Dono de quadra onde jovem foi baleado, em Caxias, detalha momentos que antecederam o crime

O proprietário da quadra de esportes onde Diogo Bueno Pedroso, 26 anos, foi atingido por um tiro no último domingo (10),

O proprietário da quadra de esportes onde Diogo Bueno Pedroso, 26 anos, foi atingido por um tiro no último domingo (10), em Caxias do Sul, relatou à reportagem, na tarde desta quarta-feira (13), os fatos que antecederam o crime. Pedroso chegou a ser encaminhado ao hospital, mas morreu na madrugada de segunda-feira. Ezequiel Hoffman, 38 anos, proprietário do ginásio, afirma que os envolvidos no homicídio não faziam parte de nenhuma das torcidas e acrescenta que nunca os viu no local.

Segundo Hoffman, os jogos do campeonato haviam se iniciado no sábado e tudo transcorria dentro do esperado na quadra do bairro Pio X. No momento em que ocorreu a confusão, fora da quadra, pouco antes das 23h de domingo, acontecia a última partida da noite. Faltavam 16 minutos para o jogo ser encerrado.

Hoffman detalha que houve um atrito entre um de três homens que estavam bebendo no bar do ginásio (e aparecem em vídeos repassados à polícia) e outro homem que estava participando de um churrasco. Os seguranças, segundo ele, interviram rapidamente na situação e colocaram o trio para fora do prédio.

Imagens de câmeras de monitoramento, de fora do ginásio, mostram os três homens já na parte externa, quando uma quarta pessoa sai pela porta e arremessa algo contra eles. Conforme o dono do local, o objeto era uma garrafa.

É neste momento que o suspeito coloca a mão na cintura de um dos amigos e puxa uma arma de fogo. O dono da arma ainda tenta segurá-lo e impedi-lo, mas cai no chão. O autor se aproxima da porta e atira em direção à parte interna do ginásio. Ele ainda chuta a porta e tenta entrar, mas não consegue. Em seguida, os três homens saem correndo.

Hoffman conta que depois que o trio foi expulso pelos seguranças, ele se aproxima da porta para trancá-la. Antes de o proprietário fechar o ginásio, contudo, ocorre este episódio com a garrafa, que, posteriormente, culmina no disparo a esmo. Diogo estava próximo da porta, pelo lado interno, observando a confusão, quando foi atingido pelo tiro. Ele havia jogado a última partida por volta de 18h e já estava sem uniforme de time.

— O que aconteceu não teve nada a ver com o jogo de futebol, nem com a torcida, nem com nada. Foi um equívoco de pessoas que estavam bêbadas — diz o proprietário do local.

— Enquanto eu tô chaveando a porta, só vi que deu um disparo rente ao meu rosto e realmente pegou no rapaz que não deveria. Não deveria ter pegado em ninguém. Eu jamais queria que acontecesse o que aconteceu, até porque eu conhecia o rapaz que morreu. Era um rapaz que não tinha boca para nada, era um trabalhador — acrescenta.

Hoffman detalha que foi em direção à porta para trancá-la justamente para evitar uma confusão maior. Ele diz que está bastante abalado com a situação, porque a esposa e o filho de 4 anos estavam no local e presenciaram o jovem ser baleado. Ainda acrescenta que pensou em desistir do ramo.

— Foi uma fatalidade ele (Diogo) estar parado ali (..) Há anos que faço isso (mantém a quadra) e sempre deu tudo certo. Agora, a gente vai ter que rever um pouco o conceito — diz.

A reportagem contatou o delegado Caio Márcio Fernandes para atualizar o andamento do caso. Contudo, o titular da Delegacia de Homicídios de Caxias do Sul informou que não pode repassar informações neste momento da investigação.

Diogo era morador do Loteamento São Gabriel, próximo ao bairro Vila Amélia. Ele estudou na Escola Municipal Rosário de São Francisco e trabalhava numa fábrica de tintas. Ele deixa os pais e três irmãos.

Fonte: Pioneiro