

Destino e motivação pessoal se uniram

Neste ano, Estéfani foi a uma aula de pós-graduação em Neuropedagogia com sua tia. Lá, a professora a orientou para entrar em contato com uma fisioterapeuta, Rita, que possui uma clínica de adaptações para as mais variadas deficiências, em Porto Alegre. Então, elas começaram a conversar sobre o sonho de Estéfani e sobre a quantidade de adaptações que seriam necessárias. Muitas ideias surgiram, inclusive, uma parceria da fisioterapeuta com um aluno e um professor da PUC (Pontificia Universidade Católica). Os dois montaram o projeto da adaptação e agora estão no desenvolvimento. Dia 24 deste mês, Estéfani e sua mãe irão fazer os primeiros testes. “Através da máquina, vão fazer uma adaptação; junto com uma mesa na cadeira de rodas dela, terá a adaptação para a câmera e, através do tablet, ela vai manuseá-la. Já foi feito um orçamento, o valor é de R$ 10.000, por isso, Estéfani está tentando arrecadar os recursos através da plataforma Vakinha online”, conta, Evandra. 

O valor cobre todos os gastos com materiais, desde a câmera até as adaptações e o tablet. O professor, o aluno e a fisioterapeuta farão todo o trabalho “humano” gratuitamente. Essa história mostra que com muita persistência, e graças a generosidade das pessoas, é possível realizar os sonhos, por mais distantes que pareçam estar. A adaptação não existia, mas Estéfani foi até ela, porém, agora necessita do auxílio da comunidade para conseguir quitar o valor da câmera. Ela já arrecadou R$ 1.950,00, ou seja, cerca de 20% do necessário.

 

“Eu sou feliz”

 

Sem dúvidas, Estéfani é um exemplo para todos. Ela diz que sua força de vontade, primeiramente, vem dela mesma, mas o apoio de amigos e família é fundamental todos os dias. “Quando eu falava sobre meu sonho e sobre as dificuldades de realizá-lo, sempre me diziam: vai lá Estéfani, não desiste, você vai encontrar um caminho, e eu encontrei”, afirma. Orgulhosa, a mãe conta: “a Estefani foi uma criança que nunca se revoltou com sua condição. Uma vez ela me pediu ajuda para responder um trabalho de aula: ‘Qual o teu maior sonho?’ E eu disse: ‘Filha, pensa, qual o teu maior sonho no momento?’. E ela respondeu: ‘Mãe, eu sou feliz, eu tenho tudo!’. E daí, eu disse: ‘Mas tu não teria o sonho de caminhar?’. E ela: ‘Eu sei que não vou caminhar, não tenho condições, não vou sonhar com isso, pois sou feliz do jeito que eu sou’”. 

Estéfani com sua mãe Evandra.

Hoje, as barreiras mais difíceis para Estéfani são o preconceito de alguns colegas e a falta de acessibilidade. Porém, ela segue em frente, já se inscreveu para o Enem e está decidindo quais os passos que dará no próximo ano; a mãe a deixa bem à vontade para decidir. Exemplos como esse mostram que nada é impossível se houver força de vontade!

Em seu blog pessoal, “Blog de Cadeirante”, Estéfani escreve sobre diversos assuntos que envolvem suas condições. Em sua última postagem, “A deficiência física e a fotografia”, pediu o auxílio na compra dos equipamentos: 

“(…)Meus pais me apoiam muito na realização dos meus sonhos, porém, os equipamentos para fotografar têm um custo alto, e ainda preciso de adaptações para me dar o suporte para ter mais autonomia para fotografar. Meus pais não conseguem arcar com os custos, pois é muito alto, por isso tive a ideia de criar uma Vakinha para ajudar a realizar meu tão esperado sonho, pois preciso ter uma profissão para minha realização pessoal e conseguir conquistar meu espaço na sociedade.

As contrinuições podem ser feitas através do link:  http://vaka.me/503583

A luta é diária e árdua, mas, com certeza, o futuro será maravilhoso; poder trabalhar como fotógrafa e poder proporcionar para as pessoas recordações de seus momentos incríveis. Ajude com qualquer valor a realizar esse meu sonho tão desejado e importante”.

Doações podem ser feitas também por meio de depósito em conta bancária número 6.483-1, em nome de Evandra F. Remor, agência 0604-1 do Banco do Brasil. Qualquer valor poderá ser doado.