Reajuste de 10,89% foi autorizado pelo governo federal e passou a valer desde 1º de abril
O reajuste no preço dos medicamentos de 10,89% foi autorizado pelo governo federal e entrou em vigor desde o dia 1º de abril. O índice é calculado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e leva em consideração fatores como inflação, custo dos insumos e a variação do câmbio.
Desde a data, as empresas farmacêuticas já puderam readequar seus valores, cabendo a cada uma definir os novos preços, já que o percentual é o reajuste máximo. Segundo o Sindicato dos Produtos da Indústria Farmacêutica (Sindusfarma), o aumento atinge cerca de 13 mil medicamentos disponíveis no mercado varejista brasileiro.
Em pesquisa nos estabelecimentos da área central nesta quinta-feira, 7, os consumidores relataram que já sentiram o aumento na hora da compra. A auxiliar de nutrição, Sulamita Machado, conta que notou diferença com relação ao mês anterior. “Mês passado olhei o valor de um medicamento e hoje, quando voltei pata comprar, de R$74, o valor está mais de R$80. Descobri um problema no braço, então, agora que vai começar meu gasto. Pesa muito no orçamento, porque a gente se programa para alguma coisa, com o salário que ganhamos, mas sempre está há mais do que imaginamos”, declara.
A designer gráfico, Rosecleia Sulzbach, aponta que percebeu uma elevação nos preços de forma geral. “Teve um aumento significativo em algumas medicações. No anticoncepcional, antidepressivo, os quais faço uso, a mudança do preço foi muito grande. Acabei comprando genérico e mesmo assim o preço subiu também. Então, já começamos a sentir o valor”, expõe.
Já a professora aposentada, Diana Somensi, menciona que o acréscimo no preço em todos os setores tem impactado as finanças dos brasileiros. “Todos os anos, sei que nessa época sempre tem esse aumento, já é normal, mas a gente sente mais por causa da crise toda. É tudo aumentando de uma vez só. Acompanho minha mãe, que tem mais idade, e ela faz uso de medicamentos contínuos e realmente pesa no bolso. O salário não sobe e as coisas todas aumentam, então acaba impactando. Tem que abrir mão de outras coisas e dar prioridade para o que precisa, no caso o remédio que não pode ficar sem. O brasileiro vai se desdobrando. Dando aquele jeitinho. Economiza ali, aperta aqui, até encaixar. Não sei até quando que vai dar pra fazer isso”, ressalta.
A aposentada Catia Grazioli também se mostrou insatisfeita com os aumentos. “Está bem caro, inclusive reclamei na farmácia. Comprei só um remédio, mas está R$17 reais, o que gente pagava R$9. Compro pouco, mas a minha mãe compra bastante. Eles acham que com um salário mínimo a gente faz muito, mas não fazemos quase nada, principalmente quem compra medicamentos. O remédio é essencial, fica difícil escolher entre comer e tomar o remédio. São duas coisas que são necessárias e ambas têm aumentando bastante”, desabafa.
Reajuste é o segundo maior em mais de 15 anos
De acordo com o Índice Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o índice é próximo ao adotado no ano passado, de 10,08%, quando foi registrado o maior aumento desde 2016 e o segundo maior desde 2005, conforme dados divulgados pela Anvisa.
fonte: Jornal Semanario