Mulheres que Inspiram: conheça a trajetória da instrutora de autoescola Thais
Especial Dia Internacional da Mulheres
As mulheres vêm conquistando seu espaço no trânsito e já somam mais de 27,2 milhões de motoristas no Brasil, de acordo com a Secretaria Nacional de Trânsito. São motoristas de caminhão, taxistas, motoristas de ônibus, instrutoras de autoescola e por aí vai.
Thais Baratto é instrutora de autoescola no CFC de Veranópolis há mais de seis anos. Desde a adolescência ela já dirigia, uma vez que no interior ainda é costumeiro que os jovens aprendam a dirigir, principalmente tratores, ainda muito jovens para ajudar os pais nas tarefas da propriedade.
Ainda na adolescência, Thais ajudava a mãe a perder o medo de dirigir e adquirir prática com o veículo. “Minha mãe sempre teve carteira de motorista, mas faltava incentivo dentro de casa, como eu já sabia dirigir, saia com ela de noite para que ela fosse criando confiança com o carro e ela foi minha grande incentivadora na carreira de instrutora”.
Por conta de diversos fatores, algumas pessoas têm o receio de pegar o carro ou a moto e dirigir, mesmo após passar no exame prático. Um número expressivo desse público são mulheres que sofrem com o preconceito diariamente no trânsito. Amaxofobia é como se chama o medo irracional de dirigir; e assim como acontece com qualquer fobia, há tratamento para este mal. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que esse problema é presente em cerca de 6% dos brasileiros.
Historicamente, as mulheres são um grupo que sofre com uma sociedade que tem uma visão machista em relação à presença das mulheres no trânsito e sua eficiência na atividade condutora. Esse conceito que defende a inferioridade da mulher na sociedade, apesar de ser antigo, perdura até os dias de hoje e as prejudica em diversos aspectos.
O empoderamento feminino, nesse cenário, vai muito além de simplesmente dirigir e ou estar habilitada para conduzir o veículo. Significa o não conformismo com preconceitos da sociedade e a prova de que ela pode, sim, ocupar o lugar que desejar — com ampla confiança em si mesma e em suas habilidades.
Justamente pelo estereótipo disseminado na sociedade que atribui a mulheres a representação de perigo no trânsito, Thais destaca que já enfrentou diversos problemas e situações de preconceito por ser instrutora de autoescola. “Já passei por várias situações bem complicadas, mas por ser algo que eu gosto de fazer, nunca me deixei abalar e segui trabalhando”.
Inicialmente ela era instrutora nas categorias A e B, após um ano na empresa, recebeu a oportunidade de instruir alunos que solicitam a categoria para ônibus e pouco tempo depois o CFC adquiriu a categoria E, que atualmente é sua principal categoria de instrução. “Nós mulheres precisamos sempre nos esforçar mais, sempre mostrar mais e provar nossa capacidade. Eu diria para as mulheres que querem entrar nesse ramo que insistam, porque é muito gratificante, mas principalmente, e isso vale para todas, é que lugar de mulher é onde ela quiser”.
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