Vanessa Siviero, de 31 anos, faleceu no domingo, dia 29, em decorrência de um câncer. A jovem descobriu um tumor no cérebro em junho de 2019, a doença lhe causou diversas complicações, mas nunca a impediu de sonhar. O velório está sendo realizado na Comunidade de Lajeado Bonito, em Cotiporã e o sepultamento ocorre às 16h30min desta segunda-feira, no cemitério da mesma localidade.
Em 2021, a jovem concedeu uma entrevista ao Estafeta relatando sua história e como estava a situação da doença. Confira a entrevista na íntegra:
Dona de um desejo ardente de crescer, e fazer sempre mais para si e para o próximo, Vanessa Siviero, na época com 29 anos, é formada em Ciências Contábeis com especialização em Finanças, Controladoria, Auditoria e Custos e também em Gestão do Agronegócio, e há nove anos ingressou ao time de colaboradores da Cooperativa Sicredi.
Nascida no interior do município de Cotiporã, Vanessa precisou sair do seio de sua família para realizar os seus sonhos. Foi morar com uma tia na cidade, para assim poder pegar o ônibus que a levaria para Bento Gonçalves. Três anos depois, mudou-se para lá, e já conseguiu o emprego no Sicredi – onde permaneceu por quatro anos. Mas os seus planos eram ainda maiores. “Meu sonho sempre foi ser Gerente do Agronegócio, por não atuar na área lá, pedi transferência para Veranópolis, assim poderia ter mais chances de conseguir o que eu queria, como também poderia ficar mais próxima da minha família”, diz.
Um ano foi o suficiente para que o anseio começasse a tomar forma, e ela começou a atuar na área desejada. Logo, o desejo de ser gerente pulsava cada vez mais forte, e não demorou muito para que acontecesse. Mas, o destino reservava algumas surpresas, e, cerca de quinze dias após alcançar os seus objetivos, em junho de 2019, um tumor no cérebro fez com que Vanessa passasse por momentos delicados, e tivesse a sua vida em risco.
“Numa noite de domingo, eu estava sozinha no meu apartamento em Veranópolis, quando senti uma forte dor de cabeça. Corri para pedir ajuda à minha vizinha, e ela ligou para os bombeiros, pois desmaiei na porta dela. Naquele momento eu sofri um AVC. Em consequência disso, eu fiquei com o lado esquerdo do meu corpo paralisado. Fui transferida para Caxias do Sul, e o médico havia falado que não adiantava fazer cirurgia, devido ao tamanho do tumor, seria um grande risco, que eu poderia ficar com muitas sequelas e inclusive um dos médicos, que havia substituído o meu neurocirurgião, chegou a assinar meu atestado de óbito”, conta.
Vanessa ainda revela que o médico pediu para que a família firmasse um termo de compromisso, assumindo estar ciente dos riscos de sua cirurgia. “O médico disse que era muito difícil que a minha situação fosse revertida, pois o caso era muito grave. E cá estou eu, bem bela”, conta com um sorriso no rosto.
Após enfrentar todos estes obstáculos, Vanessa não se deu por vencida. A recuperação vem se dado através de sessões de fisioterapia. Há aproximadamente duas semanas ela realizou sua última quimioterapia. “Nunca pensei em desistir ou baixar a guarda. Em nenhum momento vi o que passei como algo ruim. Sempre pensei que eu queria muito viver. E os motivos que mais me impulsionavam eram as minhas duas famílias: a de sangue, e o Sicredi”, revela.
A jovem ao retornar para casa, aos poucos foi retomando sua rotina de estudos. Finalizou a sua pós graduação em Gestão do Agronegócio em novembro de 2020 e sonha em voltar ao seu local de trabalho. Para isso ela ainda precisa que o tumor esteja estabilizado, e assim, possa ter a liberação dos médicos.
“Levo isso como um ensinamento para a minha vida. Conheci quem eram os meus verdadeiros amigos. Tenho muito orgulho da mulher que eu me tornei, e do que eu superei”, encerra.
Vanessa é força. Vanessa é determinação. Vanessa é, acima de qualquer qualidade, uma pessoa que é muito amada por aqueles que a conhecem e cercam. Parafraseando Milton Nascimento, Vanessa é “uma mulher que merece viver e amar como outra qualquer do planeta”.
No Dia Mundial de Combate ao Câncer, foi ao ar a entrevista em vídeo. Confira: