Evento reunirá grandes nomes da dança internacional em Veranópolis

O projeto Social Mudança realiza evento buscando valorizar a dança e seus diversos ensinamentos, unido diversas culturas em competição.

O MDA Summer Class Festival Internacional de Danças Urbanas, que será realizado em Veranópolis de 14 a 17 de fevereiro, chega a sua segunda edição. O projeto do evento foi desenvolvido pela professora de dança e coordenadora do Projeto Social Mudança, Amaly Mossi. Começou a ser escrito há dois anos e recebe apoio da Lei Rouanet. O evento é uma iniciativa que reunirá dançarinos de 20 Estados do Brasil e de 10 países da América Latina. 
De acordo com Amaly, o MDA Summer Class tornou-se uma grande potência dentro das danças urbanas. Ele é o primeiro evento 100% gratuito nesta plataforma, onde bailarinos poderão participar de 26 aulas com professores de várias partes do país e do mundo. Segundo a professora de dança, estarão reunidos em torno de 4 mil bailarinos por dia, que virão a Veranópolis. 
Foram abertas 2.500 mil vagas, que foram preenchidas em duas semanas, de acordo com Amaly. Como não é mais possível se inscrever, as pessoas podem assistir o evento. Terão dois dias da grande competição que serão abertos ao pú-blico. “Será um grande show, estamos procurando qual é o melhor grupo da América Latina. E esse grupo levará para casa um prêmio de R$ 20 mil, além do título”, explica. 

Por que o evento foi criado?
A organizadora explica que o evento foi criado para o Projeto Social Mudança, pois, segundo ela, atualmente a arte não é tão valorizada. O grupo criado em Veranópolis atende vários adolescentes e adultos, e a partir de sua pro-fissionalização, iniciou suas participações em festivais internacionais de dança, obtendo ótimos resultados. 
Porém, para participar desses eventos é necessário arcar com diversos custos, tais como alimentação e figurino. Para auxiliar, antigamente, o grupo realizava pedágios, mas,  resolveram criar algo para beneficiar o projeto de uma forma diferente. E assim  surgiu o MDA Summer Class, que neste ano conta com o patrocínio da Ceran.

Programação recheada
O evento será realizado na Femaçã, pois tem o apoio da Prefeitura Municipal, que cedeu o espaço. “Serão quatro dias em que as pessoas irão vivenciar a dança, trocar muita arte e fazer o bem, pois todo o valor arrecadado será voltado para o projeto social Mudança conseguir representar Veranópolis nos festivais que participamos no Brasil e no exterior”, coloca. Haverão festas, a competição, aulas de dança e muito mais. 
Na quinta e na sexta-feira, durante o dia, haverá as 26 aulas de dança e, após, serão realizadas  festas com entradas no valor de R$ 20. Nelas, haverá batalhas de dança, onde serão procurados os melhores bailarinos de toda a América Latina. Os ingressos podem ser adquiridos no local do evento ou na Karamelada Festas e Eventos, colaboradora do MDA. 
Dentre os professores que ministrarão as 26 aulas de dança, estão Buddha Stretch, que teve participação na carreira de Michael Jackson; Dassy Lee,  que é da Coreia do Sul e é uma das coreógrafas da cantora Lady Gaga; Eudjoma, rapaz de Moçambique que trabalha com danças africanas; King Charles, um dos coreógrafos e bailarinos da Madonna, e  Tiago Montalt, coreógrafo do Kevinho e Maiara e Maraisa. “É uma gama de professores, celebridades, que se uniram em prol de um projeto social. Todos eles estão vindo por um valor simbólico, mas com o objetivo de difundir a dança em nossa cidade e região e, principalmente, ajudar nosso projeto social”, destaca, Amaly. 
Falando na competição propriamente dita, na sexta e no sábado haverá apresentação dos grupos de dança, com entrada gratuita. Segundo Amaly, o formato é bem diferente: na sexta-feira, serão lançados 50 grupos. Nesse dia será divulgado o top 20, sem nenhuma ordem ou pontuação. Os finalistas se apresentarão novamente no sábado, podendo fazer alguma alteração na coreografia.  Porém, haverá outros dois jurados, que não estiveram presentes no dia anterior. No final da apresentação de sábado, será divulgado o campeão, que levará para casa o título e a premiação de R$ 20 mil, que auxiliará os bailarinos. 
E no sábado, também haverá o Carnaval MDA, com doação de alimentos não perecíveis na entrada, e mostra não competitiva de 30 grupos, que poderão se apresentar em diversas modalidades (individual, duos, trios, etc).
No último dia de evento, domingo, haverá um Luau com Mostra de Talentos. Nesse, as pessoas podem se inscrever e apresentar seus talentos, pode ser qualquer habilidade, de preferência, menos dança.

O lado social que existe por trás da dança
A palavra MDA significa Mudança. Amaly explica que o objetivo do projeto é mudar vidas através da dança, da arte, enfim, criar interesse nas pessoas, mostrando que dança educa, que a arte pode mudar vidas como um todo. 
Amaly tem orgulho de ter conseguido criar esse projeto e beneficiar pessoas que passam pelas mesmas situações que ela passou. “Muitos dos meus alunos foram desacreditados, eu fui uma criança que tive que sair da cidade de Veranópolis e ir para a Capital para conseguir ter espaço e correr atrás do meu sonho, que é viver de dança. Muitas pessoas se espantavam com isso, duvidando que eu conseguiria algo. Quando eu tive a possibilidade de voltar para minha cidade quis fazer algo para ajudar essas pessoas que têm o mesmo sonho que eu e mostrar para quem duvidou que é possível, sim”, coloca. 
O projeto social, hoje, en-globa diversas entidades, tais como o Grupo Afro de Nova Prata que pesquisa a dança africana e resgate da cultura negra. Como também, o grupo de dança de Veranópolis, que participa de competições de dança. 
Além desses, inúmeras outras pessoas são atingidas pelo projeto. Uma delas é o Instituto Casa, de Nova Prata; lá vivem pessoas, cuidadas por monitores socias, que saíram da casa de seus pais por terem sofrido maus tratos. Esse instituto é mantido por doações e tem apoio da Prefeitura. O projeto também auxilia a Associação Beneficente e Educacional de Nova Prata (ABEN).