Município estima investir R$ 500 mil devido a prejuízos causados pelas chuvas

Decreto de emergência foi assinado para auxiliar áreas com situações mais críticas. Vários pontos da cidade registraram problemas.

Em cerca de sete dias, pontos de Veranópolis registraram precipitação superior a 300 milimetros de chuvas. Toda essa água causou inúmeros problemas e obrigou, na última sexta-feira, dia 18, o prefeito Waldemar De Carli, declarar situação de emergência. 
A medida visa auxiliar o município que, segundo o prefeito, conta com mais de 40 pontos com problemas; dentre eles, três são emergenciais. Um está localizado no bairro Santo Antônio, outro numa galeria que estourou na Rua São Francisco de Assis, e o terceiro ponto, no Sagrado Coração de Jesus (Medianeira 3).
Waldemar explica que o decreto agiliza o processo de contratação de empresas para realização de serviços. O documento ainda não foi homologado pela Defesa Civil do Estado. 
Segundo o secretário de Infraestrutura, Romeo Tedesco, dentre os três locais com problemas mais graves a galeria na Rua Ademir Simonetto, no bairro Santo Antônio não será uma obra realizada a curto prazo, pois é de grande proporção e exige investimentos altos; porém, no bairro São Francisco e no Medianeira 3, as empresas terceirizadas iniciarão os trabalhos entre essa semana e a outra. 
O prefeito afirma que o que ocorreu foi algo atípico, um fenômeno meteorológico que está acontecendo em algumas regiões do Estado e também de Santa Catarina. Ao avaliar a situação, ele coloca: “a nossa obrigação agora é atender a demanda, principalmente dessas pessoas que foram mais prejudicadas”. 

Saneamento antigo e defasado 
Um problema sério que existe em Veranópolis, de acordo com o Prefeito, é no saneamento. “Precisamos reconhecer que a nossa cidade é moderna do calçamento para cima, pois, para baixo, somos uma cidade de cerca de 40 anos atrás, as obras de galeria são muito antigas”, destaca. Apesar dos investimentos no saneamento feitos por todos os prefeitos nos últimos anos, ainda está muito defasado; “todas as drenagens principais passavam debaixo das casas, nenhuma pela rua. E com o crescimento da cidade, casas foram construídas em cima desse escoamento”, afirma. 
No bairro Santo Antônio, foram feitos projetos, porém, o poder público não conseguiu sensibilizar os diretores da Corsan em repassar o valor necessário. Desse modo, Waldemar coloca que, agora, é preciso trabalhar, para me-lhorar a estrutura na parte de saneamento. “Estamos preo-cupados, a pressão é muito grande, mas não tem outra saída, precisamos reverter isso trabalhando”, afirma. 
Visando conseguir o investimento da Corsan na importante obra, Waldemar conversou com o diretor de Expansão, Marcos Vinicius Caberlon, relatando e provando, através de materiais, os acontecimentos ocorridos, além de rever junto com o diretor o projeto feito pela prefeitura, que já havia sido apresentado para a Corsan. 
Na segunda-feira, o diretor e engenheiros da Corsan se reuniram para reavaliar o projeto, pois ao ver o volume de água, fizeram uma revisão e acharam que talvez seja preciso aumentar a capacidade desse projeto. E, na terça-feira, dia 22, de manhã, o prefeito se reuniu com o presidente da Corsan que, após a análise de todos os dados, decidirá o que será feito. 
Caso a Corsan não auxilie o município, a prefeitura tentará achar um projeto de recuperação e o aumento da capacidade da galeria que possa fazer com recursos próprios. De Carli afirma que no momento de realizar a renovação do contrato da concessão de água para a Corsan, será estudado assinar ou não.  Pois, se não houver a contrapartida em obras de saneamento, não é viável dar a concessão. 
Por fim, o prefeito coloca que já foram viabilizados R$ 500 mil para Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente para compra de tubos, contratação de horas extras e terceirização de empresas para resolver os problemas emergenciais. 

Trabalhos dessa semana 
Romeo frisa que a Prefeitura prioriza os casos mais graves, desde limpeza até pequenas manutenções. 
Um local que precisa de manutenção para possibilitar o trânsito, é a Rua Benjamin Constant, conhecido como “Morro do Sabão”, no bairro Santo Antônio. A força da água ergueu paralelepípedos e abriu valas. As pedras desceram e atingiram residências na Rua Capitão Pelegrino Guzzo, causando prejuízos para famílias.
Outros dois casos estão sendo analisados, um no bairro Santo Antônio, próximo à empresa Dadel, e outro no Medianeira 3, na Rua Giocondo Armando Toschi. Esses dois locais apresentam situação na qual as galerias que estouraram passam embaixo das residências. 
Após esses, Romeo coloca que o próximo passo são os sérios problemas nas ruas Adriano Farina e José Abruzzi (nesse local, uma vala coloca em risco a estrutura de uma residência). 
 

Ajuda às famílias 
A Secretária de Desenvolvimento Social, Habitação e Longevidade, Adriana Maria Parise que acompanhou os trabalhos nos últimos dias, coloca que em média 20 famílias tiveram invasão de água em suas casas, considerando perdas mais graves. Foram doados móveis, roupas, materiais de higiene para a limpeza das casas, de modo emergencial para sanar a situação. 
Apenas uma família precisa ser removida de sua residência, pois um muro caiu e atingiu a residência, no Medianeira 3. Adriana afirma que a família foi removida para outra casa e retornará assim que os estragos forem consertados. 

Área invadida
A situação de famílias que estão nas proximidades do córrego no bairro Santo Antônio é de risco. Três casas foram construídas numa área verde do município, há bastante tempo. Mas, com os danos na galeria que rompeu em vários pontos, hoje o local é considerado uma área de risco, as residências estão suscetíveis a novos alagamentos. Foi construído um valo emergencial, porém ele passa por trás das casas, desviando o fluxo da água.  
Essas famílias terão que ser realocadas para outro local seguro, visando as obras e limpeza dessa galeria, pois não é possível fazer nenhuma manutenção nem futura ampliação com as casas neste local. 
A primeira alternativa de realocação, segundo a secretária, é o aluguel social, que é o primeiro item da lei de benefícios emergenciais nessas situações de risco. Será feita a concessão do aluguel social até o momento que estiver pronto o Loteamento Isaias Giareta, a ser construído próximo ao Loteamento Pôr-do-Sol. Essas famílias já possuem Cadastro Único e poderão ser beneficiadas com lotes novos. 
Por fim, Adriana destaca que quem precisar de auxílio deve procurar a secretaria, que ajudará no que for possível.